Meu ponto primordial da fé
  • ENTREVISTA

Meu ponto primordial da fé

Na sala Zenshin, da Sede social da Divisão Feminina – primeira sede da BSGI –, os fotógrafos do SeikyoPost preparam as luzes para a sessão de fotos. O local aconchegante transmite alegria e o colorido vitral, junto aos charmosos lustres e poltronas floridas complementam o cenário. Logo, Júlio Kosaka chega sorridente; é um momento particularmente feliz para ele. Afinal, há 50 anos ele vivera, pela primeira vez, um grande encontro com seu mestre. Isso aconteceu em 1966, por ocasião da segunda visita do presidente Ikeda ao Brasil, indo ao Rio de Janeiro e à São Paulo. Na capital paulista, é preparado o primeiro Festival Cultural da BSGI para recepcionar o líder e, Júlio Kosaka, na época com 19 anos, atuava na equipe de transportes e no coral que se apresentou no evento realizado no Theatro Municipal, com a participação de 1.700 pessoas. Começamos a entrevista e ele comenta sobre o dia do festival. Conta que em meio às muitas tarefas, se dividia entre o palco e o volante.


O senhor se lembra de detalhes desta data?

Foi um dia muito intenso. Entrei por trás do palco e me apresentei junto com o coral e cantamos uma canção da Soka Gakkai. Mas, naquele dia corria de um lado para o outro e mal tive tempo para ver como era o teatro. Um dia quero voltar lá com mais calma (risos).


Como foi o encontro com o presidente Ikeda?

Ikeda sensei chegou em São Paulo no dia 12 e veio direto para sede. Eu me lembro que fiquei do lado de fora junto com mais alguns amigos da Divisão Masculina de Jovens. Estávamos um pouco chateados porque achávamos que não conseguiríamos ver o presidente Ikeda. Mas, quando ele chegou, antes de entrar na sede, veio até nós e lá estava eu (risos). Ele perguntou o que estávamos fazendo lá e o nome de cada um ao nos cumprimentar. Ele disse para mim, que iríamos nos encontrar novamente no Curso de Verão. Eu tinha pouco tempo de prática e não sabia o que era esse curso, mas prontamente, disse sim!


Ele se recorda que depois da partida do presidente Ikeda, passou a atuar ainda mais na organização. Muitas vezes as atividades tomavam todo o seu dia e, mesmo assim, tentava conciliar o tempo ajudando a família com os afazeres de casa. No coração, tinha o desejo de cumprir todas as tarefas, inclusive participar do Curso de Verão.


O senhor participou deste curso?

Primeiro conversei com os líderes para entender o que era um curso de verão. Então, descobri que era um aprimoramento que seria feito no Japão em agosto daquele mesmo ano [1966]. Eu não tinha condição financeira para isso e precisei da ajuda da minha família. Convenci meu irmão a fazer um empréstimo no banco e conseguimos pagar a passagem. Partimos num grupo com aproximadamente 20 integrantes, onde cinco eram da divisão masculina de jovens e eu me lembro que chegando no Japão, a primeira atividade era uma cerimônia com os membros do Japão. Ao chegar no local, encontramos o presidente Ikeda na entrada do recinto e ele nos disse: “Sejam bem-vindos! Eu me lembro de todos vocês!”. Fiquei surpreso e comovido com sua postura.


Quais são as lembranças que guarda desses dias?

A principal lembrança é que estava muito calor. Não tinha ar-condicionado e nas reuniões sempre participavam muitas pessoas. E era difícil ouvir o que o presidente Ikeda falava durante as reuniões. Algo que me marcou foi que me encontrei com o presidente Ikeda em três dos quatro dias de curso e, todas as vezes que o vi, fiz questão de cumprimentá-lo. Ele sempre se lembrava de mim, acho que já estava enjoado de me ver (risos). Também me recordo que Ikeda sensei participava de várias atividades do curso, inclusive dos encontros esportivos. Era cansativo, mas os participantes acabavam fazendo amizade uns com os outros.


O seu sentimento com relação ao Mestre mudou depois disso?

Sim. Foi nesse segundo encontro com o presidente Ikeda, nesses dias de curso, que aprendi o que era ter um mestre verdadeiro. Antes disso a visão que eu tinha de mestre era com relação à professores ou pessoas que tinham experiência em lutas marciais, por exemplo. Mas, um mestre da vida só encontrei no presidente Ikeda. Compreendi porque é tão importante ter um mestre que realmente treine, ensine, dialogue e se dedique a todo momento, a aprimorar as pessoas. Todas as atividades eram centralizadas no Mestre. E eu nunca tinha visto ou vivido isso antes. Acredito que com essa experiência, criei a verdadeira unicidade com o Ikeda sensei e decidi que ele seria o meu mestre.


" Castelo da Felicidade",   ao lado esq., fachada da primeira sede da BSGI em 1966 e ao lado dir., atualmente é utilizado pela Divisão Feminina
 

O Sr. Júlio Kosaka também se recorda que guarda com carinho, um exemplar das Escrituras de Nichiren Daishonin, com uma dedicatória escrita de próprio punho pelo presidente Ikeda. “Está escrito ‘o inverno nunca falha em se tornar primavera’. Nós compramos os escritos numa livraria e um colega do grupo dos brasileiros, teve a ideia de pedir para o Ikeda sensei escrever uma dedicatória.”

Hoje, faz 50 anos que o senhor se encontrou pela primeira vez com o presidente Ikeda. Esta data o faz renovar suas decisões?

Sem dúvida. Meu ponto primordial da fé é o encontro com Ikeda sensei. Foi a partir daí, que realmente decidi praticar o budismo com a minha própria vida e assim tenho feito. Guardo essa lembrança no coração.

TAGS:ENTREVISTA

• comentários •

;