O que está contido no Gohonzon?
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O que está contido no Gohonzon?

O Gohonzon é o Nam-myoho-renge-kyo, a essência da vida; a própria vida do Buda

Discurso do presidente Ikeda proferido no Curso de Aprimoramento da Divisão dos Jovens da SGI-Estados Unidos em 20 de fevereiro de 1990, no Centro de Treinamento de Malibu.

A palavra japonesa honzon significa “objeto de devoção ou respeito fundamental”, ou seja, o objeto que respeitamos e para o qual nos devotamos. Por isso, naturalmente, aquilo que estabelecemos como nosso objeto de devoção tem um impacto decisivo na direção da nossa vida.

Tradicionalmente, a maioria dos objetos de devoção no budismo era de estátuas de buda. Em alguns casos, quadros com imagens também eram comuns. As estátuas de buda não existiam nos tempos iniciais do budismo, porém, nos séculos seguintes elas surgiram em Ghandara, região noroeste da Índia, devido à influência da cultura grega. Dizem que serviram como objetos de troca no “caminho da seda” e, graças a elas e aos quadros, as pessoas se familiarizavam com a imagem do Buda, o que as faziam cultivar a fé e a reverência a ele.


O objeto de devoção do Budismo de Nichiren Daishonin é o Gohonzon, um mandala inscrito com ideogramas. Mais que uma representação visual ou gráfica, diria que é a expressão mais nobre e grandiosa do mundo da sabedoria, a grandiosa sabedoria do buda original dos Últimos Dias da Lei. Por essa razão, o objeto de devoção do Budismo de Nichiren Daishonin difere fundamentalmente das outras ramificações do budismo.

Os ideogramas são maravilhosos e têm um poder enorme. Por exemplo, a assinatura de uma pessoa, quando registrada, expressa a personalidade, a posição social, o poder, a condição emocional e física, a história pessoal e o carma. Da mesma forma, o daimoku de Nam-myoho-renge-kyo contém todos os aspectos do universo. Em sua obra Grande Concentração e Discernimento, Tiantai declara: “O surgimento refere-se ao surgimento da natureza essencial da Lei; e a extinção refere-se à extinção dessa natureza”, todos os fenômenos são manifestações da Lei Mística.

O verdadeiro aspecto de todos os movimentos e transformações do grande universo (todos os fenômenos) está perfeitamente representado no Gohonzon; o verdadeiro aspecto do macrocosmo, ou universo, é exatamente o microcosmo, ou vida — é o que Daishonin nos ensina em seus escritos. Além disso, o Gohonzon evidencia o princípio de “unicidade de pessoa e Lei” (ninpo ikka), expressando a condição de vida de iluminação de Nichiren Daishonin, o Buda dos Últimos Dias da Lei.


No universo existem tanto as forças do bem como as artimanhas do mal. No Gohonzon constam os representantes do estado de buda, como Shakyamuni e Muitos Tesouros, assim como o representante do estado de inferno, como Devadatta — ou seja, todos os representantes dos dez mundos. Daishonin elucida que tanto os representantes das forças do bem como das forças do mal são, sem exceção, iluminados pela brilhante luz do Nam-myoho-renge-kyo, conforme o princípio de “nobres atributos inerentes” (honnu-no-songyo) afirmando que essa é a função do Gohonzon. Por serem nobre atributos inerentes, são também honzon (verdadeiro objeto de devoção).

Quando realizamos o gongyo e daimoku diante do Gohonzon, as forças do bem e as do mal, inerentes à nossa vida, começam a trabalhar como honnu-no-songyo. O estado de inferno com a vida de sofrimentos, o estado de fome com incessante ânsia, o estado de asura com a sua perversa ira — todos agem e têm a função de contribuir para nossa felicidade e na “criação de valor”.


Quando baseamos nossa vida na Lei Mística, os estados de vida que tentam nos conduzir em direção ao sofrimento e à infelicidade tomam um rumo oposto, na direção positiva.

Além disso, quando recitamos Nam-myoho-renge-kyo, as forças positivas do universo, representadas por todos os budas, bodisatvas, e divindades como Bonten e Taishaku, brilham ainda mais, expandindo seus poderes e influência ilimitadamente. Os deuses do sol e da lua, que existem no microcosmo de nossa vida, também brilharão para iluminar a escuridão. Todas as forças do bem e do mal, dos dez estados de vida e três mil mundos num único momento da vida, juntos, trabalharão para nos conduzir ao curso de uma vida imbuída das quatro virtudes: eternidade, felicidade, verdadeiro eu e pureza.

A vida será prazerosa e a morte, pacífica, tornando-se uma solene partida para a próxima existência, que também será maravilhosa. Quando o inverno chega, as árvores ficam totalmente sem folhas ou flores. Mas, quando a primavera chega, elas evidenciam sua energia vital que faz florescer novas folhas e belas flores. De forma semelhante, a morte faz parte do processo da vida, uma transição para a próxima missão de vida, que logo se inicia com o máximo impulso de vida.



Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.231, 14 jun. 2014, p. B1
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