O século da educação humanística
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O século da educação humanística

Discurso proferido no Encontro dos Alunos do Século 21 da Escola Soka de Tóquio, realizada junto com a cerimônia de entrega de títulos do Distrito Khangalas, na República de Sakha, da Federação Russa, e da Faculdade Feminina Soka Ikeda de Artes e Ciências e também a Escola Secundária de Matrícula Sethu Bhaskara, ambas de Chennai, na Índia. A reunião foi realizada no ginásio da escola em Kodaira, Tóquio, no dia 16 de setembro de 2001.


Recebi muitas mensagens sinceras e análises profundas de pensadores e intelectuais do mundo todo a respeito dos recentes ataques terroristas ocorridos nos Estados Unidos. Em que ponto todos eles concordam? Há várias medidas de curto prazo que podem ser implementadas para combater a violência e o terrorismo, mas a única solução a longo prazo que seja viável e fundamental é a educação. Não há outra alternativa a não ser educar as pessoas sobre os valores humanitários e visões de vida mais nobre para estabelecer uma base de paz e estabilidade para a humanidade nesta época tumultuada. Devemos nos empenhar para criar um século que preserve a dignidade da vida, um século firmado na educação humanística.

O Sr. Sethu Bhaskaran e os integrantes do corpo docente da Faculdade Feminina Soka Ikeda de Artes e Ciências, que estão aqui conosco hoje, dedicaram a vida ao sagrado empreendimento da educação, fundando uma escola comprometida em unir todos os povos do mundo com um espírito poético, com a filosofia e a sabedoria. O florescimento dos ideais da Educação Soka na Índia, a eterna terra do espírito, por meio dos esforços desses nobres educadores, é uma fonte de inspiração, esperança e alegria incomparáveis. Gostaria de manifestar-lhes minha profunda gratidão mais uma vez.

Lembro-me de que o presidente Mikhail Nikolaev, da República de Sakha, disse-me com orgulho em nosso encontro há três anos [em Tóquio, em outubro de 1998] que um terço do orçamento do país era direcionado para a educação. Disse ao presidente Nikolaev que estava convicto de que, no curso da história, Sakha — uma nação compromissada em basear seu desenvolvimento na educação — seguramente floresceria com um novo brilho como uma terra famosa por seu povo talentoso.


As aulas iniciaram com entusiasmo na Universidade Soka da América (SUA), em Aliso Viejo. Qual é atualmente o local preferido na SUA? É a Sala de Estudos da biblioteca 24 horas, que fica aberta para os alunos a qualquer hora do dia ou da noite. Os alunos estão estudando arduamente, incentivando uns aos outros com base em uma profunda amizade.

Na noite de 11 de setembro, os alunos decidiram, por iniciativa própria, realizar uma vigília especial à luz de velas na Fonte da Paz, que fica no campus da universidade. Soube que muitas pessoas da comunidade local uniram-se a eles naquela ocasião, quando os alunos manifestaram sua determinação de se tornarem pessoas que contribuíssem para a paz mundial, para o bem das muitas vítimas da tragédia. O evento proporcionou aos membros tanto da SUA como da comunidade local a oportunidade de compartilharem sua dor, sua tristeza e suas esperanças.

Foram publicadas durante dois dias seguidos reportagens sobre a vigília nos principais jornais regionais. Os membros dos Estados Unidos gentilmente me enviaram cópias. Cada verso da canção da Escola Soka de Tóquio que vocês cantaram tantas vezes fazem uma pergunta. Por exemplo: “Por que cultivamos a sabedoria?" , "Por que acalentamos as pessoas?", "Por que nos esforçamos em prol da paz mundial?” São questões cruciais que todos vocês se perguntaram em sua juventude e por toda a vida. Gostaria de afirmar o orgulhoso fato de que os alunos da SUA estão também dando continuidade a essa tradição. O nobre espírito de buscarem respostas para essas questões fundamentais está causando uma forte agitação no coração do povo dos Estados Unidos.



Fonte: BS, ed. 1.644, 16 mar. 2002, p. A3

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