Tornem o lar em “castelo de felicidade”
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Tornem o lar em “castelo de felicidade”

O que permite cumprir um grande empreendimento é o trabalho discreto, constante e de forte perseverança

Tradução das partes 23, 24 e 25 do novo capítulo “Eterna Felicidade” do volume 29 da Nova Revolução Humana.


Capítulo: “Eterna Felicidade” Parte 23


Ao ser anunciada a letra de Haha no Kyoku [Canção das Mães], vozes de alegria e aplausos surgiram das integrantes da Divisão Feminina (DF), e não cessaram por um longo tempo. Quando enfim diminuíram, Shin’ichi disse:


— Compus manifestando do fundo do coração meu respeito às atividades promovidas dia e noite pela Divisão Feminina.


Uma salva de palmas ainda maior irrompeu.


Shin’ichi compôs a letra da canção na noite anterior à atividade. Naquele dia, ele havia dialogado com as coordenadoras da DF na Sede Feminina Soka (atual Centro Cultural Shinano).


Foi transmitida a situação das organizações que efervesciam com os relatos de benefícios e o aspecto das atividades da DF, que se empenhavam bravamente incentivando as amigas em meio às críticas insanas à Gakkai pelo clero. Nessa época, criou-­se­ o forte desejo de apresentar uma nova canção da divisão.


A DF havia decidido elaborar a nova canção comemorativa de inauguração da Sede Feminina Soka em junho daquele ano e já tinha uma proposta preparada por representantes, com o título Castelo das Mães.


Ao ver a proposta, Shin’ichi disse-lhes sua impressão:


— Canta-se que a Sede Feminina Soka é o “castelo das mães”, mas penso ser melhor evitar a expressão que limite o “castelo das mães” somente aqui. Existem milhões de membros da Divisão Feminina. No entanto, recebi a informação de que até agora só cerca de 60 mil puderam visitar a Sede Feminina Soka. Justamente pelo fato de a grande maioria dos membros da DF ainda não terem visto pessoalmente este local, não vão sentir que aqui é o “castelo das mães”. Pelo contrário, o “castelo das mães” não deveria ser seu próprio lar? Nichiren Daishonin afirma: “O local em que uma pessoa abraça e honra o Sutra do Lótus é o ‘local da prática’ para o qual a pessoa se dirige. Isso não significa que ela deixa o local atual e prossegue para algum outro. O ‘local da prática’ é onde os seres vivos dos dez mundos residem” (GZ, p. 781). Ou seja, o verdadeiro ensinamento do budismo é o que afirma que onde se empenha dia a dia na prática da fé é o “local da prática” em que se atinge a iluminação. Deve-se estabelecer a indestrutível felicidade no lugar onde se encontra agora, e transformar o lar na Terra da Luz Tranquila. As senhoras da Divisão Feminina possuem a missão de converter o lar em “castelo da felicidade” e em “castelo das mães”.


A verdadeira imagem da felicidade se encontra exatamente no nosso lar. (Parte 24)


No diálogo que estava sendo realizado na Sede Feminina Soka, as líderes da DF transmitiram a Shin’ichi Yamamoto seu forte desejo: “Se for possível, gostaríamos que sensei pudesse compor a letra...”.


Shin’ichi queria atender àquela solicitação.


Ele iniciou a composição da letra após retornar para casa às 22h30 daquele dia.


— Bem, vou compor a canção da Divisão Feminina. Você pode, por favor, anotar o que vou dizer?


Sua esposa, Mineko, veio voan­do com o caderno de anotações.


“Ao carregar suas crianças com o suor no rosto...”


Logo começou a declamar a letra, e os sentimentos foram verbalizados, palavra por palavra. A imagem da canção já estava formada em sua mente.


Ele queria deixar em um formato que relatasse a jornada pelo kosen-rufu de nobre vida das integrantes da Divisão Feminina.


Ao anotar o primeiro trecho, surgia no coração de Mineko o aspecto das senhoras que, na época primordial, carregando o filho nas costas e puxando pela mão as crianças pequenas, percorriam as casas para propagar o budismo e incentivar as companheiras.


Todas tinham a vida difícil. Havia também as que tinham marido doente, as que sofriam por desarmonia familiar e as que haviam perdido o cônjuge. Em meio a isso, as senhoras despertaram para a missão do remoto passado chamada kosen-rufu e se empenharam com tenacidade na recitação do daimoku e no shakubuku. Foram ridicularizadas pelos que estavam ao redor. Jogaram água e sal* nelas. Também sofreram com ofensas e palavrões.


Mas as mães Soka não foram derrotadas. Houve momentos em que, enxugando as lágrimas, respondiam com um sorriso, e assim envolveram a todos calorosamente, avançando com vigor no caminho do kosen-rufu. Em seu peito ardia orgulhosamente o sol da alegria, a vida pulsava com ânimo e o grande céu da esperança se expandia ilimitadamente.


Consta nos ditos sagrados: “Uma mulher que abraça o rei leão do Sutra do Lótus jamais teme quaisquer das bestas do inferno ou dos mundos dos espíritos famintos e dos animais” (GZ, p. 1316).


Então, as filhas que foram criadas por estas mães herdaram o bastão, tornando-se jovens integran­tes da DF que avançam com alegria e radiância no mesmo grande caminho da missão, entoando a melodia da felicidade.


Shin’ichi continuou imbuindo a letra com o supremo respeito e louvor às grandiosas mães Soka que vieram realizando árduos esforços.


Levantem-se todos os dias como um forte e brilhante sol! (Parte 25)


Inicialmente Shin’ichi Yamamoto definiu a primeira linha da segunda estrofe como “Ao proteger aquele castelo que ninguém sabe o nome”, e propositalmente utilizou o ideograma chinês [kanji] que significa “casa”, mas dando a interpretação de “castelo” na leitura.


Porém, repensou e, para transmitir que cada lar da forma atual é exatamente o “castelo da mãe”, seria melhor utilizar o kanji de “castelo” mesmo.


E representou cada membro da Divisão Feminina como “impassível sol”. O sol se ergue sem falta, tanto nos dias de tempo bom, de chuva ou de tempestade. Não importando o que aconteça, lança a calorosa luz para todos, cumprindo até o fim a missão com perseverança e em silêncio.


O que permite cumprir um grande empreendimento é o trabalho discreto, constante e de forte perseverança.


A canção entrou na terceira parte: “Ah, mãe, que supera destemidamente as tristezas”.


Aqui ele concebeu que a vida é a luta contra o árduo destino. A realidade é sempre de ventanias fortes e ondas furiosas. Não há vida de ventos favoráveis. Mesmo que observando de fora não consiga enxergar, todos possuem alguma preocupação séria ou lamuriam de sofrimento. As ondas furiosas da tormenta avançam uma após outra.


É exatamente por isso que deve recitar daimoku! É exatamente por isso que se desafia na realização do shakubuku! Devem despertar a grande vida dos bodisatvas da terra e do buda, e vencer superando a tudo de forma serena e inabalável, com um coração forte, imenso e rico.


É por ter um destino a transformar e sofrimentos a superar que se consegue comprovar o poder benéfico, a verdade e a grandiosidade do budismo. O destino é transformado em missão. Por isso, não existe sofrimento insuperável por meio da prática da fé.


Pode acontecer de o coração ser coberto pela nuvem escura da desilusão, devido aos fortes golpes de “chuva fria”. Mas não devemos nos esquecer de que hoje, e amanhã também, o sol nasce brilhando vividamente.


Como a Lei Mística que permeia o grande universo, deve se tornar o sol. Deve emanar os raios de glória, de vitória e de felicidade e, assim, iluminar a família e também a localidade e o futuro.


Shin’ichi continuou a ditar a letra da canção colocando o sentimento contido no coração e o brado de incentivos para as integrantes.


NOTA:


* Jogar sal: costume transmitido desde a antiguidade no Japão (originário do xintoísmo), em que se acredita que o sal seja purificador. Joga-se o sal, por exemplo, com o sentido de “não volte mais”, para visitantes indesejados.




Fonte:


Brasil Seikyo, ed. 2316, 19 mar. 2016, p. B3


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