Uma religião empoderadora
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Uma religião empoderadora

Chegou a hora de a religião da revolução humana florescer ainda mais para ajudar as pessoas

Publicado em janeiro de 2017 na revista Daibyakurenge.


Numa palestra intitulada “O Budismo Mahayana e o Século 21” que proferi na Universidade Harvard em setembro de 1993, propus as seguintes diretrizes como parâmetros para a religião humanista que nossa época busca.


A religião torna as pessoas mais fortes ou as enfraquece? Ela estimula o que há de bom ou de mal nelas? Essa religião as torna mais ou menos sábias?1


Essas perguntas são relevantes até hoje e mais importantes do que nunca.


Para nos tornarmos mais fortes, melhores e mais sábios, precisamos nos educar, nos aprimorar e, de fato, nos transformar. Em especial, como podemos desenvolver a força para não sermos derrotados por fraquezas como ganância desenfreada, tendência à arrogância, indolência, egoísmo, ou covardia e apatia diante das dificuldades?


A religião não conseguirá atender tais expectativas a menos que seja capaz de ajudar as pessoas a se desenvolverem e a se transformarem fundamentalmente, de modo que possam refletir com honestidade sobre si e combater a força que as puxa para baixo — um estado vil e miserável dominado pelos “três venenos” (avareza, ira e estupidez).2


É isso que faz a revolução humana ser tão importante. Chegou a hora de a religião da revolução humana florescer ainda mais amplamente, ajudando as pessoas a se tornarem mais fortes, melhores e mais sábias.


Em dezembro de determinado período, num momento em que estava refletindo sobre um desafio aparentemente impossível que enfrentaria no ano novo e me sentindo angustiado, Toda sensei, como se lesse meu pensamento, disse: “Daisaku, sofrimentos são inevitáveis na vida. Somente ao sofrer compreenderá a fé e se tornará alguém dotado de conteúdo”.


As adversidades que estamos vivenciando agora fazem parte da nossa prática budista para a nossa revolução humana. Não podemos nem precisamos nos tornar nada além de seres humanos. Nossa fé e prática budista existem para nos habilitar a crescer como pessoas e nos tornarmos seres humanos excelentes por meio de nosso sofrimento e esforços. Esse é o significado de revolução humana.


O Sr. Toda costumava dizer: “‘Sejam fortes!’. ‘Esta prática cria leões’”.


“Leão” é outro nome para Buda. Como o mestre é um rei leão, o discípulo deve se tornar um leão também. Não nos permitir ser derrotados por nada, lutar com o espírito de um leão — essa é a gloriosa essência da revolução humana na Soka Gakkai.


Enquanto estava exilado na Ilha de Sado, Nichiren Daishonin declarou como um herói espiritual: “Quando um mau governante, associado a sacerdotes que praticam ensinamentos errôneos, tenta destruir o ensinamento correto e eliminar um sábio, os que possuem o coração de um rei leão, sem dúvida, atingirão o estado de buda, assim como Nichiren, por exemplo”.


Heróis invencíveis que se levantam sozinhos com o espírito de um rei leão diante de todas as tempestades de adversidades “sem dúvida, atingirão o estado de buda”.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.387, 16 set. 2017, p. B4
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Notas:

1. Cf. IKEDA, Daisaku. Mahayana Buddhism and Twenty-first-Century Civilization [O Budismo Mahayana e a Civilização do Século 21]. New Humanism: The University Addresses of Daisaku Ikeda. Nova York: Weatherhill, 1995. p. 157.

2. “Três venenos” — avareza, ira e estupidez: Males fundamentais inerentes à vida, que originam o sofrimento humano. No Tratado sobre Grande Perfeição da Sabedoria do renomado estudioso do Mahayana, Nagarjuna, os três venenos são considerados a fonte de todas as ilusões e desejos mundanos. Os “três venenos” são denominados assim por contaminarem a vida das pessoas e operarem para impedir que elas voltem o coração e a mente para o bem.

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