Pensar globalmente, agir localmente
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Pensar globalmente, agir localmente

O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, e a futuróloga Hazel Henderson compartilham pensamentos sobre a globalização em trecho extraído e adaptado de Cidadania Planetária — Seus Valores, Suas Crenças e Suas Ações Podem Criar um Mundo Sustentável (p. 94-100)

Henderson: Não é difícil tornar-se cidadão planetário. Devido ao desenvolvimento dos meios de comunicação, é fácil aprender sobre os problemas do planeta Terra. É possível obter uma compreensão imediata sobre questões como a poluição ambiental, a pobreza e a fome pela televisão e por outros meios de comunicação. E então, consciente de ser um cidadão planetário e da responsabilidade que isso implica, a pessoa faz o máximo que puder no local onde vive para estimular a ação a fim de lidar com esses problemas. Esse é o espírito que está incorporado no lema de René Dubos: “Pensar globalmente, agir localmente”.

Independentemente do local em que se encontre, a pessoa sempre encontrará problemas relacionados com ela. Foi assim que comecei com a iniciativa de combater a poluição em Nova York. Observei, então, que muitos dos problemas locais estavam relacionados com os problemas mundiais. É possível pensar numa escala global e agir em sua própria região.

Ikeda: Em vez de ficarmos presos às limitadas estruturas nacionais ou aos grupos étnicos, devemos expandir nosso campo de visão para o mundo inteiro e para toda a humanidade. Isso é pensar globalmente.

E devemos, ao mesmo tempo, manter os pés bem firmes no local onde vivemos e persistir na ação metódica visando ao melhoramento da sociedade.

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Henderson: Não podemos pensar apenas em termos de regiões e vilas. Não se trata de onde mas, sim, do que globalizar. Está claro que não devemos globalizar tudo. Não podemos globalizar boa parte da economia ruim que está destruindo nosso planeta. Mas queremos, sim, globalizar a ética, os códigos de conduta das corporações e os acordos e tratados de proteção dos direitos humanos. Devemos criar padrões de locais de trabalho e conservar nosso meio ambiente.

Na Nova York dos anos 1960, estava claro que todas as pessoas precisavam de ar puro para respirar, onde quer que estivessem. O ar se movimenta por todo o planeta. Ainda creio que todas as pessoas têm a capacidade de compreender as interconexões. A ideia de que não somos espertos o bastante é ridícula. Nós empregamos apenas dez por cento da capacidade de nosso cérebro, subestimando assim nosso potencial humano de aumentar a consciência interplanetária.

(...)

Ikeda: A questão da globalização hoje e no futuro está no tipo de mundo que se quer construir. O ex-secretário-geral das Nações Unidas, Boutros Boutros-Ghali, disse-me em 1998 que, considerando a globalização das questões financeiras, ambientais e de saúde, os problemas domésticos não podem ser solucionados sem que se trate também das questões internacionais. Ele disse que as pessoas não devem se interessar apenas com o que acontece em seu país mas também com as condições internacionais. As pessoas não se sentem à vontade quando se veem diante da internacionalização e se retiram para suas pequenas “vilas” (região ou Estado) e tradições, manifestando a tendência de evitar os encontros com estrangeiros. A isso ele denominou novo isolacionismo.

Hazel: Eu observei a mesma tendência. Mas o isolacionismo não é mais aceitável.

Ikeda: Exatamente. A globalização baseada na competição também intensifica a disparidade na riqueza e outros males. Se continuar como está, ela prejudicará gravemente o ambiente global e repetirá, de diferentes formas, as mesmas tragédias impostas pelo imperialismo e pelo colonialismo até a primeira metade do século 20.

Portanto, insisto na necessidade da elaboração de leis internacionais para a globalização e para a criação de uma sociedade diversificada, cooperativa e global. Para essa finalidade, cada indivíduo deve mudar seu modo de agir.

As coisas estão funcionando agora de acordo com a lei da selva: o forte fica mais forte e o fraco fica cada vez mais fraco. Se essa situação continuar, a diferença entre ricos e pobres aumentará numa escala global. Devemos abandonar a lei da selva e adotar uma consciência cooperativa com a qual todos possam se tornar felizes e vitoriosos. Nossas ações devem ensejar um modo de vida que permita a todas as pessoas cria­rem valor social para que possamos construir uma sociedade global justa e compassiva.

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