Cultivando os valores para o futuro
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Cultivando os valores para o futuro

“A dignidade humana origina-se da criação de valores (...) cada indivíduo deve desempenhar seu papel e criar valores que respondam às inesgotáveis demandas da vida”

A passagem acima é do livro Educação para uma Vida Criativa do educador japonês Tsunesaburo Makiguchi. Dentre suas ideias e propostas pela reforma educacional do Japão da época em que viveu, Makiguchi considerava o desenvolvimento livre e correto das crianças como um meio para se estabelecer uma sociedade melhor. Essa confiança pode ser considerada como uma das principais essências da sua teoria de “criar valores”.

Não irei me aprofundar nas propostas de Makiguchi desta vez, mas quero compartilhar uma experiência pessoal que confirma a ideia de que o desenvolvimento das crianças, possuidoras de um ideal de vida, é capaz sim de transformar a realidade que vivemos

Nos dias 30 e 31 de janeiro, cerca de 300 crianças, vindo de diversas cidades do Brasil, se reuniram em Curitiba para a Academia Nacional da Divisão dos Estudantes da BSGI (Para saber mais, clique aqui). Embora seja um encontro anual, a cada ano ele fica ainda mais especial e se torna num verdadeiro divisor de águas da vida do participante, dos familiares e amigos envolvidos. Digo isso com muita propriedade porque minha família e eu experimentamos essa mudança em nossa vida a partir desse mesmo encontro em 2011, quando nosso filho e irmão caçula Daichi foi um dos jovens acadêmicos daquele ano. Mesmo seis anos depois, a sua presença naquele encontro é um grande orgulho para meus pais e nós, irmãos mais velhos. Até hoje, continuamos aprendendo com ele e encontrando ou conhecendo os amigos que ele fez na academia.

Participantes da VI Academia da Divisão dos Estudantes em Curitba

As criança são seres com um poder mágico. Muitas vezes, nós adultos, subestimamos-as e chamamos a atenção delas com coisas simples de horário, etiqueta, alimentação, estudos e muito mais. Quem nunca fez isso? Mas, no final das contas, são elas quem nos fazem lembrar de valores que dão o verdadeiro significado à vida.

Conversando e interagindo com os jovens estudantes da academia, observei um fato que a princípio me deixou um tanto preocupado: muitos deles, junto com seus familiares, enfrentam diversos tipos de problemas, seja relacionado às questões de harmonia, financeira, estudos ou até mesmo de saúde.

Porém, o que me fez refletir e acreditar na afirmação de Makiguchi, “cada indivíduo deve desempenhar seu papel e criar valores que respondam às inesgotáveis demandas da vida”, foi que todas elas encaram esses desafios da vida com uma postura admirável imbuída de sinceridade, seriedade e confiança. E, um fator que, além de somar e de fazer a verdadeira diferença no dia-a-dia, é que todos, sem exceção, tinham um sorriso estampado no rosto. De praxe, ele te fazia sorrir também.

Jhordanna Gonçalves de Oliveira na praça Makiguchi em Curitiba
A cada sorriso com o qual me deparava, aprendia uma nova lição de vida e conhecia uma história de superação. E os adultos, que também estavam em Curitiba, devem concordar comigo que o mais inspirador era que esses jovens estudantes compartilham um mesmo sentimento: criar um mundo melhor fazendo outras pessoas felizes.

Em sua mensagem enviada para o encontro, o líder da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, diz: “A medida do quanto estudarem, se aprimorarem e se desenvolverem corresponderá, proporcionalmente, ao avanço da felicidade das pessoas e da paz no mundo”.

Embora já se tenham passado algumas semanas desde o encontro em Curitiba, essas palavras do presidente Ikeda e o sorriso dos estudantes, que não sai da minha mente, me fazem ter a certeza de que os sonhos individuais e profissionais, seja das crianças ou nossos, podem contribuir diretamente na conquista de um mundo melhor. A primeira “prova de fogo” é o ano de 2030 quando esses jovens estudantes estarão no auge de sua existência surpreendendo a todos com a realização de importantes feitos nas diversas frentes da sociedade do Brasil e do mundo, e criando valores em cada situação e oportunidade com o qual ainda irão se deparar durante a jornada. Imagino que essa sensação que todos nós, adultos participantes da academia, sentimos é a verdadeira esperança na humanidade.

Particularmente, em 2030, estarei em uma outra fase da vida. No entanto, mesmo que o tempo passe e a época mude, dois sentimentos  jamais deixarei que se dissipem dentro de mim.

Participantes da VI Academia da Divisão dos Estudantes em Curitba
O primeiro é o espírito de sempre criar valores em resposta às demandas da vida e da sociedade, seja indo ao encontro e dialogando com os jovens estudantes para mostrá-los que eles são o nosso futuro ou tirando o melhor aprendizado de cada circunstância da vida. Acredito que esse seja o significado das palavras de Makiguchi e atitude praticada pelo presidente Ikeda.

E o segundo é o sentimento de gratidão por ter vivido esses momentos preciosos em 2011, indiretamente com o meu irmão, e em 2016, diretamente com outros novos irmãos caçulas que fiz. Digo gratidão porque o Daichi, com apenas 13 anos, deu o primeiro passo da nossa revolução humana familiar que vivemos até hoje com muita alegria. Embora ele tenha cumprido sua missão nesta existência em novembro daquele mesmo ano, a família continua firme, unida e vivendo contínuos momentos de “o inverno nunca falha em se tornar primavera” (CEND, v. I, p. 559).

Quais serão as emoções da academia de 2017?

Enquanto ela não chega, bora correr porque 2030 começa agora.


Cerejeira plantada em homenagem ao Daichi no Centro Cultural Campestre da BSGI em novembro de 2011
 
Mesmo em meio inverno brasileiro, a cada ano, a cerejeira mostra sua beleza com o desabrochar de suas flores 
 
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