A força de uma mulher como ponto primordial da vitória na família
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A força de uma mulher como ponto primordial da vitória na família

Recitar Nam-myoho-renge-kyo é a fonte para manifestarmos sabedoria e boa sorte nos momentos cruciais

Lidia Queiroz, casada, 55 anos. Pratica o budismo há 42 anos.

Seikyo Post: Quando você teve o seu primeiro contato com o Budismo de Nichiren Daishonin?

Lidia: Foi aos 11 anos, na década de 1970. Na época, meu pai tinha saído de casa e constituído uma nova família. Minha mãe sofria muito por ele ser alcoólatra e não aceitava o fato dele ter ido embora. Revoltada com a doutrina que seguia, começou a procurar outras religiões. Vendo todo esse sofrimento, uma vizinha nos falou sobre o budismo e nos convidou para uma reunião de palestra.

Seikyo Post: O que motivou sua mãe a se tornar membro?

Lidia: Durante aquela atividade, minha mãe se sentiu à vontade para expor o problema. Ela perguntou se a prática dessa religião traria o marido de volta. Foi a determinação na resposta de uma veterana que tocou seu coração. Essa veterana respondeu dizendo que não sabia se ele voltaria ou não, mas disse convictamente que recitando Nam-myoho-renge-kyo minha mãe seria uma pessoa muito mais feliz. 

Seikyo Post: Você também acompanhou sua mãe na prática?

Lidia: A mudança na postura da minha mãe fez com eu também sentisse vontade de praticar o budismo. Me lembro de quando estava com 13 anos e participava de todas as reuniões que podia. Estive no festival promovido pela BSGI em 1974 e no festival em Brasília, em 1975, junto com minha mãe.

Seikyo Post: Superando esta questão familiar, quais foram os desafios que você enfrentou na juventude?

Lidia: Nessa época eu me afastei da organização e conheci um rapaz. Pouco tempo depois engravidei. Decidimos nos casar, mas com o passar do tempo nos decepcionamos um com o outro. Me sentia vivenciando os mesmos problemas que minha mãe. Assim como meu pai, meu marido bebia muito e me agredia verbal e fisicamente.

Então resolvi dar um basta na situação e retomei a prática budista. Firme na prática, meu marido decidiu se converter ao budismo e nossa vida começou a entrar nos eixos. Fiz novos planos, e um dos meus objetivos era ser mãe novamente, porque depois de Daniela (primeiro bebê) tive três abortos espontâneos. Engravidei e depois de uma difícil gestação, tive meu segundo filho, Thiago, que nasceu prematuro e não havia garantias de que sobreviveria. Contudo, determinamos que ele seria um grande valor para o kosen-rufu, e hoje está com 34 anos.

Oito meses após o nascimento do Thiago, minha mãe faleceu lutando contra um câncer de pulmão e seis meses depois meu pai também veio a falecer. Mas pude compreender que a sua missão foi ser o agente positivo que nos permitiu conhecer o budismo.

Seikyo Post: Algum tempo depois você engravidou do seu terceiro filho, como foi?

Lidia: Quando conquistei o sonho de comprar uma casa em que as atividades da BSGI pudessem ser realizadas, meu marido teve uma recaída, passando a beber outra vez. E nesse mesmo período engravidei do Kaique. Tive uma gravidez tranquila, que me permitiu continuar minha luta. Em paralelo a isso, a harmonia se estabeleceu na família. Porém, quando o bebê nasceu, meu marido foi demitido da empresa onde trabalhava e com a descoberta da pancreatite, passou mais tempo em hospitais do que em casa. Com tudo isso, a situação financeira se agravou. Porém a família permaneceu unida.

O que me inspirou foi um incentivo do presidente Ikeda para vencer tal situação, que diz: “Quando recitamos daimoku todos os nossos problemas e sofrimentos se transformam em energia para a felicidade, em combustível para nosso desenvolvimento.”

Não nos deixamos ser derrotados. Consegui um emprego e meu marido passou por uma cirurgia e se recuperou, voltando a trabalhar. Hoje, meu marido faz acompanhamento médico para manter sua doença estabilizada. 

Seikyo Post: E os seus filhos?

Lidia: Minha filha, Daniela, se casou e me proporcionou uma das grandes alegrias da vida: ser avó. Thiago manifestou depressão a ponto de pensar em tirar a própria vida. Com muito daimoku, acompanhamento médico e apoio dos companheiros da BSGI e dos amigos, ele está 100% melhor. E Kaique se envolveu com álcool e drogas. Estava cada vez mais distante, chegava em casa alcoolizado e algumas vezes drogado. Recitamos daimoku para que ele se livrasse disso naturalmente. Ele reatou um namoro e voltou a ser o menino de antes.

Seikyo Post: Porque o ano de 2015 foi significativo para você e sua família? 

Lidia: Uma nova crise financeira fez com que a família se unisse ainda mais. Devido às dividas, nossa casa foi vendida em um leilão. A qualquer momento poderíamos ser despejados. Mas como não há oração sem resposta, conseguimos regularizar os documentos da casa, entramos em em contato com o advogado do novo proprietário e começamos uma negociação. Contratamos uma nova advogada, fizemos todos os trâmites e recuperamos nossa casa.

Com essa história da casa achei que já tinha conquistado minha grande vitória do ano. Porém, uma amiga e eu saímos sem ferimentos de um acidente em que um ônibus bateu violentamente contra nosso carro. Meses depois, soubemos que minha filha, que estava grávida de gêmeos, devido a complicações na gestação, passou por uma cirurgia de risco e perdeu os bebês. Pudemos compreender a missão deles e manifestar-lhes nossa gratidão.

Posso afirmar com convicção que recitar Nam-myoho-renge-kyo é a fonte para manifestarmos sabedoria e boa sorte nos momentos cruciais. Eu vivenciei muitas e muitas vezes isso em minha vida. Quero intensificar a minha prática a cada dia com a certeza de que sempre vencerei em todos os aspectos!

Fonte:

Brasil Seikyo, ed. 2306, 16 jan. 2016, p. A4
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