A restauração da cultura da palavra impressa
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A restauração da cultura da palavra impressa

A escrita existe em prol do desenvolvimento das pessoas

Trechos do ensaio “O Bailar das Mães – Ao se Ler Bons Livros, o Coração Será Cultivado”


As atividades diárias da Soka Gakkai estão imbuídas da tradição do aprendizado mútuo.


Superando gerações, os associados da Soka Gakkai Internacional (SGI) são pessoas dedicadas ao estudo. Estuda-se o Gosho também nas reuniões de palestra promovidas todos os meses. Lê-se, ouve-se e se aprende com todo o empenho nas diversas atividades realizadas.


O budismo é uma filosofia e ela “está viva”. “Todos os fenômenos pertencem à lei budista” – as questões individuais, bem como os fenômenos do mundo. Todas as coisas são budismo, assim se compreende o Budismo Nichiren.


Por isso, vamos estudar também os romances. Vamos estudar Tolstói, Goethe e Victor Hugo. Conheçamos sobre política, economia, cultura e música. E a partir dessa ação, vamos assimilar “as diversas sabedorias da vida” – essa é a forma de viver de um verdadeiro praticante budista. Aí também reside a força da Soka Gakkai que, de fato, é uma “sociedade de aprendizagem”.


É por ler as palavras impressas que o cérebro é treinado pela primeira vez e que se adquire capacidade crítica. Apenas assistir televisão é ser passivo, pois há muitas cenas escritas para iludir. “Textos falsos” são fabricados como se fossem fatos. É necessário restaurar os “textos verdadeiros” que surgem do fundo do coração das pessoas.


Vivi o período da adolescência numa época caótica em que havia enfim terminada a Guerra do Pacífico. Nós, jovens que tínhamos sido afastados dos estudos durante a guerra, não conseguíamos conter a busca por novos conhecimentos como se precisássemos saciar a fome.


Havia na minha vizinhança um grupo de leitura formado por jovens do qual eu participava. Emprestávamos e pegávamos emprestados os escassos livros uns dos outros. Eu tinha os livros como um bem maior, e em meio à vida de pobreza, zelava por eles como meus mais valiosos bens. Na estante do meu quarto, eram os livros de literatura que ocupavam maior espaço, mas também havia periódicos de diversas épocas e locais.

“Quero estabelecer uma profunda a visão de vida” – era meu ardente desejo naquele período.


Aprender com as experiências compartilhadas

Meu venerado mestre me perguntava praticamente todos os dias: “O que está lendo agora?” Sinto que, mais que uma simples pergunta, essa continha a rigorosidade de um inquérito.


Toda sensei treinou cada pessoa contando suas impressões, respondendo cuidadosamente às perguntas e também aconselhando particularmente. Eram abordadas diversas situações e fatos da vida.


As experiências que uma pessoa pode ter na vida são limitadas. No entanto, através dos livros podemos aprender com as experiências compartilhadas pelos outros. Pode-se dizer que pela leitura é possível conhecer a profundidade da vida e a amplitude da sociedade, refletir fortemente sobre o ser humano e cultivar um olhar que contemple a sociedade. É desnecessário dizer que os jovens da Gakkai se desenvolvem velozmente a cada estudo realizado.


A leitura é a fortuna de uma vida, um insubstituível nutriente da alma e a base de todos os estudos. Não é possível expandir uma visão de mundo, assim como não se desenvolve a capacidade de raciocínio sem que se tenha a capacidade de leitura. Além disso, o bom futuro nasce justamente por se aprender sobre o bom passado.


Fonte: 
Brasil Seikyo, ed. 2.447, 8 dez. 2018, p. B3-B4
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