Ser empático é gostar de todo mundo?
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Ser empático é gostar de todo mundo?

O diálogo deve ser um caminho seguro para a empatia e o respeito entre as pessoas

Nos últimos tempos as divergências de opiniões e pontos de vista parecem impedir o diálogo e avanço em alguns âmbitos da sociedade. Mas existem maneiras mais sábias de ultrapassar essas questões, estruturas que não anulam a dignidade do outro porque ele é diferente ou pensa diferente de mim. 


A princípio você pode pensar que isso é impossível, afinal algumas pessoas parecem estar tomadas pela maldade e só tomam atitudes que prejudicam todos em volta. Mas te convidamos a refletir sobre isso usando o exemplo de uma figura bastante conhecida no budismo: o bodsatva Jamais Desprezar. 


Segundo as escrituras budistas, Jamais Desprezar compreendeu que desrespeitar alguém equivale a desrespeitar um buda e também a si próprio. Ele acreditava na natureza de buda presente na vida de todos os seres, e se curvava respeitosamente para cada um com quem se encontrasse. 


Em resposta a isso, analisando-se a partir da profunda perspectiva budista em relação à vida, a natureza de buda daquela pessoa também se curvava em reverência retribuindo ao gesto. Isso valia até mesmo para os arrogantes que despejavam insultos sobre ele e o atacavam com varas e pedras.


Em Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, Daishonin comenta: “Quando a pessoa olha para o espelho e se curva em reverência, a imagem refletida também faz o mesmo” (OTT, p. 165). Todas as formas de vida mantêm uma relação de mutua­lidade e interdependência. Se somos preciosos, então os outros também são. Ou melhor, somente quando reconhecemos e afirmamos o valor e a dignidade das pessoas, evidenciamos o brilho do nosso próprio valor e dignidade. Essa percepção compõe a base da coexistência harmoniosa.


Esse modo de pensar é o fundamento da genuína tolerância e oferece uma perspectiva alicerçada na fé nos seres humanos, pois não importando qual seja sua filosofia ou crença, todos possuem o potencial positivo de despertar para a verdade da dignidade da vida.


Nichiren Daishonin declara: “O coração de todos os ensinamentos que o Buda expôs ao longo de sua existência é o Sutra do Lótus, e o coração da prática desse sutra se encontra no capítulo [bodisatva] ‘Jamais Desprezar’. Qual o significado do profundo respeito que o bodisatva Jamais Desprezar sentia por todas as pessoas? O propósito do advento do buda Shakyamuni, o senhor dos ensinamentos, neste mundo reside em seu comportamento como ser humano” (CEND, v. II, p. 113).


Vamos nos esforçar para seguir o exemplo do bodisatva Jamais Desprezar, respeitando os outros da mesma maneira que ele fazia, com nossas ações e nosso comportamento. As diferenças não existem para serem tolhidas e sim para criarem uma rica vivência, onde a certeza de suas escolhas e alegria em ser quem você é, são os maiores motivos para acolher o diferente e conviver bem com ele.

Jamais Desprezar nos ensina uma grande lição de empatia, ao referenciarmos a humanidade presente em todas as vidas. Isso não significa que devemos gostar de todos, mas que todos são dignos de nosso respeito. 



Fonte: Brasil Seikyo, Edição 2387, 16/09/2017, pág. B4 / Encontro com o Mestre


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