Myo significa “reviver”, ou seja, retornar à vida
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Myo significa “reviver”, ou seja, retornar à vida

No escrito O Daimoku do Sutra do Lótus, no qual consta essa passagem, Daishonin explica que o ideograma myo contém três significados — “abrir”, “ser dotado de perfeição” e “reviver” (cf. CEND, v. I, p. 151-152, 155). Gostaria de confirmar cada um desses pontos.

“Abrir” refere-se ao Sutra do Lótus que abre o caminho da iluminação para todos os seres vivos.


“Ser dotado de perfeição” corresponde à Lei Mística que contém dentro de si todos os benefícios.


O significado de “reviver” é elucidado na passagem que estamos estudando nesta ocasião. O presidente fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, sublinhou fortemente esse trecho em seu exemplar do Gosho (Coletânea de Escritos de Nichiren Daishonin). Daishonin esclarece que a Lei Mística possui o poder revitalizante de libertar os seres vivos do sofrimento.


Toda sensei disse certa vez: “A Lei Mística é um ensinamento revigorante. Possibilita que extraiamos algo positivo das nossas experiências. Nada, por menor que seja, é em vão. Esse é o grande benefício da fé no Budismo Nichiren”.


“Nada é em vão na fé!” — essa é a sincera convicção obtida por incontáveis membros da organização por meio de experiências pessoais, desde os primórdios do nosso movimento.


Os praticantes enfrentavam dificuldades extremas, com a certeza de que tudo havia se desenrolado da maneira que se desenrolou para que pudessem, emprestadas as palavras de Nichiren Daishonin, “enfrentar esta situação” (CEND, v. II, p. 89). Com orgulho e coragem extraídos da sólida convicção no Budismo Nichiren, reuniam o grande poder da fé e o poder da prática e seguiam em frente com a determinação de que “este é o momento crucial”. Encarando cada desafio com um espírito invencível, registraram miríades de inspiradoras e emocionantes histórias de revitalização com a revolução humana, fazendo valer as experiências e os esforços passados.


A Lei Mística tem o poder de imprimir um significado positivo e valor a tudo. É de fato, como disse Toda sensei, “um ensinamento revigorante”. Um ensinamento que contempla a integração e une todas as filosofias.


Com relação ao poder da Lei Mística para fazer uso positivo de tudo, gostaria de discorrer sobre o princípio de “abrir e incorporar” — ou seja, o poder da Lei Mística como força de integração — com base nos conceitos do “myo relativo” (também conhecido como “myo comparativo) e do “myo absoluto”.


O grande mestre Tiantai interpreta “myo” a partir dessas duas perspectivas. Ambos os aspectos ilustram a excelência e superioridade de myo, mas enquanto o myo relativo se concentra em descartar o apego aos ensinamentos anteriores ao Sutra do Lótus, privilegiando o ensinamento superior do Sutra do Lótus, o myo absoluto engloba o princípio de “abrir e incorporar”, que pode fazer uso positivo de tudo pela perspectiva do Sutra do Lótus.


Em Perguntas e Respostas sobre as Várias Escolas, Daishonin escreve:

Agora vamos analisar o myo absoluto, a doutrina que trata da abertura e da incorporação dos ensinamentos. Nesse momento, os ensinamentos estabelecidos nos sutras anteriores ao Sutra do Lótus, os ensinamentos provisórios — que haviam sido descartados como indesejáveis —, estão todos juntos no grande mar do Sutra do Lótus. Portanto, como esses ensinamentos provisórios deságuam no grande mar do Sutra do Lótus, não existe mais nada indesejável com respeito a eles. (CEND, v. II, p. 418)


Em outras palavras, embora os ensinamentos de Shakyamuni anteriores ao Sutra do Lótus e os ensinamentos não budistas consistam apenas em representações parciais e fragmentadas da verdade, se as posicionarmos corretamente na perspectiva do ensinamento abrangente do Sutra do Lótus, não haverá problema algum em utilizá-los.


Daishonin aponta [em Compreensão do Significado de “Objeto de Devoção para Observar a Mente”]:


Na realidade, podemos dizer que a linha principal da rede, aquela que trata da consecução do estado de buda, é exposta no Sutra do Lótus, ao passo que os fios mais finos da rede são elucidados nos vários outros textos canônicos. Elas funcionam como fios mais finos do Sutra do Lótus e, portanto, é perfeitamente adequado citá-los como provas para sustentar a validade do Sutra do Lótus. (WND, v. II, p. 605)


Em seus vários tratados, a começar com Estabelecer o Ensinamento Correto para a Pacificação da Terra, para promover uma correta compreensão do Sutra do Lótus, Daishonin cita livremente passagens dos ensinamentos anteriores ao Sutra do Lótus como prova documental de suas asserções, e faz alusão a eventos da história da China antiga e a lendas. Esse é um exemplo de como Daishonin aplicou a doutrina da “abertura e incorporação” e a explicou dos ensinamentos na perspectiva do myo absoluto.


Ao buscarmos a transição de uma era de divisão para uma era de harmonia, maior será a relevância da doutrina da “abertura e incorporação”, um dos sábios discernimentos do budismo, como componente da base filosófica da humanidade para o século 21.

Todas as filosofias e crenças que visam à paz e à felicidade humana estão, no âmbito mais profundo, alinhadas com o ensinamento da Lei Mística, que exalta o valor e a dignidade das pessoas. Consequentemente, ao serem iluminadas pela radiante luz de esperança da Lei Mística, conseguem revelar vibrantemente seu verdadeiro valor como força positiva para o bem de toda a humanidade e atuar para a felicidade das pessoas.


Fonte: Brasil Seikyo, Ed. 2400, 31 dez 2017 / Encontro com o Mestre
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