Quais os critérios para a escolha de um trabalho?
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Quais os critérios para a escolha de um trabalho?

Texto extraído e adaptado do discurso proferido na 90ª Reunião de Líderes da Soka Gakkai e 37ª Convenção da Divisão dos Estudantes, Tóquio, em 28 de junho de 1995. Publicado no Brasil Seikyo, ed. 2.331, 16 jul. 2016.

Preocupações relacionadas ao trabalho podem povoar a mente dos jovens. Podem se perguntar em que tipo de ocupação se enquadram melhor ou se o emprego atual é o mais certo para eles.

Eu tinha muitas dessas indagações quando jovem. Assim que entrei na editora de Toda sensei, comecei como editor de uma revista infantil. Era algo que sempre quis fazer, mas os negócios da empresa diminuíram e a publicação foi suspensa. Então, fui transferido para o tipo de trabalho do qual eu menos gostava, ligado a finanças. Além disso, houve um período em que nem recebi meu salário mensal. Quando o inverno chegou, não pude comprar um casaco. Mas nunca me queixei. Meu único desejo era superar a crise pela qual os negócios de Josei Toda estavam passando, e trabalhava obstinadamente com essa finalidade. Ele deu o seguinte conselho aos jovens que enfrentavam questões referentes ao trabalho:

Há três critérios para se escolher um trabalho: belo, benefício e bem. O ideal de todos é obter uma ocupação de que gostem (belo), que seja financeiramente estável (benefício) e com a qual possam contribuir para a sociedade (bem). Entretanto, o mundo real nem sempre é tão cômodo. Pouquíssimas pessoas encontram o trabalho dos seus sonhos desde o início. Na maioria dos casos, temos de realizar tarefas que jamais esperávamos fazer.1

Por exemplo, nosso trabalho pode nos proporcionar um sustento seguro, contribuir para a sociedade, e não ser algo que apreciemos ou que se ajuste de fato ao nosso temperamento. Ele nos oferece benefício e bem, mas não o belo. Ou podemos ter um ofício de que gostemos e que contribua para a sociedade, porém não nos provê dinheiro suficiente para nos sustentar. Possui o belo e o bem, mas não o benefício.

Nosso trabalho pode ser extremamente bem remunerado e agradável, e ainda assim ter um efeito negativo na sociedade. Há o benefício e o belo, mas o bem está ausente.

Como observamos, na verdade, pode ser difícil obter todos os três valores — belo, benefício e bem. Em especial, nos tempos adversos que estamos enfrentando na economia atualmente, torna-se cada vez mais difícil até mesmo encontrar um emprego.

O que devemos fazer então? Toda sensei recomendou: “Em épocas como esta, os jovens não devem desanimar. Simplesmente canalizem toda a sua energia no trabalho atual e sejam pessoas indispensáveis nesse local. Orando fervorosamente ao Gohonzon e continuando a se esforçar ao máximo, sem deixar que tarefas ou atribuições desagradáveis os intimidem, acabarão encontrando um trabalho que apreciem, proporcione segurança financeira e produza o bem para a sociedade. Esse é o benefício da fé. E isso não é tudo. Quando olharem para trás, perceberão que seu árduo esforço nesse trabalho muito longe de ser satisfatório não foi em vão, e que tudo se transformou num patrimônio valioso para vocês. Compreenderão que tudo tem um significado. Posso lhes assegurar isso por experiência própria. Nossa fé se expressa na vida e na sociedade. Esse é o poder do budismo”.2

 

Notas:

1. Traduzido do japonês. Extraído de uma explanação do presidente Josei Toda sobre o Sutra do Lótus, realizada no dia 18 de abril de 1953, para um grupo da Divisão dos Jovens que estudavam na Universidade de Tóquio.

2. Ibidem.

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