Dificuldades são como grãos de areia
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Dificuldades são como grãos de areia

Não há ato maior da coragem humana do que criar valor

O escritor mineiro Guimarães Rosa registrou: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. Este pensamento está alinhado a um dos pilares do nosso movimento na Soka Gakkai, o de gerar valor diante das circunstâncias. Afinal, não há ato maior da coragem humana do que criar valor.


Fé é a coragem de olhar o estado de buda em cada pessoa, incluindo a si próprio, e encontrar meios de evidenciar esse potencial. Daí, a importância do shakukubu. Contudo, realizar isto em meio ao corre-corre da vida diária, em momentos como atritos no local de estudo ou de trabalho, pode ser um desafio.


Porém, para o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, “Realidade é realidade, e teoria é teoria. Vida é realidade. O foco do budismo encontra-se no aqui e agora. Nós praticamos a fé para vencermos agora. [...] Alguns podem pensar que seja uma frivolidade falar sobre receber benefícios na vida presente, mas uma religião que não transforma a vida das pessoas não tem força. Criar valor na vida diária é a essência do Sutra do Lótus”.


O que me atraiu no budismo foi justamente o quanto essa filosofia é aplicável à vida diária. É importante polirmos o nosso caráter para manifestarmos, sempre, uma postura budista. Assim, começamos a trocar o ciclo vicioso do sofrimento e da impotência pela coragem que nos inspira a, simultaneamente, ser mais feliz e lutar para que os outros também o sejam.


Jamais ser derrotado

É do ser humano sofrer diante das circunstâncias, ainda mais num momento tão instável como o que vivemos em nosso país. Contudo, isto não deve ser motivo para nos desanimar em nossa luta pelo kosen-rufu. Pelo contrário. É justamente por vivermos em meio ao caos dos Últimos Dias da Lei que devemos nos levantar sós, cada um em seu ambiente de atuação, com o espírito de jamais ser derrotados e o juramento seigan renovado, por mais difícil que sejam as circunstâncias externas. O que importa, mesmo, é desenvolvermos dentro de nós um estado tão forte que nada poderá nos abalar.


Minha mãe e eu somos autistas. Praticamos o budismo há 13 anos e iniciamos essa prática por intermédio da minha avó. Na nossa vida, é comum, devido às circunstâncias inerentes à síndrome, passarmos por momentos ansiosos e depressivos.


Hoje, somos ativistas pela neurodiversidade e já sofremos na pele, enquanto figuras públicas, as perseguições na internet que, por causa das peculiaridades do transtorno, nos traziam grande sofrimento e até mesmo nos levavam a colapsos mentais (meltdowns).


Nesses momentos nos unimos e, após enfrentarmos as adversidades, chegamos a duas conclusões: 1) A vitória é certa, mas vamos reforçar o daimoku; e 2) Podemos transformar o veneno em remédio, respeitando a dignidade da vida das outras pessoas e mantendo nossa postura de pacifistas mesmo perante os ataques.


Este último ponto não foi fácil, e exigiu que nos dedicássemos a ir à frente do Gohonzon recitar daimoku, o que nada mais é do que observar a nossa própria mente e compreender o que está ‘emperrando’ a nossa vida. Dessa forma, carma vira missão e hoje estamos cada vez mais engajados em nosso ativismo – temos mais de 20 mil inscritos e quase 1 milhão de visualizações em nosso canal do YouTube, além de palestrarmos e sermos recebidos sempre com o mesmo carinho, resultado da nossa postura budista humanística, em eventos por todo o Brasil. Já escrevemos quatro livros e sempre ouvimos de muitas pessoas que estamos fazendo a diferença na vida delas. Assim, as dificuldades, por maiores que pareçam, tornam-se grãos de areia.



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Victor Arthur Silva de Mendonça, é jornalista e escritor. No Youtube tem o canal Mundo Asperger. Faz parte da Subcoordenadoria Minas Gerais; Coordenadoria das Regiões Estaduais-Leste; Coordenadoria Geral das Regiões Estaduais da BSGI. Pratica o budismo há 13 anos.

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