Direitos Humanos transcendem nacionalidade, etnia e condição socioeconômica
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Direitos Humanos transcendem nacionalidade, etnia e condição socioeconômica

Membros da SGI herdam o compromisso de transmitir o espírito da Declaração Universal dos Direitos Humanos

O século 20 deixou como herança várias sequelas de uma incitação ao desprezo e à inimizade em relação a certos grupos de pessoas, devido às duas grandes guerras mundiais. Na tentativa de amenizar tais consequências, em dezembro de 1948, três anos após a fundação da ONU, foi criada a DUDH – Declaração Universal dos Direitos Humanos. Atualmente, o grande desafio da Declaração é por fim à discriminação contra migrantes e refugiados. Já os membros da SGI receberam do Presidente Ikeda a herança do compromisso de transmitir o espírito da Declaração Universal às futuras gerações, em defesa da paz.


A essência dos direitos humanos está no compromisso de jamais permitir que mais ninguém sofra o que alguém já sofreu. Por isso, os direitos humanos não selecionam nacionalidade, etnia ou condições socioeconômicas, pois se referem a todo e qualquer ser humano. Em 2017, foi criado, nas Nações Unidas, o cargo de representante especial para Migração Internacional para tratar das questões relacionadas aos refugiados e migrantes. Não havia mais como deixar os 258 milhões de migrantes do mundo inteiro na invisibilidade. O número cada vez maior de refugiados e a crença de que essas pessoas são um fardo ou uma ameaça já não podia mais alimentar o clima de exclusão social.


Para Daisaku Ikeda, em sua Proposta de Paz 2018, “uma das coisas que precisamos enfatizar é a necessidade de os migrantes, como todas as pessoas, terem seus direitos humanos fundamentais respeitados e protegidos sem discriminação com base na sua situação.” Ele também se preocupa com o empoderamento feminino, assim como a educação das crianças migrantes.


Segundo Yusra Mardini, refugiada síria e atleta nomeada Embaixadora da Boa Vontade pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) em 2017, “os refugiados são apenas pessoas normais que vivem em circunstâncias traumáticas e devastadoras, mas são capazes de coisas extraordinárias se tiverem apenas uma chance”.


Essa afirmativa me remete à minha própria trajetória. Eu sou autista. Embora tivesse dentro de mim o potencial inerente a todos os seres humanos, conforme ensina o budismo, precisaria encontrar meios de ser inserido na sociedade para que minhas habilidades pudessem desabrochar de forma a transformar positivamente tanto a minha vida, como a do restante da sociedade. Hoje, pude transpor a principal limitação de uma pessoa com o meu diagnóstico – as barreiras na comunicação – e transformar-me num comunicador de renome aos 21 anos, com homenagens já recebidas, como o Grande Colar do Mérito Legislativo Municipal de Belo Horizonte aos 19 anos. Assim, tornei-me a pessoa mais jovem da minha cidade a receber esta que é a maior honraria do legislativo.


Este título só é dado às pessoas que prestam relevantes serviços à sociedade – no meu caso, o trabalho pelas pessoas com deficiência que vem transformando vidas e mais vidas. Este é o feedback que recebo diariamente. Imagine, então, se eu não tivesse acesso à inclusão e a uma chance que fosse, como já ocorreu com muitos autistas, relegados à internação psiquiátrica ou subempregados? Todos eles, sem a chance de desenvolver suas habilidades.


É assim que percebo a situação dos refugiados mundo afora. Vivem em condições degradantes, são ignorados por países que poderiam acolhê-los. O que se consegue com isso? Perdermos não somente a chance de criar valores humanos, como perdemos todos talentos que poderiam gerar renda mas, acima de tudo, perdemos nossa humanidade. A solução está no debate e no diálogo sobre a diversidade, que vão gerar ações para que toda pessoa, qualquer que seja a sua origem, desenvolva o máximo do próprio potencial. Só assim, poderemos alcançar o cumprimento do nosso juramento Seigan, a concretização do kosen-rufu mundial.


A paz, nessa era de profundas divergências e polarizações, só vai ocorrer quando cada pessoa perceber e se apropriar do poder inato que possui. O poder de transformar a própria realidade e a realidade do restante da humanidade. Para tanto, precisamos avançar com o espírito de não deixar ninguém para trás e de construir uma sociedade de paz, cultura, educação, empatia e coexistência harmoniosa. E lembrar, sempre, que a perda de uma vida significa, necessariamente, o descarte infame do potencial de um grande valor para a sociedade. Afinal, é no respeito e aprendizado sobre a diversidade e dignidade da existência humana que se encontra a chave do desenvolvimento mundial.

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Victor Arthur Silva de Mendonça, tem 21 anos, é jornalista e escritor. No Youtube tem o canal Mundo Asperger. Faz parte da Subcoordenadoria Minas Gerais; Coordenadoria das Regiões Estaduais-Leste; Coordenadoria Geral das Regiões Estaduais da BSGI. Pratica o budismo há 12 anos.

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