Transformar condição financeira por meio da prática budista
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Transformar condição financeira por meio da prática budista

Num trecho do diálogo entre o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda e líderes do Departamento de Estudo do Budismo da Soka Gakkai do Japão, Katsuji Saito, Takanori Endo e Haruo Suda, publicado no livro Sabedoria do Sutra de Lótus, é relatada a emocionante história de uma família que, imersa na pobreza, iniciou a prática budista e passou a considerar a situação com alegria e como mola propulsora da felicidade.


SAITO: Soube da seguinte história de um casal que completou seu quadragésimo aniversário de prática do Budismo de Nichiren Daishonin.

Quando começaram a praticar (em 1956), eles eram incrivelmente pobres. Para fazerem a costumeira contribuição para receber o Gohonzon, tiveram de penhorar algumas roupas de seus filhos. Após entrarem para Soka Gakkai, receberam a orientação de que concretizando shakubuku eles acumulariam boa sorte. O casal, entusiasticamente, passou a apresentar o budismo a outras pessoas, inclusive a seus irmãos e parentes.

Inicialmente, eles supuseram que quando as pessoas ouvissem o que tinham a dizer, também começariam a praticar com alegria, mas acontecia justamente o contrário. As pessoas romperam relações com eles. Depois, o casal decidiu visitar pobres ou doentes, como eles próprios, para falar sobre o budismo. Mas, mesmo nas residências dessas pessoas, por várias vezes lhes atiravam sal (um gesto que significa “vá embora!”) ou jogavam água neles.

Eles eram uma família de cinco pessoas que viviam num pequeno cômodo alugado de uma casa. Porém, quando o proprietário descobriu que eram membros da Soka Gakkai, foram forçados a sair. Além de tudo isso, o casal sofria de cegueira noturna, provavelmente porque passava fome para poder alimentar os filhos.


ENDO: Cegueira noturna é um sintoma típico de desnutrição.


SAITO: Certa vez, após visitar um amigo para conversar sobre o budismo, a mãe voltou para casa sob forte chuva, carregando um filho nas costas e outro nos braços. Um motorista de ônibus gentilmente parou o veículo para eles subirem, embora não estivessem no ponto de ônibus, mas não puderam embarcar porque não tinham dinheiro para a passagem. Eles tiveram de andar mais de uma hora debaixo da chuva. Enquanto recitavam daimoku, a mãe pensava “um dia ainda voltarei de táxi para casa”.


SUDA: Ela deve ter sentido um desgosto muito grande por não poder aceitar a gentileza do motorista.


SAITO: O casal prosseguiu em seus esforços e conseguiu concretizar mais de 100 shakubuku. Um líder havia lhes dito que quanto maiores os sofrimentos das pessoas, maiores os benefícios que receberiam por meio da fé na Lei Mística. Não importando a pobreza, eles sempre se empenhavam ao máximo na fé. Como resultado, ficaram ricos. Abriram uma loja de alimentos com uma pequena quantia que haviam economizado e começaram a prosperar. Esse benefício os encheu de gratidão, o que os possibilitou a receber benefícios ainda maiores. Nesse sentido, a vida do casal desenvolveu-se rapidamente.

Hoje, além de administrarem suas próprias lojas, possuem uma enorme fábrica que distribui alimentos para todo o país. Eles relataram que possuem uma clientela de mais de 3.600 famílias e recebem novos pedidos diariamente. Construíram ampla residência com o forte desejo de usarem-na como local para reuniões de distrito. O espaço possui um estacionamento para sessenta carros e na frente está hasteada a bandeira da Soka Gakkai.


ENDO: Que magnífica prova real.


SAITO: “Nada é mais prazeroso do que as atividades da Gakkai!”– dizem eles com toda sinceridade. Houve um período em que não podiam fazer muitas atividades porque haviam sido encorajados a superarem suas dificuldades econômicas. Dessa época, eles comentam: “Nada foi mais doloroso. Trabalhar pelo kosen-rufu tem sido a nossa maior alegria."


SUDA: As atividades da Soka Gakkai têm como base o princípio de que “encontrar dificuldades é a própria paz”.


PRES. IKEDA: Conheço muito bem esse casal. Jamais me esquecerei daqueles que se empenham nos bastidores para apoiar a Soka Gakkai. Essas pessoas não se sobressaem no palco nem ocupam alta posição social. No entanto, mesmo passando por dificuldades particulares, apoiam silenciosamente a Soka Gakkai e, se empenham sinceramente pelo kosen-rufu e pelos seus companheiros. Vistos da perspectiva do budismo, ninguém é mais digno de respeito do que essas pessoas.

Desejo percorrer o mundo em busca dessas pessoas e dar-lhes o devido reconhecimento por seus esforços. Esses são os meus sinceros sentimentos.

Gostaria que as pessoas dissessem “Sou tão feliz por ser membro da SGI”, “Sou feliz por me empenhar tanto”! Este é o mundo da fé que quero criar. Embora tenhamos o princípio budista de que encontrar dificuldades é viver pacificamente, a menos que os líderes tenham o espírito de guiar todos os membros para atingir infalivelmente um estado de paz e felicidade, tudo isso não passará de teoria.

Desde a minha juventude tenho orado constantemente para desbravar um caminho de ilimitada esperança para a Soka Gakkai e para todos os membros.

Propague a Lei com sabedoria e com o espírito de não poupar a vida. Aquele que lê o Sutra do Lótus estará em qualquer ocasião livre de preocupações e ansiedades; e igualmente livre de doença e dor, e sua expressão será vigorosa e radiante.



Nota: Sabedoria do Sutra de Lótus é um livro publicado em seis volumes [No Brasil, foram publicados os volumes 1 e 2], em japonês e inglês, com extenso diálogo entre o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda e os líderes do Departamento de Estudo do Budismo da Soka Gakkai do Japão, Katsuji Saito, Takanori Endo e Haruo Suda.


Fonte: BS ed. 2.301, 28 nov. 2015, p. C4

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