Uma expressão extraordinária
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Uma expressão extraordinária

Ser capaz de sentir profunda gratidão pelas pessoas ao redor é prova da revolução humana. A gratidão acelera o processo de transformação interior

Texto extraído e adaptado do discurso proferido pelo presidente da Soka Gakkai, Dr. Daisaku Ikeda, extraído de um ensaio da série “A Vida é Maravilhosa”, publicado em japonês na edição do jornal Seikyo Shimbun de 29 de maio de 2004 e também no Brasil Seikyo, ed. 2.338, 3 set. 2016, p. A7.

“Muito obrigado” é uma expressão extraordinária. Ela nos enche de energia quando a expressamos aos outros e nos encoraja quando alguém a dirige a nós. Estou sempre dizendo “Obrigado”, de manhã à noite, todos os dias. Quando viajo ao exterior, é o vocábulo do idioma do país visitado que sempre aprendo e uso. Seja “Obrigado”, MerciDankeGraciasSpasiba ou Xie xie, canalizo meu coração, olhando nos olhos da pessoa ao externar minha consideração.

Quando ouvimos ou dizemos a palavra “obrigado”, removemos a armadura do coração e nos comunicamos em um nível profundo. “Obrigado” é a essência da não violência. Contém respeito pelo outro, humildade e uma profunda afirmação da vida. Possui otimismo, tem força. Uma pessoa que consegue dizer “obrigado” com sinceridade possui um espírito vigoroso e saudável; cada vez que dizemos essa palavra, nosso coração reluz e a energia da vida emerge de dentro de nós.

Ter gratidão e apreço por incontáveis pessoas e fatores que sustentam nossa vida — consciência, sentimento e alegria — atrairá uma felicidade ainda maior. Em vez de nos sentirmos gratos por estarmos felizes, é o fato de sermos gratos em si que nos fará feliz. Da mesma forma, orar com gratidão nos coloca em ritmo com o universo, direcionando nossa vida a um rumo positivo.

Quando nosso crescimento cessa, não somos capazes de dizer “obrigado”. Ao nos desenvolvermos, percebemos quanto os outros também são maravilhosos; mas ao pararmos de crescer, só vemos as falhas das pessoas.

Em casa, em vez de tentar mudar o parceiro ou os filhos conforme o seu gosto, por que não começar com um simples “Muito obrigado”?

Havia uma integrante da Divisão Feminina que sofrera de demência nos anos finais de sua vida, e não conseguia se lembrar nem mesmo do nome dos familiares. No entanto, quando o médico lhe perguntou qual tinha sido o momento mais feliz de sua vida, ela imediatamente respondeu: “Quando minha filha nasceu. Fiquei tão feliz!”. Ao ouvir isso, os olhos da filha, que estava em pé perto da mãe, se encheram de lágrimas. “Muito obrigada”, disse ela. “Obrigada, mamãe, é tudo o que eu precisava ouvir”.

A filha refletiu sobre como ela sempre estava repreendendo seu filho. “Sim”, pensou, “Como fiquei feliz quando ele nasceu!”. Contudo, com o passar dos anos, impelida pela idealização do que seria uma criança perfeita, ela tentou moldar seu filho para ajustá-lo ao seu modelo, priorizando apenas os pontos em que ele não satisfazia o seu ideal, atendo-se a apontar as falhas dele em um aspecto ou em outro. Ainda assim, a despeito de quanto era exigente, o filho tentava dar tudo de si para corresponder às expectativas dela. Ele era gentil com ela. Quando esses pensamentos lhe vieram à mente, um sentimento de imensa gratidão a invadiu. “Muito obrigada. Sou feliz simplesmente por você estar vivo e bem. Sou feliz só por você estar aqui ao meu lado. Muito obrigada”.

Ela passou a enxergar o filho com outros olhos e, de repente, possuía inúmeros motivos para ser grata e feliz. Afinal, embora fosse difícil tirá-lo da cama de manhã, ele acaba se levantando, mesmo que, às vezes, no último minuto. Isso, em si, já era algo surpreendente. Ele era um tanto “implicante” com a comida e podia não ser o primeiro aluno da classe, mas ela se sentia grata somente por ele ir para a escola com um belo sorriso no rosto a cada dia.

Sentia-se grata por tudo, mesmo quando nada de especial acontecia. Era grata a cada dia que passava com sua família bem e segura. Ela percebeu que não dar valor a tais fatos, considerando tudo muito natural, era sintoma de arrogância profunda e impregnada da própria vida dela.

De forma similar, há pessoas que, ao receber o diagnóstico de uma doença séria, percebem pela primeira vez quanto achavam normal ter saúde e que nunca valorizaram tudo o que tinham.

Espero que pelo menos de vez em quando olhem nos olhos de seu companheiro(a) e digam “Muito obrigado(a)”. Em vez de jantarem juntos em silêncio, aproveitem para expressar sua estima. No começo pode parecer um pouco embaraçoso, mas tentem e verão como isso transforma a vida.

 

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