Apaixonado pelo quê?
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Apaixonado pelo quê?

A palavra “paixão” vem do latim “passione” e tem o sentido de “suportar” ou “sofrer”. Só fui entender o sentido da palavra depois de passar por algumas situações. Pode ser coisa de “millennial” (palavra da moda para denominar os jovens que nasceram após a década de 1980), mas tomar decisões relacionadas à carreira, namoro ou até mesmo sobre qual “tribo” se enturmar, pode trazer uma ansiedade tão grande que causa sofrimentos inexprimíveis dentro da gente.

Pressionados a atender expectativas de familiares, de amigos ou até de si mesmos, muitos jovens buscam carreiras e ideais de vida baseados em imaginários desenhados pela grande mídia que mostra indivíduos em seus vinte ou trinta e tantos anos financeiramente independentes e vivendo uma vida de balada e curtição. Mas quando se deixam ser influenciados por esse ambiente escolhem uma carreira que não os completa, se vêem frustrados por não atingirem a vida que assistem pela televisão e caminham perdidos no começo da jornada que chamam de “vida adulta”.

Como muitos, também almejei coisas semelhantes. Quando era mais novo, meu pai tinha uma empresa pequena e eu pensava que era minha obrigação assumir o legado de levar a empresa em frente. Comecei a estudar administração, aprendi dois idiomas estrangeiros e fiz estágio em três grandes empresas a fim de acumular experiência para, ao fim, encontrar o glorioso sucesso nos negócios da família.

Estudando e praticando o budismo, acabei me convencendo de que todos têm um potencial ilimitado e missão única na vida. Mas como descobrir qual é essa missão? Enxergar um ideal que te faz suportar qualquer tipo de sofrimento é um bom caminho para encontrar essa resposta. A proposta do budismo é justamente direcionar o desejo de cada pessoa, que a partir de agora chamaremos de paixão, a algo benéfico a todas as outras. Isso potencializa ainda mais o talento, disposição e juventude de alguém.

Quando sinto que tenho um grande propósito na vida, posso entrar em qualquer tipo de ambiente e transformar tudo ao meu redor. No entanto, se eu me sentir vazio e sem uma verdadeira paixão, posso ser influenciado pelo ambiente. Se eu viver assim e entrar em um ambiente onde as pessoas não se respeitam, valorizam ganhos superficiais e passageiros e ignoram a dignidade da vida humana, tudo o que farei será imitar o que os demais estão fazendo e viverei uma vida vazia e sem perspectivas. Sem um propósito na vida, qualquer um pode se perder, mas se encontrar esse propósito, poderá encarar qualquer tipo de ambiente e não será influenciado por fatores externos.

No meu caso, descobri que gosto muito de crianças e de aprender idiomas; entre outras coisas, essas são as minhas paixões. Ingressei na faculdade de letras e busco direcionar toda a minha paixão pelo assunto em ações para o avanço de uma sociedade mais humana com mais esperança em seu futuro.

Buscar entender a minha paixão e empreender esforços para o bem comum é o que me fez encontrar um sentido maior em minha própria existência. Descobri o que me faz acordar todos os dias de manhã com um forte propósito e sentimento de não desperdiçar nem um minuto a mais da juventude. E você? Qual é a sua paixão?

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