Ser mais feliz a cada ano que passa!
  • ARTIGOS

Ser mais feliz a cada ano que passa!

O que determina se sentimos ou não a felicidade é resultado do que fazemos e da maneira como vivemos

Discurso proferido na 13ª Reunião Nacional de Líderes, realizada no Auditório Memorial Makiguchi em Hatioji, Tóquio, no dia 6 de dezembro de 2007, com a presença de representantes da SGI de quatorze países e territórios. Nessa atividade, Agnes Chan, cantora muito famosa no Japão e embaixadora da amizade do UNICEF, cantou duas canções cuja letra foi composta pelo presidente Ikeda sob o pseudônimo de Shin' ichi Yamamoto.


Pode ser que alguns de vocês estejam pensando: “O quê?! Ele já está falando do próximo ano?” [risos] Mas a vitória é doce e revigorante, portanto, vamos fazer com que o ano que vem seja de contínuas vitórias.


É importante que os líderes, especialmente os que possuem maiores responsabilidades, valorizem e cuidem sinceramente de nossos membros mais do que qualquer outra coisa. Por favor, nunca os menosprezem com arrogância, como se fossem seus superiores. Ao encontrar com eles, cumprimentem-os alegremente. Por favor, demonstrem com sinceridade sua gratidão pelos esforços deles. Despeçam-se deles com consideração após o término das reuniões. Essa atitude sincera e suas profundas orações pelo bem-estar de cada um tocará o coração deles, formando fortes laços de solidariedade em toda a organização.


Não há ninguém mais admirável que nossos membros que estão se empenhando incansavelmente pela Lei e pela felicidade dos outros. Devemos valorizar acima de tudo as pessoas que estão lutando ao máximo. Essa é a chave para que todos consigam extrair sua força interior incontáveis vezes. E era o “segredo” da vitória do Sr. Toda. As pessoas que sempre se devotam com seriedade a apoiar e a cuidar dos membros conquistam invariavelmente um extraordinário crescimento pessoal, ao passo que os indivíduos que se esquivam desses esforços sofrem a estagnação e a derrota. Como líderes de grande missão, por favor, empenhem-se para se tornarem pessoas cuja dignidade, cordialidade e caráter sejam admirados e respeitados pelos outros.


O último mês do ano

O mês de dezembro é tradicionalmente conhecido no Japão como shiwasu, palavra formada por dois caracteres chineses, shi, que significa “mestre” ou “professor”, e hasu (wasu), do verbo “correr”. Qual é a origem desse termo? A explicação mais corrente é a de que, de acordo com fontes dos séculos 9 e 10, no último mês do ano os mestres budistas (shi) costumavam percorrer (wasu) as casas dos leigos para recitarem-lhes os sutras. Como sucessores diretos de Nichiren Daishonin que se empenham incansavelmente para concretizar o kosen-rufu, vocês são também verdadeiros mestres budistas, pois estão sempre correndo para lá e para cá! [risos.] Dentre outras explicações sobre a origem do termo shiwasu está a de que se origina de uma frase que significa “o ano está acabando” ou uma outra que quer dizer “terminar tudo até o fim do ano”, mas a verdadeira origem é incerta. O que importa para nós é fazer de dezembro um mês em que declaremos com orgulho que vencemos em cada batalha, que realizamos tudo o que precisava ser feito e que fizemos o melhor durante cada dia do ano.


Certo ano, ao agradecer aos seus discípulos, o Sr. Toda disse: “Shiwasu significa literalmente ‘o mestre está correndo’. Sei que todos vocês são ocupados, mas eu estou correndo a toda velocidade. Por favor, façam o melhor em prol do kosen-rufu.” O Sr. Toda realmente corria a toda velocidade para o bem do kosen-rufu, assim como ele disse. Sei como ele se sentia. Eu também estou correndo a toda velocidade nos 365 dias do ano.


Não existe realização na vida de uma pessoa cujo coração tornou-se apático e estagnado. Vamos tomar o gongyo como exemplo. Após recitar o gongyo, vocês se sentem realizados. Embora fiquem tentados a deixar de fazer o gongyo, dizem para si mesmos que “É muito mais fácil!” e depois podem se sentir indispostos! [risos.] E poderíamos dizer o mesmo sobre os esforços para compartilhar com outras pessoas o Budismo de Daishonin ou para participar das atividades da Soka Gakkai. Com muita alegria e vigor, por favor, juntem-se a mim nessa corrida a toda velocidade em prol do nobre juramento do kosen-rufu e vamos assim dar os toques finais neste ano. Apesar de muitas vezes estarmos bem mais atarefados que os outros, também sentimos muito mais realização e satisfação. Uma vida assim é vitoriosa. A pessoa assim é admirável. Foi isso o que o Sr. Toda ensinou.


Continuar avançando

É claro que durante as férias de fim de ano é bom descansar e recarregar as baterias, mas é importante continuar a subir pelo digno caminho do autoaprimoramento por toda a vida.


O grande escritor russo Leon Tolstoi (1828–1920) cita estas palavras do escritor americano Henry David Thoreau (1817–1910): “A maior felicidade é quando no final do ano você se sente melhor do que no início”.1 Essas palavras também estão de acordo com o estilo de vida da Soka Gakkai. Conforme progredimos em nossa revolução humana, sentimos uma felicidade cada vez maior na vida a cada ano que passa. Vamos iniciar o novo ano com renovada determinação — algo que o Sr. Toda destacava como sendo de importância vital.


Gostaria agora de compartilhar algumas observações feitas pelo escritor suíço Carl Hilty (1833–1909), que também ficou famoso como jurista, político, filósofo e historiador, e autor de obras como Happiness: Essays on the Meaning of Life (Felicidade: Ensaios sobre o Significado da Vida) e For Sleepless Nights (Para as Noites de Insônia). Hilty inspirou muitas pessoas com seus escritos, especialmente os jovens. Ele atuou em vários campos da sociedade.


As pessoas de caráter genuíno sempre se esforçam por realizar uma contribuição positiva para a sociedade. Dinheiro, celebridade e coisas desse tipo oferecem apenas um tipo efêmero e transitório de felicidade. Mas a felicidade verdadeira e duradoura advém do ativo engajamento na sociedade, procurando contribuir para o bem-estar e o desenvolvimento de outras pessoas. O que determina se sentimos ou não a felicidade é resultado do que fazemos e da maneira como vivemos. Essa foi à conclusão de Sócrates e incontáveis outros grandes pensadores, tanto budistas como não-budistas. Quando nos dedicamos à felicidade de outras pessoas, nossa vida irradia a verdadeira realização interior. Creio que o papel da fé religiosa e da educação é ensinar às pessoas que esse é o verdadeiro propósito da vida.


Profundo comprometimento

Como jovem e lutador, advogado e professor universitário, Hilty dedicou-se a treinar e educar outras pessoas. Foi também como líder político com um profundo comprometimento espiritual, que apoiou as mulheres, defendendo seus direitos. Desfrutava amplo respeito e era aclamado como legislador de grande integridade e uma das cintilantes luzes do mundo político suíço da época.


Hilty escreveu as seguintes palavras: “Devemos avançar constantemente. Ficar parado é regredir sempre”.2 No momento em que paramos, imediatamente voltamos para trás, diz ele. Essas palavras estão de acordo com o espírito da Soka Gakkai e com o espírito do Budismo de Nichiren Daishonin — que é avançar sempre. O Sr. Toda costumava dizer: “Para ser bem direto, abandonar a prática da fé não significa simplesmente se afastar; é deixar de avançar, é não seguir em frente a partir de onde estão agora”.


Hilty também declarou: “A arrogância sempre se manifesta pouco antes da derrota”.3 A arrogância é a precursora da derrota. O arrogante cria sua própria queda e logo desaparece. É por isso que espero que vocês tomem muito cuidado para não permitirem que a arrogância fique enraizada em seu coração. Hilty disse ainda: “É realmente uma infelicidade quando ela [a riqueza] faz manifestar a arrogância, a inércia, a ociosidade, a avareza e a mesquinhez”.4 São palavras que devemos deixar sempre muito bem gravadas em nossa mente.


Hilty comentou também que “A Arrogância está sempre relacionada com a quantidade de estupidez”.5 Encontramos no Gosho estas palavras [do Grande Mestre Tiantai]: “Se a pessoa não tiver sabedoria, ficará cheia de arrogância”. As palavras de eminentes filósofos como Hilty destacam de forma brilhante a validade do pensamento budista.


Disposição, saúde e alegria

Durante a Segunda Guerra Mundial, o presidente fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, foi preso pelas insanas autoridades militares japonesas. Ao ser interrogado pela Polícia Especial, ele proclamou com toda a coragem sua perspectiva do kosen-rufu, declarando que, por meio dos ensinos do Budismo de Nichiren Daishonin todos os seres humanos conseguem atingir o estado de buda na presente forma. Isso está registrado nas transcrições do interrogatório.


E meu mestre Josei Toda, que dedicou a vida ao kosen-rufu de forma altruística, fez esta declaração pouco antes de falecer: “Sonhei que fui ao México”. Meu mestre desejava cruzar os mares e ir até outras terras.


Nossos primeiro e segundo presidentes desejaram concretizar o kosen-rufu mundial e eu, o terceiro presidente, garanti e concluí solidamente as bases para esse objetivo. Estamos agora no segundo ato do kosen-rufu mundial. Vamos avançar com alegria e felicidade, junto com nossos amigos do mundo inteiro.


Empreender esforços em prol do kosen-rufu faz com que sua saúde melhore; simplesmente ficar em casa na ociosidade, comendo e dormindo o tempo todo, pode ser prejudicial! [risos.] Vão para as reuniões e sinta a revigorante disposição que encontrarão lá. Ouçam os problemas de seus companheiros e incentivem-nos. Participando das atividades da Soka Gakkai, vocês irradiarão força e vitalidade.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 1.929, 1 mar. 2008, p. A3
TAGS:ARTIGOS

• comentários •

;