"A felicidade é uma arma quente"
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"A felicidade é uma arma quente"

A filosofia, a psicologia e a religião foram algumas áreas que expressaram seu interesse sobre o tema

O poeta e compositor brasileiro Belchior salienta em uma de suas canções a seguinte frase: “[...] a felicidade é uma arma quente [...]”. Para alguns, uma frase enigmática, mas que tenta expressar a visão do autor sobre a felicidade.


Mas afinal, o que é felicidade? É algo fácil de definir? Podemos afirmar que seu uso estaria fora de moda? Parece-me que não. Pelo contrário, nunca se falou tanto em felicidade. Nunca antes se escreveu tanto sobre o assunto e ao longo da história encontramos inúmeras definições sobre ela.


A filosofia, a psicologia e a religião, por exemplo, foram algumas áreas que expressaram seu interesse sobre o tema. Na própria filosofia ocidental o conceito, ao longo dos séculos, recebeu inúmeras definições. Por exemplo, Para Aristóteles – filósofo grego – a felicidade estaria relacionada ao equilíbrio e harmonia em praticar o bem. Para este filósofo, a melhor forma de ser feliz é pela virtude, cultivando boas virtudes e, com isso, se chegaria à felicidade. Para outro filósofo grego, Epicuro, a felicidade estaria vinculada à satisfação dos desejos, pois acreditava que a felicidade não provinha somente do mundo espiritual, mas tinha influência da dimensão terrena. O filósofo indiano Mahavira salientou que a não-violência era um aliado para atingir uma felicidade plena. (https://www.significados.com.br/felicidade/).


O filósofo alemão Nietzsche, um crítico da felicidade, apontou que a felicidade seria ter força vital, possuir um espírito de luta contra todos e quaisquer obstáculos que poderiam restringir a liberdade e a autoafirmação. Em outras palavras, ser feliz seria a capacidade de experimentar essa força vital por meio da superação das dificuldades encontradas ao longo da vida e criando formas diferentes de viver. (https://amenteemaravilhosa.com.br/filosofos-famosos-definem-felicidade/). E o Budismo Nichiren? O que ele tem a nos dizer sobre felicidade? Em um breve esboço tentarei estimular você a investigar mais a respeito da visão do budismo sobre felicidade.


Felicidade: um caminho para a liberdade

De forma geral, o Budismo Nichiren nos dirá que a felicidade é o propósito da vida e que o objetivo budista, por meio da prática da fé, é conquistá-la. Neste sentido, o ponto mais relevante que vamos encontrar nesta definição é em relação da gênese (origem) da felicidade. Ou seja, a felicidade que o budismo aponta não está relacionada com os fenômenos externos.


Dizendo de outra forma, ela não é determinada pelos acontecimentos ou dificuldades que passamos. Mas a sua origem e fonte se encontram no campo da energia vital, ou seja, do estado de vida. Vejamos mais sobre isso.


De maneira mais específica, o budismo aponta para duas formas de felicidade: a relativa e a absoluta. A primeira - felicidade relativa - salienta que a fonte da nossa felicidade é causada pelos acontecimentos externos. Assim, tanto a felicidade quanto o sofrimento têm na sua origem os fatores da vida, os fenômenos, os acontecimentos do dia-a-dia.


Como o próprio nome diz, este modo de vida, pautado no externo, produz felicidade relativa, pois está vinculada aos acontecimentos dinâmicos. Então, a felicidade fica à mercê desses acontecimentos, dando possibilidade para a infelicidade se manifestar.


No entanto, a felicidade absoluta tem outro caráter. Ela está vinculada ao estado de vida, a um juramento que produz energia vital. Como o juramento, ou a missão, é algo que não muda, atrelar a felicidade a ele é muito mais vantajoso. Vejamos:

Ikeda sensei aponta que “Quem possui a sabedoria e a energia vital da prática da fé direciona tudo para um rumo brilhante, positivo e encorajador. O praticante verdadeiramente sábio conduz a própria vida num ritmo de seguidas vitórias no mundo real e não apenas na teoria”. (Brasil Seikyo, ed. 2.362, 11 mar. 2017, p. C4).


Assim, a felicidade não é apenas um afeto, um sentimento, é também uma ação contra a maldade. Maldade esta que nos impede de sentir esperança de vença, que nos afasta do que produz energia vital como as reuniões, as visitas, a oração (daimoku e gongyo), e pior, nos afasta de nossa missão de levar convicção às outras pessoas (shakubuku).


O Mestre ainda salienta: “A felicidade brilha num estado de vida capaz de superar qualquer forma de dificuldade ou sofrimento e transformá-la em alegria. Esse é um estado de realização genuína. É a capacidade de avançar continuamente, sempre criando valor, sem jamais se deixar intimidar pela adversidade. O budismo nos permite alcançar uma vida melhor, uma existência de completa satisfação, enquanto acumulamos o tesouro do coração que durará para sempre”. (Terceira Civilização, ed. 583, 18 mar. 2017, p. 18).


Felicidade absoluta é produzida pela crença de que, seja qual for a situação, vou transformá-la, pois não há oração sem resposta. À partir dessa postura gerada pela fé, manifestamos a ação mais nobre de um buda, que é levar esta fé para as pessoas, criando uma onda de alegria em nosso ambiente. É este nobre ato que faz vencer a maldade; é transmitir para as pessoas que estão sofrendo a nossa convicção na prática. Expansão é difundir a minha fé, a minha felicidade absoluta, a minha convicção no budismo, a minha gratidão ao Mestre.


E, ele assegura: “Feliz é aquele que diante das dificuldades não se abala, mantém uma fé inabalável, manifesta a certeza de que tudo irá resolver, mesmo parecendo impossível. Felicidade é a ação de continuar diante de tudo, superar os medos e as incertezas causados pela ilusão de que não tem jeito. Ser feliz é ser buda, é ser discípulo, é vencer para comprovar a veracidade da prática budista. Feliz é aquele que nunca deixa de encorajar as pessoas mesmo diante de grandes adversidades. Ser feliz é a ação que supera a maldade!”. (Brasil Seikyo, ed. 2415, 14 abr. 2018, p. B4)


Complemento com as palavras libertadoras de Toda sensei: “A fé no Nam-myho-renge-kyo significa avanço, ilimitado avanço. Pela manhã, penso sobre o crescimento que atingirei no dia que me aguarda, e com todo o meu ser desfruto esse dia. Dessa maneira, avanço ilimitadamente... A lei nos permite a alçar voo cada vez mais alto, cada vez mais longe”. (Brasil Seikyo, ed. 2.406, 3 fev. 2018, p. B2).


E por fim, ao falar de seu mestre, Ikeda sensei descreve: “Ele estava completamente tomado por uma convicção inabalável: 'Hoje vou conquistar um enorme desenvolvimento. Viverei com vigor. Viverei com alegria. A fé – o Nam-myoho-renge-kyo – nos capacita a alcançar um infinito avanço'. Esse era seu espírito”. (Brasil Seikyo, ed. 2.406, 3 fev. 2018, p. B2).


Vamos ser felizes!

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Renato de Freitas Nunes, tem 37 anos, é psicólogo. Na BSGI é secretário do grupo Flor de Lótus e responsável pelas 5 divisões do Distrito Cristália; RM Ipiranga; Coordenadoria Norte-Sul; Coordenadoria-Geral do Estado de São Paulo. É colaborador do Núcleo de Orientação Social da BSGI (NOS). Pratica o budismo há 32 anos.

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