Prezar os pais é a base do ser humano
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Prezar os pais é a base do ser humano

Pessoas notáveis invariavelmente se importam com os pais e os prezam

Certa ocasião, durante um diálogo­ informal com os membros da Divisão dos Jovens, o Sr. Toda nos perguntou de qual discípulo de Nichiren Daishonin mais gostávamos. Lembro-me ternamente que respondi sem hesitar: “Nanjo Tokimitsu”.

Quando Tokimitsu tinha apenas 7 anos, seu pai, um homem muito íntegro, morreu enfermo. O menino se encontrou com Daishonin pela primeira vez pouco tempo depois, quando este visitou o túmulo do pai do jovem. Esse momento ficaria gravado para sempre em sua vida e, a partir daquele dia, passou a respeitar Daishonin como seu mestre. Junto com a mãe, dedicou-se à fé com seriedade.

Tokimitsu estudou e se aprimorou, tornando-se um rapaz excelente. Quando estava com 16 anos, fez uma visita a Daishonin, que havia se mudado para o Monte Minobu e, sem dúvida, ficou muito feliz ao constatar que Tokimitsu se transformara num jovem notável. Daishonin enviou-lhe a carta As Quatro Virtudes e as Quatro Dívidas de Gratidão no ano seguinte [1275]. Nela, ele instrui Tokimitsu que ser um bom filho para os pais que o criaram e saldar a dívida de gratidão que possui com eles é o caminho do budismo.

A passagem “Uma pessoa que abraça o Sutra do Lótus está saldando as dívidas de gratidão com o pai e a mãe” significa que abraçar o Sutra do Lótus consiste, em si, zelar pelos pais. O Sutra do Lótus possui o poder de quitar a dívida que possuímos com eles. Esse trecho também pode ser interpretado como uma mensagem para Tokimitsu de que aqueles que acreditam na Lei Mística não devem se esquecer de ter gratidão aos pais.

Em um trecho do famoso Preceito para os Jovens do presidente Josei Toda consta: “Amar e ter compaixão por todos os seres vivos é uma batalha. Entretanto, há muitos jovens que são incapazes de ter compaixão pelos próprios pais. Como se pode esperar que se importem com aqueles que nem conhecem? O esforço para vencer a frieza e a indiferença em nossa própria vida e alcançar o mesmo estado de compaixão do Buda constitui a essência da revolução humana”.

Amor e gratidão aos pais são a base do verdadeiro humanismo.

Pessoas notáveis invariavelmente se importam com os pais e os prezam. Observei isso por meio das amizades que cultivei com líderes do mundo inteiro.

Na carta, Daishonin lembra a Tokimitsu que a mãe dele, ao carregá-lo no ventre, deve ter sofrido tanto que parecia que ia morrer, e a dor que suportou na hora de dar à luz foi tamanha que chega a ser inimaginável..

A mãe de vocês, sem dúvida, suportou uma dor terrível para possibilitar que nascessem. Dar à luz é realmente uma luta de vida ou morte. Só por isso já deveríamos sentir e demonstrar gratidão por nossa mãe. Por essa razão, o presidente Josei Toda sempre era muito rigoroso com aqueles que não tratavam bem os pais. Certa vez repreendeu, com voz furiosa como um trovão, um jovem que motivou preocupação aos pais: “Não sabe quanto sofrimento está causando aos seus pais?!”.

Imediatamente após a passagem que citei, Daishonin escreve: “Mesmo que não sinta em seu coração que conseguirá fazê-lo, a pessoa poderá saldar [a dívida de gratidão que possui com o pai e a mãe] por intermédio do poder deste sutra”.

O que ele deseja transmitir com essas palavras é que a Lei Mística possui o poder de conduzir todas as pessoas à felicidade. Orando profundamente, com fé na Lei Mística e mantendo uma vida correta e vigorosa voltada para o bem, ativamos as funções protetoras do universo e desenvolvemos naturalmente um estado de vida no qual conseguimos prezar e ser gratos aos nossos pais.

Os pais de muitos de vocês se empenham com seriedade e lutam com persistência e determinação em prol da causa do bem máximo que pode existir. Eles estão dedicando a vida à concretização do kosen-rufu, missão grandiosamente nobre. Embora estejam trabalhando pelo bem supremo, algumas vezes podem ser menosprezados e criticados injustamente. Expondo-se a essas experiências amargas com muita paciência, devotam-se ao bem-estar das outras pes­soas, ao budismo e à sociedade, seguindo em frente com inabalável firmeza. O compromisso e os esforços deles os tornam mais admiráveis que qualquer celebridade ou autoridade.

Mesmo que não expressem em palavras, é por vocês que eles se dedicam, oram, trabalham e lutam o máximo que podem sem se pouparem. Esse é o tamanho do amor dos pais. As orações dos seus pais pela sua saúde, crescimento e felicidade os aninham e protegem forte e profundamente. Espero que se orgulhem de ter esses pais. Desejo também que reconheçam a sincera dedicação deles e se tornem pessoas de grande sabedoria, que respeitem e prezem seus pais do fundo do coração e deem o máximo de si para saldar a dívida de gratidão que têm com eles.

Talvez alguns de vocês, assim como Tokimitsu, tenham perdido um ou ambos os pais. Entretanto, lembrem-se de que eles continuam­ vivendo em seu coração. Quando recitar Nam-myoho-renge-kyo, eles estarão lá no Gohonzon. Estarão sempre com vocês nas profundezas da vida. Ou também, pode ser que tenham um relacionamento difícil com eles. Seja qual for o caso, peço-lhes que orem de todo o coração pela felicidade deles.

Levantem-se com bravura por si sós e vivam vigorosamente com base na fé. Triunfem na juventude e vençam na vida com coragem e ousadia. Estudem com afinco, desenvolvam a mente e o corpo e sejam grandes líderes do kosen-rufu e da sociedade. Dar tudo de si agora, mesmo que implique uma luta árdua, é a melhor maneira de saldar a dívida de gratidão com os pais. Essa atitude sincera também fará o espírito de mestre e discípulo brilhar em sua vida.

Fonte:

Brasil Seikyo, ed. 2331, 16 jul. 2016, p. B1
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