É preciso desenvolver a capacidade de se colocar no lugar do outro
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É preciso desenvolver a capacidade de se colocar no lugar do outro

"Um buda percebe e compreende a dor das pessoas, mas não deixa que isso o paralise", cita colunista do SeikyoPost

Para entender a solidariedade na filosofia humanista do presidente Ikeda é preciso compreender a dignidade da existência de cada pessoa.

Toda vida carrega, em sua humanidade, a perfeição do universo e, portanto, a natureza de buda presente em todos os fenômenos. Essencialmente, não somos os sofrimentos do carma ou a nossa escuridão fundamental. Ao contrário, somos esse potencial iluminado inerente em nossa vida. Se o exercitarmos por meio da prática da fé e estudo do budismo, descobrimos que ele é ilimitado e, como um músculo, ganha mais força à medida que vai se desenvolvendo.

Dito isso, podemos compreender que cada vida é única e qualquer diferença que, na superfície, pode aparentar ser um fator para a divisão entre seres humanos, na verdade evidencia o brilho de cada um, confirmando a natureza do buda que se ilumina na presente forma.

Vivemos num mundo que, aos poucos, vem acolhendo melhor a diversidade. Acredito que nós, jovens, temos um papel muito importante nessa desconstrução de amarras que limitam o desenvolvimento pleno do potencial das pessoas.

Os jovens praticantes do Budismo de Nichiren Daishonin têm consigo o mais forte dos aliados para a construção de uma sociedade pacífica, justa e solidária. Temos tanto uma prática que nos permite a revolução humana (e lembrem-se: a revolução de cada indivíduo afeta positivamente o destino de toda a humanidade), como um mestre de vida que nos direciona a uma filosofia humanista capaz de transformar não apenas a nossa realidade, mas também a de nossa comunidade e, sim, do nosso país e de toda a humanidade.

Quando alguma notícia ruim, qualquer que seja ela, causar desânimo, devemos nos lembrar de que são fatores externos, ações da maldade com objetivo de nos desviar de nossa missão, uma missão que a Gakkai vem cumprindo de transformar vidas e mais vidas. Tenho muita admiração por nossos três presidentes: Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e Daisaku Ikeda, justamente porque sei que o caminho para a paz, para a solidariedade, para a nossa felicidade de toda a humanidade, não é fácil. Talvez se não fossem esses desafios, não teríamos o mesmo desenvolvimento em nossa luta pelo kosen-rufu. O importante é que vale a pena, e experimentar a prova real disso é experiência transformadora.

Na Proposta de Paz 2017, Ikeda sensei diz: “Ser um bodisatva significa ser guiado pelo espírito de empatia para reagir diante das crises sociais graves, onde que esteja ou mesmo que não seja diretamente impactado” (Terceira Civilização, ed. 585, 13 maio 2017, p. 16).

A capacidade de se colocar no lugar do outro é crucial no atual milênio. Um buda percebe e compreende a dor das pessoas, mas não deixa que isso o paralise. Ao contrário, é essa compreensão que o capacita e lhe dá forças para compartilhar sua coragem e sabedoria com todos que necessitam.

Como praticantes do Budismo de Nichiren Daishonin, sabemos que a felicidade só se completa na coletividade, em itai doshin – diferentes em corpo, unos em mente. Juntos somos mais, e fortalecemos uns aos outros. Como afirma Ikeda sensei, “as interações pessoais e a amizade comovem as pessoas e as tocam nas profundezas do seu ser” (Ibidem). É no diálogo de vida a vida, e não fechando os olhos para os sofrimentos das outras pessoas, que fortalecemos nossa prática e fé para aprendermos a manifestar empatia e solidariedade, solidificando o estado de buda de toda a humanidade.

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Victor Arthur Silva de Mendonça, tem 20 anos, é jornalista e escritor. No Youtube tem o canal Mundo Asperger. Faz parte da Subcoordenadoria Minas Gerais; Coordenadoria das Regiões Estaduais-Leste; Coordenadoria Geral das Regiões Estaduais da BSGI. Pratica o budismo há 11 anos.

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