Além do vísivel existe o estado de buda
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Além do vísivel existe o estado de buda

Todas as pessoas, indistintamente, são dignas de respeito, pois são igualmente dotadas deste mesmo potencial de buda

Uma das parábolas contidas no Sutra do Lótus, compilação dos ensinamentos de Shakyamuni, relata a história de uma menina, filha do rei dragão. Na parábola, a menina possuía o corpo metade humano e metade animal e era uma criança de oito anos. De acordo com os ensinamentos da época, ela estaria longe de alcançar a condição de máxima sabedoria exposta no budismo, o que denominamos iluminação. No entanto, ao ouvir os ensinamentos budistas, ela promete salvar as pessoas do sofrimento e, assim, atinge naturalmente essa condição.


Na Proposta de Paz 2016, o presidente Ikeda reflete sobre essa parábola, afirmando: “Cumprindo fielmente a sua promessa, a jovem, que conforme a concepção popular da época era considerada a mais distante da possibilidade de iluminação, provocou uma reação em cadeia de alegria, provando de forma inspiradora o princípio de que todos os seres vivos podem atingir o caminho do buda.” (Terceira Civilização, ed. 573, p. 18)


Essa parábola nos ensina, a partir do exemplo de uma mulher, que todas as pessoas possuem um potencial ilimitado de sabedoria dentro de si, ou seja, possuem o estado de buda. Assim, aprendemos que todas as pessoas, indistintamente, são dignas de respeito, pois são igualmente dotadas deste mesmo potencial de buda.


Essa visão se confronta com a realidade que observamos quando o outro deve se assemelhar a nós para que haja um sentimento de empatia. Diversidade cultural, grupos minoritários e classes sociais são aspectos que tornam os indivíduos diferentes entre si. Muitas vezes, esses aspectos são vistos com mais importância para os indivíduos do que o simples fato de que somos todos seres humanos.


Atualmente, dentro da BSGI tenho a oportunidade de viajar para diversos cantos do país e conhecer jovens com histórias de vida completamente diferentes, que praticam o budismo com o intuito de transformarem o seu destino e se tornarem absolutamente felizes. Elas desafiam duras realidades e enxergam um futuro de esperança a partir da prática do budismo. Ao encontrar com essas jovens, tão diferentes entre si, reforço a convicção contida no Sutra do Lótus ao relatar a história da menina dragão, de que todas as pessoas possuem um potencial ilimitado de sabedoria, coragem e força, independentemente do aspecto visível.


Sendo assim, o budismo nos permite exercitar o respeito à diversidade, que é, em essência, respeitar a pessoa que se encontra à sua frente. Os esforços do presidente Ikeda, bem como de cada um dos membros da SGI, são de não julgar pela aparência atual, mas incentivar cada pessoa a viver com base na dignidade inerente à sua vida. Ao praticar esse respeito, ampliamos nossa visão de mundo e contribuímos verdadeiramente com uma sociedade mais humana.


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Monique Tiezzi den Hartog é internacionalista. É coordenadora da Divisão Feminina de Jovens da BSGI; faz parte da Coordenadoria Geral do Estado de São Paulo; Coordenadoria Norte-Sul Paulista. É associada da BSGI desde que nasceu.

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