Solução para os problemas globais
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Solução para os problemas globais

No trecho extraído e adaptado de Cidadania Planetária — Seus Valores, Suas Crenças e Suas Ações Podem Criar um Mundo Sustentável (p. 19-21), o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, e a futuróloga Hazel Henderson dialogam sobre a responsabilidade de todos para a edificação de um mundo de paz 

Ikeda: Os desejos têm sido a força motriz por trás do desenvolvimento da civilização moderna. Nós fizemos com que a natureza e a vida se tornassem um meio para um fim. Conforme a senhora — uma ativista cívica e escritora que atua para expandir os movimentos globais de cidadãos — tem desta­cado com frequência, a economia tradicional tem incentivado esse processo. Mas agora, no início do século 21, atingimos nossos limites. A busca egoística da felicidade surtiu um efeito contrário, trazendo o sofrimento, resultante dos problemas ambientais e tecnológicos, e levando à proliferação das armas de destruição em massa.

Quaisquer que sejam as soluções globais duradouras para esses desafios, devem ser iniciadas com o que podemos cha­mar de revolução humana individual. Isso significa que, em vez de ser absorvida pelo eu menor, que é o ego, cada pessoa deve reconhecer sua ligação com todas as formas de vida do cosmos. Com isso, podemos fugir da obsessão pela ganância, avançar por um caminho mais compassivo e criar a felicidade tanto para nós como para os outros. Tenho a con­vicção de que essa é a chave para criar uma nova civilização fundamentada na dignidade da vida.

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Nós, seres humanos, criamos nossos próprios problemas. Por isso, estou convicto de que conseguiremos solucioná-los. Exatamente como a senhora disse, enfrentamos montanhas de dificuldades — guerra e violência, opressão e pobreza, destruição ambiental e assim por diante. Devemos fazer do século 21 uma época em que os seres humanos solu­cionem seus problemas começando por reformar a si próprios.

A necessidade de realizar uma reforma interior nunca foi tão óbvia como nos ataques terroristas nos Estados Unidos, ocorridos em 11 de setembro de 2001. Inevitavelmente causados pelo ódio, os atos terroristas representam o cúmulo da desumanidade pela indiferença com que destroem a preciosa vida de tantas pessoas. São atos de um mal absoluto que não podem ser justificados de forma alguma, por maior que seja a causa.

Henderson: Fiquei extremamente chocada com os ataques em Nova York e em Washington. Os terroristas devem ser encontrados e investigados e os crimes contra a humanidade devem ser levados à justiça. Também devemos evitar os ataques militares de revide. O princípio do “olho por olho” pertence à história, e não ao século 21. Logo após os ataques, escrevi em um artigo que devemos buscar uma solução que não atraia mais violência terrorista nem sacrifique os mais pobres e inocentes. Defendi a realização de uma cúpula sobre terroris­mo, na qual as Nações Unidas teriam um papel de liderança, uma vez que são a única organização com um local grande o suficiente para acomodar todos os países.

Ikeda: Apesar de ser uma questão difícil, creio que a ma­neira como lidarmos com o mal absoluto, que são o terrorismo e a corrente de ódio e violência, irá nos proporcionar o critério que definirá o desenvolvimento do século 21.

As Nações Unidas realizaram intensos debates sobre o terrorismo durante mais de cinco dias, a partir de 1o de outubro de 2001. Pela primeira vez, as discussões nas Nações Unidas ficaram restritas a um único tema. Representantes de 167 países participaram das reuniões, o que reconfirmou a importância da ONU como um local para diálogos. Creio que os diálogos práticos entre as civilizações que abraçam a dimensão espiritual — a aproximação das pessoas que creem na benevolência da natureza humana e que desejam fazer a diferença — deveriam tratar do terrorismo e de muitos outros problemas.

Todos nós vivemos no mesmo planeta. Por isso, devemos empregar o diálogo para aprofundarmos a compreensão mú­tua e para redirecionarmos o vetor da história, mudando-o da confrontação para a coexistência pacífica e do isolamento para a solidariedade.

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