A doença como oportunidade
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A doença como oportunidade

Texto extraído e adaptado de uma entrevista do presidente Ikeda, com orientações para os jovens sobre a importância da saúde, concedida à equipe editorial do jornal Seikyo Shimbun, publicada em 26 jul. 2012 e no jornal Brasil Seikyo, ed. 2.147, 15 set. 2012, p. B1.

Coragem é a essência da fé

Seikyo Shimbun: Num dos registros do seu diário, quando o senhor tinha 22 anos, encontramos a seguinte passagem: “Estou mais cansado que nunca. Minha saúde piora cada vez mais”1 e “Estou perdendo peso. É visível. Jamais me renderei à maldade da doença”.2 Essa foi a primeira vez que os negócios do presidente Josei Toda entraram em declínio. No entanto, o senhor trabalhou incansavelmente e sozinho para melhorar a situação.

Daisaku Ikeda: O médico me desenganou dizendo que eu não viveria até os 30 anos. Por isso, dei tudo de mim todos os dias para não ter arrependimentos, considerando cada dia como o último.

Toda sensei se preocupava muito com a minha condição física. Certa vez, ele orou comigo em frente ao Gohonzon na sede da Soka Gakkai e me advertiu: “Sua energia vital é frágil. Se ela for frágil, você será derrotado pelos desafios”. Ele era um mestre que se importava com seu discípulo. Então, lutei com todas as forças para corresponder às suas expectativas.

Naquela época, lia as escrituras do buda Nichiren Daishonin nas horas vagas. Fazia diversas anotações em meu diário para gravá-las em meu coração. Uma delas era uma carta endereçada a Shijo Kingo e à sua esposa, Nichigen-nyo, que lamentavam e sofriam com a doença que a filha recém-nascida enfrentava.

“A espada é inútil nas mãos de um covarde. A poderosa espada do Sutra do Lótus deve ser manejada por alguém corajoso na fé. Então, essa pessoa será mais forte que um demônio armado com um cajado de ferro” (CEND, v. I, p. 431).

A essência da fé é a coragem. Como discípulo de Toda sensei, convoquei toda a minha coragem para lutar contra a maldade da doença e da morte. Ao mesmo tempo, orei com a decisão de extrair tudo de mim e usar a “poderosa espada” da fé para eliminar os obstáculos que obstruíam a Soka Gakkai e meu mestre.

Tenho a certeza de que Toda sensei ficaria impressionado e feliz em ver que ainda estou liderando o movimento pelo kosen-rufu com boa saúde e muita disposição. Esse é o resultado da minha incansável dedicação à batalha conjunta de mestre e discípulo para realizar o kosen-rufu. Foi ao me empenhar nessa luta que obtive o benefício de “prolongar a vida por meio da fé na Lei Mística”.

Ser saudável é superar tudo

SS: O fato de o senhor batalhar contra a doença e obter êxito em seus esforços sem precedentes pela paz, cultura e educação se tornou certamente o maior incentivo para os jovens que lutam contra a doença nas mesmas circunstâncias.

DI: Ninguém consegue escapar dos “quatro sofrimentos” — nascimento, envelhecimento, doença e morte. Nesse sentido, nossa vida é uma constante batalha contra a doença. Por isso, jamais devemos temê-la e muito menos negligenciá-la. É importante tomar medidas rápidas e práticas para prevenir surpresas.

Para outra discípula, cujo marido estava doente, Daishonin escreve: “Esta doença não poderia (...) ser um desígnio do Buda, uma vez que os sutras do Nirvana e Vimalakirti ensinam que a pessoa doente seguramente atingirá o estado de buda? A doença faz brotar a determinação de atingir o caminho” (WND, v. I, p. 937).

Podemos usar as dificuldades da doença como combustível para abastecer e fortalecer nossa fé, desenvolvendo uma condição de vida mais profunda. Com base na Lei Mística e na dimensão da eternidade, a batalha contra a doença é a provação que permite atingir a felicidade e a vitória.

A doença não significa que a pessoa não seja saudável; também não é definida pelos outros ou pela sociedade. A verdadeira saúde significa ter uma atitude positiva sobre a vida e um forte caráter que não é abalado por nada. Cada um de vocês possui uma missão importante e magnífica. Desejo que tenham esperança e sejam inspirados a viver ao máximo, sem arrependimentos.

Tornem-se verdadeiramente saudáveis e incentivem aqueles que sofrem com a doença.

Os sofrimentos de nascimento, envelhecimento, doença e morte podem ser transformados numa vida vitoriosa imbuída das “quatro virtudes” — eternidade, felicidade, verdadeiro eu e pureza. Esse é o propósito da vida Soka, ou seja, a criação de seres humanos de grande valor.

Oro diariamente com forte determinação para que vocês continuem vivendo dessa forma e desfrutem excelente saúde.

SS: Para muitos discípulos de Nichiren Daishonin, a doença era motivo de sofrimento. Por isso, ele lhes enviava diversas cartas de incentivos.

DI: Exatamente. Quando Nanjo Tokimitsu estava seriamente doente, Nichiren Daishonin juntou todas as suas força para redigir A Prova do Sutra do Lótus para incentivá-lo. Daishonin escreveu esta carta em fevereiro de 1282 e a endereçou a Nanjo Tokimitsu, um jovem samurai de 24 anos [na época, Daishonin também estava doente e viria a falecer oito meses depois]. Ele escreve: “Agora que parece estar pronto para atingir o estado de buda, é provável que o demônio celestial e os espíritos malignos estejam se valendo da enfermidade para intimidá-lo” (CEND, v. II, p. 376).

No mesmo período, houve a Perseguição de Atsuhara.Nanjo Tokimitsu mostrou seu forte e corajoso juramento [seigan] da fé. Ele não se abateu e protegeu seus companheiros de Atsuhara.

Doença não é sinônimo de derrota. Não ficamos doentes porque nossa fé é fraca. As dificuldades da doença que surgem quando decidimos realizar o kosen-rufu são simplesmente ações das forças maléficas que tentam nos impedir de manifestar o estado de buda. Não podemos deixar que a doença nos assuste, pois Daishonin nos ensina a evidenciar a coragem para enfrentá-la e atingir a iluminação nesta existência.

Quando nos deparamos com a doença, é importante fortalecermos nossa fé ainda mais. Por favor, continuem recitando Nam-myoho-renge-kyo com a determinação de fazer da doença uma oportunidade de comprovar o poder da fé e alcançar um verdadeiro e magnífico crescimento humano.

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Diário da Juventude: A Jornada de um Homem Dedicado a um Nobre Ideal. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2015. p. 40.

2. Ibidem.

3. A Perseguição de Atsuhara iniciou-se em 1278.

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