Igualdade, empoderamento e inspiração – sejam bem-vindos à era das mulheres
  • MULHER

Igualdade, empoderamento e inspiração – sejam bem-vindos à era das mulheres

Na BSGI as mulheres constituem a maioria e formam uma rede solidária de apoio mútuo, incentivo e empoderamento

Ao refletir sobre o papel da mulher na transformação da realidade do mundo, três palavras me vieram à mente – igualdade, empoderamento e inspiração. Pensei sobre a batalha da igualdade de gênero, que ainda desafia o nosso cotidiano com simples questões no âmbito do trabalho e da família, por exemplo; sobre o atual debate acerca do empoderamento feminino e as ações que vêm transformando os duros fatos reais, como o feminicídio e a violência contra a mulher; bem como lembrei de grandes personalidades femininas que, por meio de suas atitudes, criaram um ponto de inflexão na história, como a Princesa Isabel e a promulgação da Lei Áurea no século 19, Rosa Parks dentro do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos no século 20, Malala Yousafzai e o direito à educação das mulheres no século 21.


O fato é que a realidade ainda nos distancia de uma sociedade plena de direitos em que cada indivíduo é respeitado a partir de seu valor humano e, consequentemente, a mulher ocupa papeis secundários em muitos casos, desprezando o seu potencial na construção de um mundo pacífico e justo. Fazer a diferença, tentar transformar a realidade em que se encontra é exceção, e não regra, e ainda ser inspiração, ou seja, reconhecida mundialmente por isso é algo que parece fora do nosso planeta.


Para exemplificar esta opinião, trago alguns números de uma publicação recente da ONU Mulheres1: globalmente as mulheres e meninas representam a maioria da população que vive com menos de 1,90 dólares, cerca de 330 milhões; representam a maioria da população sem acesso à educação, com cerca de 15 milhões de meninas; cerca de 750 milhões de meninas foram obrigadas a se casar antes da maioridade; apenas 23% dos assentos em parlamentos do mundo pertencem a mulheres, e estas representam 28% da comunidade de cientistas. Por isso, ir de encontro a essa realidade, tornar-se alguém como Florence Nightingale2 ou Aung San Suu Ki 3 parecem coisas muito distantes.


No entanto, ao analisarmos a origem do budismo, uma das convicções mais fundamentais difundidas por Shakyamuni e, posteriormente, por Nichiren Daishonin é o respeito à dignidade humana e, consequentemente, à igualdade entre os seres humanos, colocando a mulher em uma posição de equidade. Mais recentemente, ao observar a trajetória da Soka Gakkai e a admirável atuação do presidente Ikeda em prol da paz mundial, as mulheres são percebidas como agentes da transformação da sociedade.


O presidente Ikeda afirmou em um diálogo com Hazel Henderson4: “Tenho sempre insistido que as mulheres têm um papel importante na mudança de uma era de guerra e violência para uma era de paz e coexistência harmoniosa. Há setecentos anos, Nichiren manifestou-se contra o machismo, dizendo: “Não deve haver nenhuma discriminação entre aqueles que propagam [o Sutra de Lótus], sejam eles homens ou mulheres.” Assim como a senhora, estou convicto de que, no século 21, as mulheres podem, trabalhando com os homens, manifestar plenamente suas próprias forças e características. De fato, sem os esforços em cooperação dos sexos, a perspectiva para a humanidade é sombria” (Brasil Seikyo, ed. 2.121, 3 mar. 2012, p. A3).


Dentro de nossa organização no Brasil, as mulheres constituem a maioria e formam uma rede solidária de apoio mútuo, incentivo e empoderamento, tudo com base na prática do Nam-myoho-renge-kyo e na crença no potencial inato de cada ser humano. Por si só, trata-se de um movimento popular e legítimo em que as mulheres são agentes transformadoras de sua realidade a partir da prática do budismo, sendo incentivadas a desafiar todas as circunstâncias pelas quais sofrem e a exercitar a força, a coragem e a esperança que residem em seu próprio coração. São agentes transformadoras porque mudam originalmente a si próprias e posteriormente difundem essa crença a todas as pessoas com quem encontrarem.


É neste movimento que o presidente Ikeda deposita toda a sua confiança para a concretização da paz mundial: “Com as mulheres bradando pela justiça na sociedade sem temor nem descanso, enquanto edificam seu círculo de amizades e expandem a solidariedade, poderemos estabelecer uma sólida base para a paz no século 21. (...) Este é o século das mulheres e vocês, integrantes da Divisão Feminina, são o modelo desta época. Quando a Divisão Feminina se movimenta, todo o país também se movimenta. Vocês têm o poder para organizar as mulheres de todas as esferas da sociedade para que entrem em ação” (Brasil Seikyo, ed. 2.121, 3 mar. 2012, p. B2).


Ao observar os atos que dignificaram muitas personalidades mulheres no mundo, percebi que a diferença entre essas pessoas e aquelas que viveram o mesmo momento foi o fato de terem tomado uma ação, sem pensar num reconhecimento posterior ou algo que as consagrassem mundialmente. Portanto, a chave para transformar a realidade é a ação, ou melhor, a minha ação no local em que me encontro neste momento. É no cotidiano que mudo e, por conseguinte, mudo o que está ao meu redor. Por isso, mudemos! Mudemos o nosso modo de pensar e agir, mudemos o nosso comportamento diante do desafio, mudemos o nosso coração, acreditando na dignidade da minha vida, no potencial que ela possui e na missão de inspirar todas as pessoas com quem encontrarmos.


Feliz Dia Internacional das Mulheres!

TAGS:MULHER

1 Cf. http://www.unwomen.org/-/media/headquarters/attachments/sections/library/publications/2018/sdg-report- fact-sheet- global-en.pdf?la=en&vs=3554


2. Saiba mais em: http://www.seikyopost.com.br/vida-diaria/fazer-da-vida-uma-arte
3. Saiba mais em: http://www.seikyopost.com.br/humanismo-ikeda/a-era-das-mulheres-e-a-era-da-compaixao
4. Saiba mais em: http://www.seikyopost.com.br/humanismo-ikeda/a-chave-para-a-mudanca-climatica

Monique Tiezzi den Hartog, tem 30 anos e é internacionalista. É coordenadora da Divisão Feminina de Jovens da BSGI; faz parte da Coordenadoria Geral do Estado de São Paulo; Coordenadoria Norte-Sul Paulista. É associada da BSGI desde que nasceu.

• comentários •

;