Prova real vale mais que mil teorias
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Prova real vale mais que mil teorias

O diálogo caloroso e sincero transforma a dúvida em esperança

Extraído do romance Nova Revolução Humana (de autoria de Daisaku Ikeda), capítulo “Bravos Generais” [Yuushoo], partes 43 e 44, publicadas no jornal Seikyo Shimbun dias 3 e 4 de abril de 2013

Após conhecer o local em que seria construído o Auditório Takamatsu, Shin' ichi Yamamoto foi visitar a residência do casal Mizobuti. Era uma bela casa com cercado de bambu.

Yoshihiro Mizobuti era médico, tinha sua própria clínica. Era também responsável pelo Departamento de Médicos de Shikoku e responsável pela Divisão Sênior de Kagawa. Sua esposa, Shizue, era vice-orientadora de Shikoku e responsável-geral da Divisão Feminina de Kagawa. Quem iniciou a prática na Soka Gakkai foi Yoshihiro, em março de 1964.

Pessoa de bom coração, ele acabou assumindo uma dívida colossal devido à falta de pagamento de notas promissórias que havia endossado a pedido de um amigo. Foi tomado por total desconfiança com relação às pessoas e, em meio à angústia de como lidar com os credores, passou a ter insônia e ficou neurótico em estado grave.

O fato de não conseguir sequer curar a sua insônia apesar de ser médico o deixava ainda mais inconformado. Ao contar isso a um conhecido, este lhe falou do budismo — era membro da Soka Gakkai. No dia seguinte, ele foi apresentado ao líder de comunidade que abriu o Gosho e foi explanando para Yoshihiro de maneira convicta as causas da manifestação das doenças conforme a visão do budismo. O médico ficou atordoado.

— Este budismo elucida justamente o caminho para curar as doenças que a medicina não resolve! Tocado por essas palavras repletas de convicção, Yoshihiro decidiu ingressar para a Soka Gakkai.


Quando foi consagrar o Gohonzon em sua casa, alguns membros da Gakkai foram até lá para cumprimentá-lo. A esposa, Shizue, não sabia quem eram essas pessoas nem por que elas tinham ido até a casa deles. Com olhar desconfiado, observou a roupa delas — eram extremamente simples e os sapatos, surrados. Sentiu certa repulsa e achou melhor não se envolver. Nem sequer serviu chá para a visita.

Yoshihiro realizou gongyo com bastante seriedade, recitou daimoku e depois foi se deitar. De imediato ele pegou no sono e dormiu profundamente. Era a primeira vez em dois anos que conseguia dormir tão bem. No dia seguinte, acordou revigorado.


Essa experiência o fez despertar para a fé.

A chefe das enfermeiras da clínica de Yoshihiro perguntou à Shizue:

— Aconteceu algo com o Dr. Mizobuti ontem? Ele parece tão bem hoje!

Shizue não tinha nenhuma ideia do motivo dele estar bem. Por dormir em outro quarto, não sabia que seu marido tinha dormido profundamente.

Yoshihiro disse à esposa:

— Eu entrei para a Soka Gakkai.

A princípio ela pensou: “Deve ser alguma associação de pesquisa ligada à medicina”. Contudo, pouco tempo depois, soube que era uma entidade religiosa, e ficou chocada.

Yoshihiro, que com o tempo curou sua neurose, incentivou a esposa a se converter também. No fundo, ela sentia que este ensinamento parecia ter algo de diferente, mas como sua família era tradicionalmente ligada a um templo havia gerações, ficou com receio do que “os outros” poderiam falar. Ela não poupava críticas à Gakkai e, dizendo que todos tinham liberdade para escolher a sua religião, recusava-se terminantemente a se converter ao budismo. Yoshihiro falou:

— Não concordo com essa sua postura de criticar a Gakkai sem sequer conhecê-la direito. Desse jeito, é o seu caráter que será questionado.

Então Shizue decidiu se converter, embora não pretendesse praticar. Logo, uma líder da DF foi visitá-la. Shizue foi bastante clara:

— Eu só me converti ao budismo para não ficar chato para o meu marido. Não pretendo fazer prática nenhuma.

— Não importando o que a levou a se converter ao budismo, ao professar essa fé, sem falta conquistará benefícios. No budismo se ensina que: “Mesmo que tenha iniciado a prática sem despertar de fato para a fé, ao se ligar à correta percepção da sabedoria do Gohonzon, alcança benefícios. Assim, despertará de fato para a fé e atingirá a iluminação”.


— Mas o que é benefício?

— O que a senhora acha que poderia ser?

— Não seria ter vestimentas, alimentos e moradia?

— Sem dúvida, isso também é considerado benefício, mas não é só isso. Existem coisas muito mais importantes. É tornar-se alguém forte, que não se permite ser derrotado por nada. E alcançar uma condição de vida em que só o fato de estar vivo já é uma alegria imensurável. É viver uma existência repleta de júbilo e satisfação, em que se deseja verdadeiramente a felicidade das outras pessoas e ensinamos a elas o caminho infalível da felicidade.

As palavras “tornar-se alguém forte” tocaram o coração de Shizue. Ao ver seu marido assumindo uma dívida imensa simplesmente por ser uma boa pessoa, ela sentia uma grande insegurança em relação ao futuro: “O ser humano não tem como saber quando cairá na armadilha dos infortúnios. O futuro é totalmente incerto, é uma escuridão completa”.

É você quem define e determina tudo. É você quem tem de fazer brilhar fortemente a si próprio. A fé é justamente para isso. [...]

Yoshihiro e Shizue passaram a praticar o budismo com bastante seriedade. Então, os colegas médicos de Yoshihiro e os parentes começaram a agir contra a prática deles. Era uma época em que o preconceito e o erro de julgamento em relação à Soka Gakkai estavam fortemente enraizados.

A mãe de Shizue implorava à filha: “Por favor, pare imediatamente com essa prática. Não consigo nem andar aí fora de tanta vergonha!”.

No entanto, tendo visto com seus próprios olhos a gradativa melhora de seu marido Yoshihiro, Shizue não tinha dúvidas na fé.



Nota: Shin' ichi Yamamoto é pseudônimo do presidente Ikeda no romance Nova Revolução Humana.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.176, 20 maio 2013, p. A8

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