Intimidade ou intimidação?
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Intimidade ou intimidação?

É importante respeitar cada criança como um indivíduo, uma pessoa com seus próprios direitos

Participando de diálogos, em meus incentivos tenho me referido aos termos “intimidade” e “intimidação”. Ambas se parecem, mas têm significados totalmente opostos. No entanto, a intimidade pode provocar a intimidação. Intimidade é a condição de estar próximo, de conhecerem-se bem e caracteriza-se muito com o ambiente familiar. Talvez, por estarem tão acostumados na intimidade de um lar, as pessoas se tornam muitas vezes relaxadas e indiferentes umas às outras. Numa família, de poder patriarcal ou matriarcal, os pais podem usar da força para obrigar os filhos a fazer algo ou ao repreendê-los por algo que fizeram. Ao assim agirem, fazem com que os filhos se “sintam tímidos”, o que significa “intimidar”.

É comum presenciar cenas de pais repreendendo os filhos que choram ou fazem bagunça, seja nas ruas ou em outro local, como supermercados ou lojas. Já vi várias vezes crianças tirando a atenção das pessoas numa reunião. Há pais que ignoram e há aqueles que repreendem rigorosamente seus filhos. Nessas ocasiões, costumo dizer: “É preferível que elas estejam assim ativas a estar em suas camas e doentes!” Quando os maus sentimentos desaparecem, a calma volta a reinar.

“Tratem com carinho as crianças, a esperança do futuro” - Este é o título de um discurso do presidente Ikeda publicado no jornal Brasil Seikyo nº 1.271, de 7 de maio de 1994. Já tem mais de duas décadas, mas é um tema sempre atual e trata também sobre o nosso comportamento como líderes. Seguem abaixo alguns trechos:

As crianças são adultas

Ao criar os membros da Divisão do Futuro, é importante respeitar cada criança como um indivíduo, como uma pessoa com seus próprios direitos. Nunca devemos tratar as crianças de forma negligente ou protetora só por causa de sua pouca idade, pensando: “Elas não iriam compreender um assunto desses” ou “isso será demais para elas”.

Dentro de cada criança existe um excelente adulto. É importante que falemos com esse adulto. Isso conduzirá ao desenvolvimento do caráter da criança. Ao mesmo tempo, aqueles que se relacionam com as crianças de forma adulta se desenvolverão e crescerão como pessoas.

Por exemplo, ao repreender as crianças, algumas pessoas costumam ameaçá-las da seguinte forma: “Se você fizer isso, o policial virá e te levará embora” ou “fulano gritará com você”. Sendo constantemente sujeitas a essas advertências, é provável que as crianças venham realmente a pensar que não devem fazer nada de errado porque serão levadas ou que alguém irá gritar com elas.

Similarmente, quando uma criança acompanha alguém a um centro cultural ou comunitário e é advertida da seguinte forma: “Se não ficar quieta, o Sokahan vai te chamar a atenção” ou “a moça do Byakuren (equivalente ao Grupo Cerejeira no Brasil) vai te repreender”, isso pode disseminar nas crianças as sementes da antipatia pelos membros dos grupos Sokahan e Byakuren e talvez, até mesmo pela própria SGI. Isso porque a criança achará que aquelas pessoas estão tentando privá-las de sua liberdade.

Este não é o melhor caminho a ser seguido. É muito mais eficaz, acredito, sentarem-se e explicarem para a criança as razões por que os senhores querem que ela faça determinada coisa ou se comporte de determinada forma. Por exemplo: “O nosso centro comunitário é um local para os membros. Portanto, se você fizer muito barulho quando for preciso que fique quieto, irá atrapalhar a todos. Ser capaz de pensar nos outros é um sinal que está crescendo.”

Todavia, os senhores podem achar que a criança não presta a mínima atenção ao que dizem, quando as levam para o centro comunitário. Por favor, estejam seguros de que suas palavras realmente atingirão o seu coração. Seus esforços para explicar os fatos para as crianças podem parecer pequenos e insignificantes, mas passado um longo período de tempo farão uma grande diferença.

Portanto, espero que, quando os líderes derem suas orientações nas visitas familiares, mostrem consideração por quaisquer crianças que possam estar na casa. Não deixando de mencionar obviamente que sempre deve-se demonstrar a maior cortesia para com quaisquer outros membros presentes da família. Especialmente no caso de crianças pequenas, podemos algumas vezes não nos darmos conta de sua presença. Contudo, mesmo a menor criança está observando atentamente o nosso comportamento. Por nosso intermédio, a criança formará seu julgamento sobre a SGI e sobre a fé.

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