Músico a bordo!
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Músico a bordo!

Luciano passou sete meses tocando num cruzeiro em 2015. Ele gostou tanto que mês passado aceitou o convite para nova temporada


Luciano Duarte é guitarrista, com graduação em música popular pela Unicamp, e pratica o budismo há 13 anos. Em março de 2015, Luciano foi convidado para tocar num navio de cruzeiro no Mediterrâneo, em uma temporada de sete meses que se repete neste ano. Seikyo Post conversou com o músico, uma pessoa autêntica que nos relata com paixão a sua experiência de viver essa aventura em alto mar.


O imponente navio Zenith

Como reagiu ao receber o convite para tocar sete meses em um navio?

Senti que era um benefício da prática budista. Benefício que veio junto com muitos desafios e um mês para resolver todos eles. Encarei tudo como uma nova experiência, uma nova vida que estava de acordo com meu antigo desejo de voltar à Europa, onde já havia trabalhado por três anos.


Aceita a proposta, o que tinha pela frente para organizar?

Precisava entregar meu confortável apartamento onde morava sozinho há quase dez anos, pedir demissão dos meus empregos de professor de música, deixar as três bandas em que tocava (uma delas com gravação de um CD agendada para o meio do ano), fazer os cursos obrigatórios para tripulantes em Santos, SP, realizar os exames médicos exigidos e outras tantas decisões e medidas urgentes que precisavam ser tomadas. Além disso, ficaria longe da família e da pessoa com quem tinha um relacionamento de quatro anos. E, também, teria que deixar de atuar na BSGI como líder de comunidade. Não foi fácil, mas era a realização de uma grande meta.


Luciano fez muitos amigos a bordo e dialogou sobre o budismo com vários passageiros


Você se lembra do primeiro dia de trabalho?

Foi tudo muito rápido. Poucas semanas depois do convite, eu estava com tudo pronto para a viagem. No dia 25 de abril de 2015, em Marselha, França, embarquei no Zenith e, no dia seguinte, já comecei a trabalhar. Estava muito feliz e empolgado. De repente, estava diante de uma oportunidade única.


Como era sua rotina no navio?

Em geral eram dois shows no teatro (de aproximadamente 45 minutos) por noite e mais um ou dois sets no bar do cassino, ou no salão de dança; e, ainda, alguns dias em festas no deck da piscina. Também tínhamos muitos ensaios no início da temporada, que foram diminuindo e no final já não aconteciam mais. E fazia treinos de salvamento semanais obrigatórios para todos os tripulantes, mais dois treinos extras por mês e algumas reuniões do departamento de entretenimento.


Como fez para conciliar os compromissos com a prática budista?

Mesmo com tantos afazeres, eu tinha tempo livre. Então, recitava daimoku diariamente. Nesses sete meses não falhei no gongyo e nem no daimoku. E, pela internet, baixava e lia o jornal Brasil Seikyo e a revista Terceira Civilização. Também lia a Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin que, felizmente, levei comigo a bordo! (risos). A prática e o estudo do budismo foram verdadeiramente meu “barco para atravessar o mar dos sofrimentos”, para fazer a viagem com serenidade, positividade, e energia vital.


O músico conheceu diversos países da Europa na temporada

Um mês depois de embarcar no Zenith, Luciano iniciou um diário de bordo inspirado no Diário da Juventude do presidente Ikeda. Todos os dias, registrava nele as novas experiências, seus sentimentos e suas ideias. Outra iniciativa sua foi promover reuniões de palestra sobre o budismo no navio.


Como foram feitos esses encontros?

Eu imprimia o conteúdo para o estudo e colava cartazes pelo navio convidando os viajantes para as reuniões. No começo o comparecimento não foi como o esperado. Depois compareceram três pessoas, duas, nenhuma (risos). Independente de qualquer coisa realizava as atividades com toda disposição. Ensinei o daimoku para muitas pessoas e algumas realmente começaram a experimentar os benefícios da prática. A assistente da primeira diretora do cruzeiro, por exemplo, decidiu praticar. Colou o Nam-myoho-renge-kyo num papel na parede do escritório e a diretora, encantada com o budismo, recitou daimoku no sistema de som do navio em sua despedida e todos puderam ouvir a oração.


Você encontrou com outros membros da Soka Gakkai durante a viagem?

Em agosto conheci o maravilhoso Centro Cultural de Gênova da SGI-Itália e pude recitar o gongyo e o daimoku com alguns membros italianos que estavam lá. Foi emocionante! Como é maravilhoso ver os frutos da grandiosa luta de Ikeda sensei.


Você disse que recebeu uma inesquecível notícia nesse período. Qual foi?

Foi quando minha mãe, que era simpatizante do budismo, tornou-se membro da BSGI! Ela havia se comprometido a cuidar do meu Gohonzon, que ficara em sua casa. Por seis meses fez o gongyo e o daimoku diariamente e também lia os jornais e revistas da organização. O resultado não podia ser outro e, em 24 de outubro, ela se converteu. Que alegria! Que vitória!


A temporada acabou em novembro de 2015. Em resumo, como foi essa experiência?

Foi um grande aprendizado. Conheci muitos novos lugares (pelas minhas contas 29 cidades de 8 países). Estive cercado por música, mar, risadas e encordoamentos 

gastos; muitas responsabilidades e desafios; saudade de pessoas queridas e amadas. Porém, cresci como ser humano e, hoje, cultivo muito mais gratidão. Sem um mestre da vida, sem o budismo, sem o Gohonzon e sem a recitação abundante do Nam-myoho-renge-kyo, nada disso teria o mesmo sentido. Eu me sinto realizado e quero ir ainda mais longe, pois, o kosen-rufu não pode parar!


Vista de Veneza, Itália
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