Vamos acumular os tesouros do coração
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Vamos acumular os tesouros do coração

Fazer brilhar a própria vida e ajudar os outros a fazer o mesmo

Trecho do discurso do presidente Ikeda extraído e adaptado do livro A Sabedoria do Sutra do Lótus, v. 5, publicado em japonês em setembro de 1999.


Quando ajudamos os outros a se tornarem felizes, nós também nos tornamos felizes. Este é também um princípio da psicologia. Como aqueles que estão sofrendo nas profundezas da vida, a ponto de perder a vontade de viver, podem se reerguer novamente? Se eles meramente pensarem sempre em seus próprios problemas, irão se afundar ainda mais em seu desespero. Porém, o simples ato de ir ao encontro das outras pessoas que também estão sofrendo e oferecer-lhes apoio possibilita-lhes reaver a vontade de viver. A ação que tomamos pela preocupação com os outros nos permite fortalecer a nossa própria vida.


Há muitas pessoas que acreditam que trabalhar pelo bem-estar dos outros é, de alguma forma, uma causa perdida. Alguns até veem com desprezo a simples menção de caridade e benevolência. Tal arrogância e descaso pelas pessoas gera um grande sofrimento à sociedade.


Certa vez, um missionário perguntou a Mahatma Gandhi: “Que religião o senhor pratica e que tipo de religião o senhor acha que influenciará a Índia no futuro?”.


Havia duas pessoas enfermas na sala. Apontando para elas, Gandhi apenas respondeu: “Minha religião é servir às pessoas e trabalhar em prol delas. Não estou preocupado com o futuro”.


Para Gandhi, a política e o governo também deveriam servir às pessoas e, como disse o poeta indiano Rabindranath Tagore, devemos ajudar “o mais necessitado”.


Tudo se resume em ação

Em princípio, a prática altruística de um bodisatva é a essência da religião, do budismo, e também do governo e da educação. Nós temos uma grandiosa missão.


Daishonin declara: “Mais valioso que o tesouro do cofre é o tesouro do corpo, e o tesouro do coração é o mais valioso de todos”. A atitude de focar somente no “tesouro do cofre” — finanças ou economia — não melhorará a situação econômica. As coisas podem melhorar por algum tempo, mas isso definitivamente não contribuirá para o bem da sociedade. O mais importante são as pessoas, o coração. O coração é o que determina tudo. Quando possuímos o “tesouro do coração”, em que nossa vida transborda de boa sorte e sabedoria, naturalmente incorporamos o abundante “tesouro do corpo” e o “tesouro do cofre”.


O que restará quando nossa existência chegar ao fim? As memórias que estão profundamente gravadas em nossa vida.


Encontrei-me com o romancista russo Mikhail Sholokhov (1905–1984) quando visitei Moscou em 1974. Ele me disse: “Quanto mais tempo vivemos, mais difícil fica lembrar as experiências dolorosas. À medida que o tempo passa, as cores dos eventos em nossa vida vão enfraquecendo e tudo, os momentos mais alegres os mais tristes começam a desaparecer de nossa memória”. Após tomar fôlego, ele afirmou com um largo sorriso: “Quando o senhor chegar aos 70 anos, saberá que o que estou dizendo é verdade”. Suas palavras me transmitiram grande emoção.


Tudo passa. Tanto as inebriantes alegrias como os dilacerantes sofrimentos se desvanecem como um sonho. No entanto, gostaria de afirmar que a lembrança de termos vivido ao máximo a própria existência jamais desaparece. As lembranças de termos nos dedicado sinceramente ao kosen-rufu são especialmente eternas.


Tudo o que permanece e adorna a nossa vida no fim é o que fizemos ou a forma como contribuímos para o mundo durante a nossa existência, sabendo quantas pessoas ajudamos a se tornar felizes e quantas pessoas nos são gratas por termos ajudado a transformar a vida delas para melhor.


Fonte: 
Brasil Seikyo, ed. 2.254, 6 dez. 2014, p. B3
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