“Obrigado” – palavra extraordinária
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“Obrigado” – palavra extraordinária

Uma pessoa que consegue dizer obrigado com sinceridade possui um espírito vigoroso e saudável

Extraído de um ensaio da série “A Vida é Maravilhosa”, publicado em japonês na edição do Seikyo Shimbun de 29 de maio de 2004.

“Muito obrigado” é uma expressão extraordinária. Ela nos enche de energia quando a expressamos aos outros e nos encoraja quando alguém a dirige a nós. Estou sempre dizendo “obrigado”, de manhã até a noite, todos os dias. Quando viajo ao exterior, é o vocábulo do idioma do país visitado que sempre aprendo e uso. Seja “obrigado”, “merci”, “danke”, “gracias”, “spasiba” ou “xie xie”, canalizo meu coração, olhando nos olhos da outra pessoa ao externar minha consideração.

Quando ouvimos ou dizemos a palavra “obrigado”, removemos a armadura do coração e nos comunicamos em um nível profundo. “Obrigado” é a essência da não violência. Contém respeito pelo outro, humildade e uma profunda afirmação da vida. Possui um otimismo alegre. Tem força. Uma pessoa que consegue dizer obrigado com sinceridade possui um espírito vigoroso e saudável; cada vez que dizemos essa palavra, nosso coração reluz e a energia da vida surge de dentro de nós.

Ter gratidão e apreço pelas incontáveis pessoas e fatores que sustentam a nossa vida — consciência, sentimento e alegria — atrairá uma felicidade ainda maior. Em vez de nos sentirmos gratos por estarmos felizes, é o fato de sermos gratos, que em si, nos fará feliz. Da mesma forma, orar com gratidão nos coloca em ritmo com o universo, direcionando a nossa vida a um rumo positivo.

Quando nosso crescimento cessa, não somos capazes de dizer obrigado. Quando estamos nos desenvolvendo, percebemos quanto os outros também são maravilhosos; quando paramos de crescer, só vemos as falhas das outras pessoas.

Em casa, em vez de tentar mudar o parceiro ou os filhos conforme o seu gosto, por que não começar com um simples “muito obrigado”?

Havia uma integrante da Divisão Feminina que sofrera de demência nos anos finais de sua vida, e não conseguia se lembrar nem mesmo do nome dos familiares. No entanto, quando o médico lhe perguntou qual tinha sido o momento mais feliz de sua vida, ela imediatamente respondeu: “Quando minha filha nasceu. Fiquei tão feliz!”. Ao ouvir isso, os olhos da filha, que estava em pé perto da mãe, encheram-se de lágrimas. “Muito obrigada”, disse ela. “Obrigada, mamãe, é tudo que eu precisava ouvir”.

A filha refletiu sobre como ela sempre estava repreendendo o seu filho. “Sim”, pensou, “como fiquei feliz quando ele nasceu!”. Contudo, com o passar dos anos, impelida pela idealização do que seria uma criança perfeita, ela tentou moldar seu filho para ajustá-lo ao seu modelo, priorizando apenas os pontos em que ele não satisfazia o seu ideal­, atendo-se a apontar suas falhas em um aspecto ou em outro. Ainda assim, a despeito de quanto era exigente, o filho tentava dar tudo de si para corresponder às expectativas dela. Ele era gentil com ela. Quando esses pensamentos lhe vieram à mente, um sentimento de imensa gratidão a invadiu. “Muito obrigada. Sou feliz simplesmente por você estar vivo e bem. Sou feliz só por você estar aqui ao meu lado. Muito obrigada.”

Ela passou a enxergar o filho com outros olhos e, de repente, possuía inúmeros motivos para ser grata e feliz. Afinal, embora fosse difícil tirá-lo da cama de manhã, ele acaba se levantando, mesmo que, às vezes, no último minuto. Isso, em si, já era algo surpreendente. Ele era um tanto “implicante” com a comida e podia não ser o primeiro aluno da classe, mas ela sentia-se­ grata somente por ele ir para a escola com um belo sorriso no rosto a cada dia.

Sentia-se grata por tudo, mesmo quando nada de especial acontecia. Era grata por cada dia que passava com sua família bem e segura. Ela percebeu que não dar valor a tais fatos, considerando tudo muito natural, era sintoma de arrogância profunda e impregnada da parte dela.

De forma similar, há pessoas que, ao receber o diagnóstico de uma doença séria, percebem pela primeira vez quanto achavam normal ter saúde e que nunca valorizaram tudo o que tinham.

Espero que pelo menos de vez em quando olhem nos olhos de seu companheiro(a) e digam “muito obrigado(a)”. Em vez de jantarem juntos em silêncio, aproveitem para expressar sua estima. No começo pode parecer um pouco embaraçoso, mas tentem, e verão como isso transforma a vida.

Fonte:

Brasil Seikyo, ed. 2306, 16 jan. 2016, p. B2
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