Significado de igualdade no budismo
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Significado de igualdade no budismo

Austregésilo de Athayde e Daisaku Ikeda dialogam sobre a importância do reconhecimento da dignidade da vida de cada pessoa para superar todos os tipos de discriminação na sociedade

Trecho extraído e adaptado de Diálogo: Direitos Humanos no Século 21, p. 126-127.1

IKEDA: A filosofia budista fundamenta-se numa lei básica que é universal a todas as pessoas, a todos os seres vivos e a todos os fe­nômenos. E essa lei forma a base do respeito absoluto à dignidade da vida. Aí está a raiz da dignidade e o universalismo dos direitos humanos.

Enquanto o cristianismo prega a igualdade das pessoas perante Deus, o pensamento sobre a igualdade no budismo tem origem no princípio de que todas as pessoas são dotadas naturalmente de uma lei universal em sua vida. Além disso, ao se darem conta de que a percepção dessa lei é aberta a todos os indivíduos, as pessoas despertam para a natureza real da igualdade. Esta lei universal é o prin­cípio de causa e efeito que sustenta todo o Universo.

Por essa razão, é uma lei que age infalivelmente na vida de todos os seres humanos. Esta lei, ou Darma, significa “aquele que susten­ta” ou “que carrega”.

No budismo, a palavra “igualdade”, que em sânscrito se diz sa­matha, abrange os significados de equidade, imparcialidade, mutualidade etc., além de estar acima do amor e do ódio, da simpatia ou da antipatia, indicando sua natureza universal.

Pela sabedoria que emerge da lei universal, os homens se tornam capazes de desafiar todas as espécies de discriminação que provêm das diferenças de etnia, raça, religião, costumes e até mesmo aque­las com raízes nos desejos mundanos e na agressão impulsiva.

ATHAYDE: Se não houvesse dentro do ser humano uma sensibili­dade para encarar o que é “santo”, não surgiria a raiz do pensamen­to acerca da dignidade humana. É nesse sentido que sinto uma forte simpatia pelo pensamento do budismo.

IKEDA: Quando observamos o mundo pela visão budista de igual­dade, encontramos o brilho da lei universal em todos os legados culturais e espirituais de qualquer raça ou etnia. Quando concen­tramos nossa visão nesse brilho, surge então o sentimento de ami­zade, bondade e confiança para proteger a dignidade mútua.

Com esse sentimento como eixo, nós nos tornamos capazes de compartilhar o sofrimento de outras pessoas e de lutar com elas para superá-lo. Este empenho pelos direitos mútuos é uma luta embasada na benevolência e na justiça que desenvolverá ainda mais a condição humana das pessoas.

Pelo fato de a lei básica do Universo estar dotada de universa­lismo e suprema dignidade, a luta pela igualdade, liberdade e bene­volência que nela se sustenta se torna também universal para toda a humanidade.

Nota:

1.    ATHAYDE, Austregésilo de; IKEDA, Daisaku. Diálogo: Direitos Humanos no Século 21. Tradução: Masato Ninomiya. 4 ed. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2018. p. 126-127.

 

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