O sol que ilumina a realidade da vida
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O sol que ilumina a realidade da vida

Se o coração brilha intensamente, ele ilumina a circunstância

Nesta seção, o presidente da SGI, Daisaku Ikeda explica, de forma sucinta e simultânea, os fundamentos da teoria de vida do budismo, e os “dez estados de vida”, a “possessão mútua dos dez estados de vida” e os meios atuais para se evidenciar a vida extremamente nobre denominada “estado de buda” de todas as pessoas: o exercício da prática da fé no Gohonzon, estabelecido no Budismo de Nichiren Daishonin.

Com base no discurso do líder da SGI extraído do livro Diálogo sobre a Vida e o Budismo, editado em novembro de 1986.


Se observarmos, em grande parte, a vida que segue momento a momento para o futuro, vemos que ela apresenta dez categorias que o budismo denomina “dez estados de vida” [ou dez mundos]. Nossa vida possui o que se denominou “seis caminhos”, que são os mundos do inferno, dos espíritos famintos, dos animais, dos asuras, dos seres humanos e dos seres celestiais. Também possui os “quatro nobres mundos” — o mundo dos ouvintes da voz, mundo dos que despertaram para a causa, mundo dos bodisatvas e mundo dos budas — estados de esferas mais elevadas. O verdadeiro aspecto de uma vida é o que possui absolutamente todas essas categorias.


Cada um dos dez estados de vida se evidencia aleatoriamente a cada momento, não sendo possível fixá-los, porque no momento seguinte outro estado já estará se evidenciando. A sabedoria intuitiva do budismo, do princípio da lei da “possessão mútua dos dez estados de vida”, é a que capturou esse dinamismo da vida de maneira extraordinária.


A respeito do aspecto dos nove estados de vida da “possessão mútua do mundo dos seres humanos”, no escrito O Objeto de Devoção para Observar a Mente, Nichiren Daishonin diz clara e sucintamente: “Quando observamos o rosto de alguém em momentos diferentes, vemos que, algumas vezes, essa pessoa está alegre; em outras, irada; e, em outras, tranquila. Em certas circunstâncias, percebemos que o rosto de uma pessoa reflete ganância; em outras, estupidez; e, em outras, a perversidade”.


Nós compreendemos bem essas referências, pois são manifestações que observamos e sentimos muito em nossa vida diária.

Neste momento, é importante o ensinamento do budismo sobre como manifestar o estado de buda de uma vida, que possui infinito e digníssimo poder. Exercícios budistas são imprescindíveis para fazer emergir o estado de buda. O grande Budismo de Nichiren Daishonin se resume neste ponto. Estabeleceu o verdadeiro objeto de devoção e propõe o caminho atual. Por essa razão, todas as pessoas podem se exercitar com uma correta prática da fé.


O trabalho de uma vida original

O ideograma ji de jigoku, “inferno”, tem também o significado de estar atrelado a algo insignificante, de menor valor possível. Independentemente da época, esse elo precisa ser cortado e há também a necessidade de se pensar fundamentalmente no crescimento do próprio ser humano, caso contrário, não haverá caminho algum para o restabelecimento do ser humano e da sociedade.


Mesmo em uma sociedade lamacenta como a nossa, o budismo vê a possibilidade de se manifestar o estado de buda, a maior dignidade da vida de um ser humano. Nosso ichinen (determinação) que está à deriva nos “seis caminhos”, ao nos dedicarmos de corpo e alma ao verdadeiro objeto de devoção e realizarmos a “fusão da sabedoria subjetiva e realidade objetiva” ( kyoti myogo) que faz com que a infinita energia vital do estado de buda comece a trabalhar. Pode ser difícil explicar o estado de buda em palavras porque não é específico como os outros nove estados de vida, mas podemos compreendê-lo como o trabalho de uma vida original que conduz os outros nove a um rumo em que há infinitos valores.


Uma aeronave a uma altitude acima dos dez mil metros realiza um voo tranquilo sob raios solares, independentemente se no solo o tempo continua nublado ou está chovendo. Analogamente, por mais aflições que haja na vida diária ou que os sofrimentos continuem, se o sol dentro do coração brilha intensamente, ele ilumina a circunstância para que seja superada com tranquilidade, e esse sol pode ser compreendido como o estado de buda de nossa vida.


Transformar a mais baixa condição de vida

Em certa dimensão, no [escrito de Nichiren Daishonin] Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente (Ongi kuden) consta: “Bodisatva é uma situação que antecede a obtenção dos efeitos do estado de buda". Bodisatva é aquele que se dedica em prol da Lei, das pessoas e da sociedade. Se não houver local de atuação do bodisatva, o estado de buda não é conquistado. Apenas com ideias é impossível manifestar o estado de buda. A leitura de infinitos volumes de ensinamentos budistas não possibilita manifestar o estado de buda. Atingir o estado de buda não modifica o aspecto de uma pessoa.


O aspecto da sociedade atual, com os nove estados de vida ou os seis caminhos, continuará exatamente como era. Iluminações místicas ou budas místicos não fazem parte absolutamente de um verdadeiro budismo. Para o ser humano, o importante é transformar a mais baixa condição de vida para um estado mais elevado e, ainda, de uma situação de insuficiência para uma condição de infinita plenitude. E a única e suprema condição de vida é justamente o estado de buda.


Fonte:
Brasil Seikyo, ed. 2.230, 7 jun. 2014, p. B2
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