O caminho do respeito e crescimento mútuos
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O caminho do respeito e crescimento mútuos

Discurso do presidente Ikeda proferido numa conferência de lideres da Europa, em Frankfurt – Alemanha, em 11 de junho de 1992 e publicado no jornal Brasil Seikyo de 29 de novembro de 2014.


Praticar o budismo é buscar a felicidade, e o propósito da fé é se tornar feliz.

Certa vez, Aniruddha — um dos dez principais discípulos de Shakyamuni conhecido por seu profundo discernimento divino — cochilou enquanto Shakyamuni pregava. Refletindo profundamente sobre sua atitude, jurou jamais dormir novamente e, como resultado dessa prática incessante, ficou cego. Tempos depois, ele declarou que havia aberto os olhos da mente e ganhara extraordinários poderes de discernimento.

Um dia, Aniruddha tentou costurar seu manto que estava rasgado. Como não enxergava, não conseguiu passar a linha pela agulha e murmurou: “Será que existe alguém para passar a linha pela agulha por mim e acumular boa sorte [por ajudar um praticante do budismo]?”

Então, alguém se aproximou dele e disse: — Permita-me acumular boa sorte.

Aniruddha estava atordoado. Sem dúvida, era a voz de Shakyamuni.

— Jamais poderia incomodá-lo — protestou e ainda disse:

— Certamente alguém como o senhor, Mundialmente Reverenciado, não precisa receber nenhum tipo de beneficio.

— Pelo contrário, Aniruddha — respondeu Shakyamuni. Não há ninguém que busque a felicidade tanto quanto eu.

Shakyamuni continuou a ensinar Aniruddha, que ainda não tinha se convencido das palavras do Buda, de que a pessoa deve continuar prosseguir eternamente em sua busca. Quando buscamos a verdade, não haverá um fim ou um momento em que falamos: “Isto é o suficiente”. De forma semelhante, sobre os nossos esforços que nos conduzem à iluminação, não existe um limite em que afirmamos: “Fiz o bastante”. O mesmo se aplica à nossa prática para o nosso desenvolvimento.

A busca pela felicidade também não possui limites. Shakyamuni disse a Aniruddha: “De todos os poderes deste mundo e das esferas do céu ou dos seres humanos, o poder da boa sorte é o mais poderoso. O caminho do buda também é alcançado por meio do poder da boa sorte”.

As palavras de Shakyamuni de que “Não há ninguém que busque a felicidade tanto quanto eu” possuem significado importante.

Budismo não é virar as costas para a vida para escapar da realidade, ou agir como se já tivéssemos atingido a iluminação e elevado nosso entendimento sobre felicidade e infelicidade. Em particular, pensar que sozinha a pessoa é especial não tem nada a ver com o budismo. Pelo contrario, os genuínos praticantes budistas são aqueles que, como humildes indivíduos em busca da felicidade, persistem firmemente na prática junto com todos. Eles agem com coragem, alegria e determinados a jamais desperdiçar uma oportunidade para acumular boa sorte. Essas pessoas nunca têm o pensamento arrogante de que “Isto é o suficiente” e continuam a se lançar ao desafio para acumular ainda mais a boa sorte e obter mais benefícios, atingindo a condição de eterna felicidade. O espírito do budismo pulsa nesta convicção de continuar a se desenvolver e desafiar a si próprio.

O simples oferecimento de Shakyamuni a Aniruddha de passar a linha pela agulha transmite seu profundo e infinito espírito e atitude perante a vida. Sua conduta é a expressão natural da filosofia igualitária de que todos somos iguais.

Quando interagimos com os outros imbuídos de verdadeira sinceridade, eles também nos respeitam e nos valorizam com a mesma profundidade. Isso sem falta acontece quando nossas ações são baseadas na oração — na recitação do Nam-myoho-renge-kyo. De forma recíproca, denegrir os outros nos leva a denegrir a nós próprios. Aqueles que cultivam o ódio pelos demais também receberão o mesmo.

Vamos desbravar o caminho do respeito mútuo e da coexistência harmoniosa com o intuito de encerrar esse ciclo que, por tanto tempo, é parte do destino humano. 

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