Amizade que conduz à paz
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Amizade que conduz à paz

No texto a seguir, extraído e adaptado do livro Juventude: Sonhos e Esperanças v. 2, p. 55-68, Daisaku Ikeda enfatiza por que a amizade pode se tornar o primeiro passo para a edificação da paz

O budismo ensina que devemos nos associar a bons amigos. Isso quer dizer que precisamos ser cuidadosos ao escolher as pessoas para termos como amigos e modelos.

E devemos também nos afastar das más companhias. Consta numa escritura budista que, de dez pessoas boas que se ligam a más companhias, três a cinco acabam influenciadas pela maldade. Essa escritura afirma que devemos censurar comportamentos errados e destrutivos.1

Quando dizemos a uma pessoa que suas ações causam mágoa e sofrimento aos outros, conseguimos pedir-lhe que passe a seguir uma direção mais positiva. Nossa honestidade pode abrir o caminho para criarmos profundos laços de sincera amizade. Ou seja, é bem possível que um “mau” amigo se torne um “bom” amigo.

Também há casos em que uma amizade começa de forma casual, com duas pessoas simplesmente conversando. Então, acontece de um dia elas tentarem alcançar um mesmo objetivo juntas. Assim, essas pessoas se tornam boas amigas que exercem uma influência positiva.

(...)

Ter bons amigos é um grande benefício. Um relacionamento embasado em motivos egoístas ou que é prejudicado por aborrecimentos por causa de dinheiro não pode ser considerado uma boa amizade. Da mesma forma, um relacionamento que todos desaprovam, com pessoas que não sabem discernir o certo do errado e têm um comportamento delinquente é uma péssima amizade. Um amigo de verdade não vai exigir dinheiro de vocês nem incentivá-los a fazer algo errado. É apenas a maldade disfarçada de amigo. Vocês devem agir contra isso e não se envolver com pessoas assim. Não deem continuidade a um relacionamento com maus amigos e fujam desse tipo de companhia. Discutam sua situação com alguém que seja de sua confiança. Não fiquem sofrendo sozinhos e em silêncio.

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Os seres humanos buscam criar laços de amizade e construir um mundo ideal – uma cidade eterna em que todos coexistam em paz e harmonia.

Ao expor seus ensinamentos, o buda Shakyamuni sempre se dirigia a todos os seres vivos. Creio que o termo “todos os seres vivos” incorpora o espírito universal da amizade, o espírito de considerar todas as pessoas e todos os seres vivos igualmente preciosos e dignos de respeito e levar a felicidade a todos.

Embora o ideal fosse que todas as pessoas se tornassem amigas, sabemos que, infelizmente, não é o que acontece no mundo atualmente. Por isso é tão importante nos empenharmos ativamente para fazer amizade com quantas pessoas conseguirmos. Devemos enfrentar os desafios da realidade e fazer as mudanças necessárias, mesmo que sejam pequenas. O acúmulo desses esforços levará gradativamente a uma paz mundial duradoura.

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Uma gota de água da chuva, uma gota de água de um rio e uma gota de água do oceano é tudo a mesma coisa: uma gota de água. As amizades que fazemos em nosso pequeno círculo contribuem para propagar a amizade em todo o mundo. Nosso círculo de amizade faz parte do círculo global de amizade; é tudo a mesma coisa. Fazer um único amigo de verdade é um passo para a paz mundial.

Nota:

1.    Cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2014, v. I, p. 327.

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