A paz começa com as mulheres
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A paz começa com as mulheres

Daisaku Ikeda aborda sobre a característica singular das mulheres de amar e proteger os filhos bem como toda a humanidade no trecho extraído e adaptado do livro Flores da Felicidade, v. 1, p. 24-27.

Há uma mãe na Alemanha que viveu na mesma época do nosso mestre fundador Tsunesaburo Makiguchi: é uma gravurista chamada Käthe Kollwitz (1867–1945). Ela perdeu seu amado filho na Primeira Guerra Mundial. Na Segunda Guerra Mundial, ela perdeu um neto. E, suportando a pressão dos nazistas, ela própria, ao final de sua vida, empenhou-se na criação de suas obras.

Nas obras produzidas depois da morte de seu filho, há muitas que retratam “mães” e “mães e filhos”: uma mãe que tenta proteger seu filho de algo abraçando-o com seus longos braços, uma mãe que abraça firmemente o falecido filho e mães que se unem, protegendo-se e abraçando-se mutuamente e, entre o abraçar entrelaçado delas, vê-se o rosto de crianças. No desenho que ilustra uma mulher protegendo as frágeis crianças sob seus braços, consta o título “Não transforme a semente em pó”.

“Quero proteger o meu filho!”. “Não quero enviá-lo a uma guerra cruel!”. Esse grito é o desejo de todas as mães de proteger os filhos, que são as sementes da sucessão.

Ela afirmou: “A tristeza comum é algo que aprofunda a compreensão mútua”. A empatia de “sofrer juntos” é a base da rede de solidariedade de respeito à vida formada pelas mães.

O grande escritor chinês Lu Xun também enxergava a batalha do “amor da mãe benevolente” nas obras de Käthe Kollwitz e a admirava com muito respeito.

As obras de Kollwitz cristalizaram os gritos das mães e se tornaram uma arte ao unir o desejo das pessoas pela paz.

Minha mãe foi comunicada da morte de meu irmão mais velho nos campos de batalha dois anos após o término da guerra. Jamais vou me esquecer da cena triste de minha mãe no canto do quarto segurando firme o comunicado de falecimento com suas pequenas costas a tremer.

Penso que, naquele momento, minha mãe segurava seu filho em seus braços.

O amor de uma mãe é por demais profundo. Nós somos absolutamente contrários à guerra e a todos os tipos de violência que fazem uma mãe sofrer e entristecer e extirpam o futuro de seus filhos.

Não posso deixar de clamar que a paz do mundo e a felicidade da humanidade começam com o ato de prezar as mães, manifestando-lhes a mais sincera gratidão.

(...)

Há cerca de meio século, a força da mulher foi realmente importante no movimento pelos direitos civis dos Estados Unidos, que aprimorou sua democracia e aboliu a discriminação dos negros. O historiador Vincent Harding, com quem mantive um diálogo, lembrou que as mulheres se tornaram a figura central do movimento de libertação por terem conduzido suas ações nas atividades comunitárias de base.

As mulheres foram a força motriz desse dedicado movimento atuando na linha de frente, dialogando com as pessoas e convencendo-as com persistência, uma após outra. O Dr. Harding dizia que se não houvesse esse movimento “pé no chão” das mulheres, é provável que as pessoas não teriam se reunido nos encontros e nas manifestações e nada teria avançado.

O Dr. Harding enfatizava ainda: “É importante o mútuo encorajamento para se criar uma nova realidade, manifestando em voz alta que ‘nós somos capazes’”. Como estratégia, ele propunha a ação concreta de ouvir a experiência um do outro. A razão disso é que, ao compartilhar as experiências, pode-se gerar uma onda de encorajamento na comunidade local. Além disso, é possível que essa onda se espalhe para outras localidades.

(...)

Com a voz repleta de esperança e convicção e as ações imbuídas de sinceridade e empatia, vamos possibilitar que o caloroso brilho do sol de confiança e respeito emane pela fria sociedade caracterizada pela total indiferença.

 

 

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