O futuro está no presente
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O futuro está no presente

Trecho extraído da Proposta de Paz da edição de maio de 2020 da revista Terceira Civilização, com foco no segundo compromisso exposto pelo Dr. Daisaku Ikeda — “o desafio da construção”.

No desafio dessa construção, encontramos um terceiro caminho para evitar a indiferença egocêntrica a problemas que não nos afetam diretamente ou de uma paralisia pessimista em face dos problemas que parecem esmagadores. Para coincidir com a Cúpula da Terra de 1992, a SGI estabeleceu o Instituto Soka — Centro de Pesquisas e Projetos Ambientais do Amazonas (Cepeam) [hoje, Instituto Soka Amazônia] no Brasil que, a partir de então, tem realizado atividades para restaurar a floresta tropical e proteger sua ecologia única. E não é por acaso que nossas exposições originalmente organizadas em apoio à Década de Educação pelo Desenvolvimento Sustentável da ONU foram intituladas Sementes da Mudança e Sementes da Esperança. Esses títulos sintetizam a mensagem afirmativa que cada um de nós, de onde estamos neste momento, temos o potencial de nos tornar arquitetos da mudança rumo à sociedade global sustentável, e que cada ação nesse sentido é uma semente da mudança, uma semente da esperança, que fará germinar flores de dignidade por todo o mundo.

A ênfase na abordagem construtiva diante das ameaças tem sua origem na filosofia budista. No Sutra do Lótus, que materializa a essência dos ensinamentos de Shakyamuni, encontramos o princípio de que “o mundo saha é em si a Terra da Luz Tranquila”. Saha é uma palavra sânscrita que significa “suportar” ou “resistir”. O termo “mundo saha” expressa a percepção de Shakyamuni de que o mundo no qual vivemos é permeado por angústia e sofrimento. Mesmo se baseando nessa visão de mundo, Shakyamuni declarou: “Parti com vinte e nove anos em busca do bem”. Como isso mostra, ele não foi movido pelo pessimismo, mas pela busca sincera em descobrir como as pessoas poderiam evitar se afogar em sofrimentos e viver felizes.

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No Japão do século 13, o mestre budista Nichiren Daishonin (1222–1282) expôs o princípio de que “o mundo saha é em si a Terra da Luz Eternamente Tranquila” da seguinte forma: “Isso não significa que ela [a pessoa que segue o Sutra do Lótus] deixa seu local atual e vai para algum outro”. Esse ideal pelo qual as pessoas anseiam não existe em outro lugar, longe do seu alcance. O coração do Sutra do Lótus se encontra nos grandes esforços para permitir que o local em que estamos agora brilhe como a Terra da Luz Eternamente Tranquila.

Os habitantes do Japão na época de Daishonin estavam mergulhados no que parecia ser uma série infindável de dificuldades. Além do conflito, eles sofriam com desastres naturais como terremotos e tornados, e também com epidemias.

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Assim ele [Nichiren Daishonin] nos ensina que despertar para a existência em cada um de nós da mesma luz brilhante e digna emitida pela Torre de Tesouro — capaz de iluminar o mundo cheio de sofrimentos — torna-se a fonte reveladora do nosso ilimitado potencial. Ele explica também a importância de criar, por meio de nossos próprios esforços, o mundo que desejamos, com cada pessoa se esforçando ainda mais para brilhar como a Torre de Tesouro, e iluminar a sociedade com esperança.

Em fevereiro de 2005, encontrei-me com a ativista ambiental Wangari Maathai (1940–2011). Falamos sobre o seu trabalho de estimular a esperança para a criação de um novo mundo a partir do entorno imediato de cada um. Refletindo sobre o Movimento do Cinturão Verde, que começou com o plantio de apenas sete mudas, a Dra. Maathai afirmou: “O futuro não existe no futuro. Pelo contrário, ele nasce somente por meio de nossas ações no presente, e se desejamos realizar algo no futuro, devemos agir com esse propósito agora”.

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