O que é liberdade?
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O que é liberdade?

Os trechos a seguir foram extraídos de um diálogo entre o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, e líderes da Divisão dos Estudantes da Soka Gakkai.

Um empresário norte-americano e sua esposa disseram-me algo muito interessante. Eles observaram que conheciam algumas das pessoas mais ricas do mundo, mas também perceberam que a vida de muitas delas era realmente sofrida: viúvas sentiam tristeza e vazio depois da morte de seus esposos; pessoas que haviam perdido todo o senso de missão; e outras que, mesmo tendo atingido suas metas financeiras, viram-se subitamente frente a frente com seu verdadeiro eu e sentiram tristeza e solidão.

A verdadeira liberdade, em última análise, depende daquilo a que decidimos nos dedicar com sinceridade. Não significa simplesmente se divertir. Não é gastar dinheiro feito água nem é ter todo o tempo livre no mundo. Não é tirar férias longas. Fazer apenas o que nos agrada não é liberdade, é simplesmente capricho. A verdadeira liberdade reside no desafio constante do autodesenvolvimento para atingir um objetivo escolhido. Esse caminho está revestido com o ouro reluzente da liberdade. — É verdade que nossa tendência é pensar em lazer como sinônimo de liberdade, mas são coisas bem diferentes. Se formos passivos, sentiremo-nos aprisionados e infelizes até mesmo no mais livre dos ambientes. Mas, se adotarmos uma atitude ativa e desafiarmos as circunstâncias, seremos livres, por mais restritiva que possa ser a situação.


No budismo, a verdadeira liberdade está relacionada à própria condição de vida da pessoa. Alguém com condição de vida expansiva é livre até mesmo na mais restritiva das prisões da Terra. Adolfo Pérez Esquivel, ativista argentino dos direitos humanos e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, disse-me uma vez que a prisão havia lhe ensinado a ter uma clara valorização da liberdade. Natalia Sats, falecida presidente do Teatro Musical Infantil de Moscou, lutou contra a opressão e também transformou a cela em que permaneceu num local de aprendizagem. Ela incentivou as companheiras de prisão a compartilhar o conhecimento de cada uma delas umas com as outras. Uma podia ensinar química, outra, medicina. A Sra. Sats, que era cantora e artista, interpretou canções e recitou poesias de Aleksandr Pushkin, esforçando-se para inspirar coragem e esperança em todas... — Aqueles que se recusam a ser derrotados elas circunstâncias, por mais duras que sejam, são verdadeiramente livres.

Sim. Tenho certeza de que conhecem a história de Helen Keller (1880–1968). Quando tinha 1 ano e meio, ela perdeu a visão e a audição. A surdez também dificultou a fala. Contudo, com a ajuda da professora Anne Sullivan, ela gradativamente aprendeu a ler, escrever e falar, formando-se pela Radcliffe College, em Cambridge, Massachusetts. Certamente, ninguém poderia enfrentar mais limitações do que ela — que era incapaz de falar, ouvir ou enxergar. Seu mundo era o de escuridão e silêncio. No entanto, ela expulsou a escuridão do coração... Como resultado do trabalho extraordinariamente árduo, mais tarde, viajou por todos os países, dando palestras e oferecendo incentivo a outras pessoas com deficiências. Visitou o Japão diversas vezes e inspirou coragem no mundo inteiro. Recusou-se a ser derrotada. Sempre voltou o rosto na direção do Sol em busca da resplandecente luz da esperança. Entretanto, era humana e, às vezes, se sentia desamparada e desanimada. Ela escreveu: Muitas vezes, escorrego, caio, paro, enfrento obstáculos ocultos, perco a paciência e recobro-a novamente, aí melhoro. Caminho com dificuldade, avanço um pouco, sinto-me encorajada e mais ávida, escalo mais alto e passo a enxergar o horizonte se ampliando. Cada luta é uma vitória. — Ela viveu com força e coragem extraordinárias.


A liberdade e a falta dela são duas faces da mesma moeda. As pessoas mais ocupadas parecem ter as maiores restrições de tempo, mas elas frequentemente desfrutam, de fato, a maior liberdade. Liberdade não pode ser medida em termos de tempo; a quantidade de “tempo livre” que temos não tem nada a ver com a quantidade de “liberdade” que possuímos. É o que fazemos com nosso tempo que conta. Duas pessoas com a mesma quantidade de tempo livre vão utilizá-lo de formas diferentes: uma poderá apreciá-lo, enquanto outra poderá reclamar, achando que seu tempo livre é tedioso ou insuficiente. De modo semelhante, você pode passar uma hora assistindo à televisão, vendo o tempo passar num instante sem fazer absolutamente nada, ou estudando, sentindo uma sensação gratificante de realização quando terminar. Essa hora pode ser um momento decisivo na sua vida.

A liberdade é determinada por seus valores, pelas coisas que você considera importantes na vida. De certo modo, nenhum de nós vai alcançar a verdadeira felicidade a menos que todos os demais sejam felizes. Basear a própria vida e as ações nessa consciência é o que o Budismo chama de modo de vida do bodisatva.

Da mesma forma, só desfrutaremos de verdadeira liberdade se todas as outras pessoas também forem livres. Em nosso mundo atual, um número excessivo de pessoas está acorrentado à pobreza, à opressão, ao medo e à ignorância; uma quantidade enorme delas é privada de sua liberdade pela guerra e pela discriminação. Aquele que se levanta para lutar pela liberdade dessas pessoas é verdadeiramente livre. Espero que cada um de vocês se tornem esse tipo de pessoa. Portanto, é fundamental que encarem, com retidão, e desafiem as tarefas à frente, concluindo-as vitoriosos. Então, assim como as árvores crescem, dão flores e frutos por se enraizarem profundamente no solo e estendendo seus galhos em direção ao céu, vocês conhecerão, de modo natural, a liberdade cada vez maior. Por essa razão, avancem sempre rumo ao sol da esperança.

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