Sol e terra – Sinfonia do desbravador
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Sol e terra – Sinfonia do desbravador

Trechos do diálogo do Dr. Ikeda com um dos 781 imigrantes japoneses que desembarcaram no Porto de Santos em 1908

  Presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, dialoga com Ryoichi Kodama,um dos primeiros japoneses a vir para o Brasil e SeikyoPost publica trechos dessa conversa. Confira!


DAISAKU IKEDA: No nosso primeiro encontro, fiquei muito surpreso com o seu semblante corado e radiante, nem parecia ter mais de 90 anos. Em seu alegre sorriso estava estampada a larga experiência de longos anos de vida. Fiquei profundamente emocionado ao imaginar as alegrias e o labor vividos na dramática jornada como desbravador da amizade nipo-brasileira. Sua presença ofusca até a beleza de uma atriz de cinema.


RYOICHI KODAMA: Fico muito lisonjeado com suas palavras. Quando visitei a sede do Seikyo Shimbun, em Tóquio, acompanhado de meu filho Raul, fui recepcionado tão calorosamente que tudo parecia um sonho. Não encontro palavras para expressar minha profunda gratidão.


IKEDA: Permita-me dizer que possuímos algo em comum: somos igualmente pessoas simples, sem adornos. E é justamente no meio delas que encontramos o verdadeiro drama da vida. Por esse motivo, meu sentimento é o de homenagear a sublime história de pessoas comuns que transcorre nos bastidores da sociedade humana.


KODAMA: Compreendi perfeitamente o propósito deste diálogo. Fico inteiramente à sua disposição. Tentarei responder a todas as suas perguntas.


IKEDA: Soube que “dar um jeitinho”é algo peculiar entre os brasileiros. Conheci um grande número de pessoas e pela minha experiência, posso dizer que aquelas que superaram as intempéries da vida são otimistas.


KODAMA: Foi em Pitangueira que minha esposa e eu contraímos malária. Por ser uma cidade ribeirinha, havia muito mosquito transmissor. A salvação foi que meus três filhos não foram infectados. Tivemos seis filhos e moramos em Pitangueira durante sete anos.


IKEDA: Além da malária, o senhor sofreu de alguma doença grave?


KODAMA: Nunca tive problemas de coração ou algo mais grave. Quando morava em São Paulo, voltei doente de uma viagem ao Rio de Janeiro. Senti-me tão mal que pensei que fosse morrer. Fiquei com medo e muito preocupado porque meus filhos eram pequenos. Os vizinhos até chamaram um médico para me examinar. Fiquei mais forte a partir dessa experiência e não tive mais medo das adversidades corriqueiras.


IKEDA: Quando jovem, fui acometido de tuberculose e os médicos me disseram que eu viveria somente até os 30 anos. Convivi praticamente com a morte. Graças a isso, senti quão maravilhoso é viver e fiquei sensível com a questão da dignidade da vida.


KODAMA: O ato de viver era para mim uma luta. Por isso, acumulei muitas experiências e me tornei mais forte, tolerante e paciente.


IKEDA: Ouvi falar que a paciência dos japoneses chamou a atenção dos brasileiros, que a consideraram uma virtude.


KODAMA: Os brasileiros costumam dizer, diante de uma situação agitada: “Calma! Calma! Tenha calma!”


IKEDA: O filósofo alemão Goethe (1749-1832), escreveu:


Quando não consigo mais suportar

Penso na poderosa persistência da Terra.

A Terra gira e gira todos os dias.

Ano após ano ela realiza a sua grande rotação.


Como posso buscar outra coisa?

Os seres humanos, da mesma forma que o planeta Terra, deveriam seguir pela órbita correta da vida sem se desviarem dela. As pessoas que vencem suas próprias fraquezas são as verdadeiras vitoriosas.


Fonte: 
Brasil Seikyo, ed. 2.151, 13 out. 2012, p. A3
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