Transformar a vida a partir da oração
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Transformar a vida a partir da oração

Discurso do presidente Ikeda extraído e adaptado da explanação sobre o escrito A Oração, publicado no jornal Seikyo Shimbun, em 22 de outubro de 1977.

Nichiren Daishonin afirma: “As orações oferecidas por um praticante do Sutra do Lótus serão respondidas assim como um eco acompanha um som, como uma sombra segue uma forma, como a Lua se reflete na água límpida, como o orvalho se condensa no espelho, como o ímã atrai o ferro, como o âmbar atrai as partículas de pó, ou como um espelho limpo reflete a cor de um objeto”.

Nesta passagem, Daishonin elucida que as orações de um devoto do Sutra do Lótus sempre serão respondidas. O exemplo de princípios e fenômenos da natureza como analogias demonstram sua firme convicção.

Assim como um eco acompanha um som e uma sombra segue uma forma, se os praticantes do Sutra do Lótus recitarem Nam-myoho-renge-kyo, suas orações infalivelmente se converterão em resultados positivos. Nichiren Daishonin ensina que por meio da oração nossa vida é transformada, espiritual e fisicamente. Essa transformação influencia de forma positiva o nosso ambiente.


Atualmente, muitas pessoas consideram a essência da vida como intangível, como algo além da nossa imaginação. Porém, se analisarmos os fatos da vida somente do ponto de vista material, nossa relação com as pessoas surgiriam, em grande parte, apenas do caos da aleatoriedade. A profunda visão budista, no entanto, discerne a Lei da vida mesmo em meio ao caos, tornando-se a força que ativa e eleva todos os fenômenos do nosso ser.

Nichiren Daishonin diz ainda: “Como a vida não passa de um momento, o Buda expôs os benefícios que advêm de um único momento de júbilo [ao ouvir o Sutra do Lótus]”. Assim como Daishonin afirma, “a vida não passa de um momento”, nosso foco deve ser a força que surge dentro de nós a cada momento crucial para nos apoiar e dar o norte fundamental da nossa vida. A oração — Nam-myoho-renge-kyo — é o único caminho que nos possibilita a enfrentar as desilusões presentes em nossa vida no nível mais fundamental. Dessa forma, afirmamos que a oração é a força motriz para se manter uma prática correta e tenaz. Não há nada tão insignificante quanto uma ação sem oração. Para aqueles que são negligentes na oração, as coisas podem parecer caminhar tranquilamente por um tempo, fazendo-os se sentir otimistas. Mas, quando se deparam com a adversidade, tendem a cair no desespero e sua vida fica frágil como uma árvore seca.


O caminho para escalar a montanha da vida não é uma linha reta, com erros e acertos. Às vezes, vencemos; outras vezes, perdemos. Cada passo que avançamos e cada curva que fazemos, crescemos um pouco mais. Nesse processo, a oração age como uma poderosa força que nos previne de nos tornar arrogantes e devastados pela derrota.

Por essa razão, não há ninguém tão forte quanto as pessoas que baseiam a vida na oração. Nossa forte e focada oração manifesta-se como a força da fé e da prática que ativa o poder do estado de buda e da Lei.

A oração provoca a mudança em nosso coração, no mais profundo âmago da nossa vida. Essa transformação interior não se limita apenas a nós, mas inspira os outros a fazer o mesmo. Da mesma forma, quando uma comunidade [sociedade] muda, a transformação não será limitada a ela; ou, uma simples onda é capaz de provocar o surgimento de inúmeras outras, a mudança de uma sociedade também provoca a transformação de outras.

Portanto, afirmo que o primeiro passo para tal transformação se resume em mudar o coração de um único indivíduo. Acredito que essa transformação se encontre no profundo significado da afirmação de Nichiren Daishonin: “Budismo é razão”.


Voltando à passagem do escrito A Oração, que estamos estudando, o “som”, a “forma” e a “água límpida” correspondem à nossa atitude durante a oração, enquanto o “eco”, a “sombra” e o “reflexo da Lua” correspondem à maneira natural como as orações são correspondidas. Assim como essas três analogias se referem ao fenômeno que surge de acordo com os princípios da natureza, as orações de um praticante do Sutra do Lótus com certeza serão respondidas de acordo com a grandiosa Lei da vida e conforme a razão.

A oração no Budismo de Nichiren Daishonin é livre de arrogância e presunção. O simples ato de sentar-se diante do Gohonzon e recitar Nam-myoho-renge-kyo nos faz transcender da sabedoria superficial e experiência limitada para nos tornar indivíduos embasados na Lei da vida e no ritmo da natureza e do universo, relevados por meio da sabedoria iluminada do Buda.

Sem colocar a própria autoestima para baixo, concentremos todas nossas ações num único momento da vida com uma firme e determinada oração, ao mesmo tempo em que recarregamos a energia de nossa vida para desfrutar de um infinito e vigoroso crescimento; uma vida de abundante saúde e plena realização.

Vamos orar ao Gohonzon com a determinação de encarar e transformar todos os problemas de nossa existência.


Jamais se esqueçam de que tudo se inicia a partir da oração. Se esquecermos disso e falhar em transformar a nossa vida, os discursos eloquentes e os argumentos críticos serão teoria sem fundamento, distantes sonhos e pura ilusão. Tanto a fé como o espírito da Soka Gakkai surgem da firme oração em querer mudar nossa realidade do presente momento.

No Budismo de Nichiren Daishonin, a oração por si só não é suficiente. Assim como uma flecha atirada ao seu alvo contém a força máxima do atirador, nossa oração também possui todos os nossos esforços e ações. A oração sem ação representa apenas um simples desejo e a ação sem oração não produz nenhum resultado.

Portanto, quero afirmar que a sublime oração surge de um sublime senso de responsabilidade. Aqueles que assumem a responsabilidade por todos os aspectos de sua vida e se empenham ao máximo, a oração sublime se tornará um hábito.



Fonte: BS, ed. 2.237, 2 ago. 2014, p. B1

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