Fazer a diferença na vida das pessoas por meio da minha atuação na sociedade
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Fazer a diferença na vida das pessoas por meio da minha atuação na sociedade

Neste mês, Victor Mendonça lança seu quarto livro Neurodivergentes – Autismo na Contemporaneidade

Eu sempre fui apaixonado por vídeos e livros, o que me fez acalentar, desde muito cedo, o desejo de ser um apresentador e escritor de renome. Além disso, eu não tenho memórias de uma fase da minha vida em que eu não desejasse me tornar um nome conhecido. Contudo, fui aprendendo com o tempo que não se tratava da “fama pela fama”. Eu queria fazer a diferença na vida das pessoas por meio destes trabalhos, já que sempre soube que tinha muito mais a dizer ao mundo do que conseguia expressar. Essas dificuldades na comunicação – frutos do Transtorno do Espectro Autista diagnosticado quando eu tinha 11 anos – me causavam grande angústia e aflição.

O Sutra do Lótus expõem o principio ganken ogo, que significa “carma adotado por desejo próprio” e revela que a prova real é muito mais intensificada quando ocorre com pessoas (como os autistas) que são menosprezadas pela sociedade e nasceram em circunstâncias adversas. Assim, à medida que eu ia transformando o meu carma de dificuldades na autonomia e crises, sentia o desejo de compartilhar essas vitórias. Por isso, não é exagero dizer que foi o autismo que me levou a concretizar, em 2015, estes que eram meus maiores sonhos e que, durante o desafiador período da adolescência, pareciam apenas abstrações distantes da realidade. Eu me tornei um escritor e apresentador seguido por milhares de pessoas. 

Eu me sinto exatamente como afirma o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda: “[...]O budismo de Daishonin revela o caminho para se atingir direta e imediatamente a iluminação de forma que instantaneamente nos descobrimos no pico [da montanha]. Lá desfrutamos pessoalmente a maravilhosa visão com todo o nosso ser e, repletos do desejo de partilhar essa alegria com outros, retornamos para a base e nos dirigimos para a sociedade” (BS, ed. 1.332, 19 ago 1995, p. 3).

Meu livro de estreia Outro Olhar – Reflexões de um Autista (Manduruvá, 2015), com ensaios que refletem a minha percepção do mundo a partir da minha condição, logo se tornou uma referência no universo da neurodiversidade. Isso, tanto no contexto acadêmico quanto para conhecidos e familiares de autistas, além das próprias pessoas com TEA. No ano seguinte, 2016, a dose do sucesso se repetiu com “Danielle, Asperger”, que, por se tratar de um romance juvenil de natureza ficcional, surpreendeu a área de saúde mental, que ainda conserva a ideia equivocada de que o autista não tem imaginação. Em 2018, eu e minha mãe lançamos Dez Anos Depois, título em alusão ao tempo do meu diagnóstico. Na obra, abrimos o leque para contos, poesias, crônicas, artigos e ilustrações que refletem o universo não apenas do autismo, mas também uma gama de outros assuntos, como arte, política e espiritualidade. Os aprendizados com a prática budista e a aplicação de seus conceitos na vida diária são tema recorrente em minhas obras, e já geraram até alguns shakubuku.

Aprendi como praticante do Budismo de Nichiren Daishonin e integrante do grupo de treinamento chamado Sokahan, a prezar o outro, e isto inclui o meu leitor ou espectador. Por isso, quando estou apresentando um vídeo ou escrevendo um livro, sempre penso em como aquela mensagem que estou transmitindo irá afetar quem me assiste ou lê. Quero transmitir sempre esperança e soluções concretas, de uma maneira leve e bem-humorada, mas bastante respeitosa. 

No meu canal do YouTube, Mundo Asperger, minha mãe, também jornalista, autista e budista Selma Sueli Silva, e eu compartilhamos vivências e informações de ponta, por meio de entrevistas, com os melhores especialistas brasileiros acerca do TEA (Transtorno do Espectro Autista). Adoro essa interação com os internautas, que me dá a chance de explorar em profundidade a minha função de bodsativa da terra, propagando os ideais humanistas que aprendi com  Daisaku Ikeda e lendo os escritos de Nichiren Daishonin.

Em 2017, o pós-doutor em jornalismo científico, Maurício Guilherme Silva Jr., me convidou para supervisionar o processo de apuração e escrita do meu novo livro, Neurodivergentes – Autismo na Contemporaneidade, uma obra jornalístico-acadêmica que será lançada durante o Simpósio Internacional sobre Educação Inclusiva, promovido pelo Mundo Asperger nos dias 22 e 23 de março de 2019, em Belo Horizonte. Nele, também exercerei as funções de palestrante e mediador de uma das mesas. Um simpósio é um formato que reúne pessoas com grande grau de conhecimento acadêmico, mas também com uma preocupação social, e desses eventos costumam sair grandes sacadas.

Aprendi com meu Mestre, Daisaku Ikeda, que os jovens da Gakkai devem ser a vanguarda e por isto busco explorar, sentir e perceber o que ninguém viu. Isto tem um impacto direto no meu trabalho como comunicador. Por isso, Neurodivergentes – Autismo na Contemporaneidade é um livro repleto de ineditismo em suas entrevistas e análises conceituais.

O desafio, em toda essa trajetória, é tentar lidar com meu estado de fome, que muitas vezes ainda teima em aparecer. Quero sempre algo novo, estou sempre sonhando e projetando, o que me traz sofrimento por estar às vezes descontente, e por isso oro para que esta condição baixa de vida se manifeste num estado de vida mais elevado, para que eu possa direcioná-la para o meu aprimoramento pessoal e profissional e, com isso, fazer mais pessoas felizes. Hoje, sinto que conquistei tudo que queria, mas sigo traçando novos planos.
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Victor Arthur Silva de Mendonça é jornalista e escritor. No Youtube tem o canal Mundo Asperger. Faz parte da Subcoordenadoria Minas Gerais; Coordenadoria das Regiões Estaduais-Leste; Coordenadoria Geral das Regiões Estaduais da BSGI. Pratica o budismo há 13 anos.

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