O budismo é maravilhoso!
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O budismo é maravilhoso!

Francisco Carvalho, é das artes, do cinema, do teatro; é do povo

Carvalho, como é conhecido pelos amigos da BSGI, recebe a nossa equipe em sua residência, na Zona Norte de São Paulo, SP.

A casa está cheia: filhos, netos, genro, esposa, cachorro. Ele nos acomoda na sala e mostra numa pequena estante os prêmios que ganhou como ator. “São 21 novelas, 9 minisséries, 35 peças de teatro e 12 filmes”, diz com orgulho.


Ele que, recentemente esteve no elenco da novela O Outro Lado do Paraíso, se posiciona diante das câmeras. Estamos a postos. Prontos para gravar e conhecer o fundo de cena da história desse alegre piauiense que saiu da terra natal – como tantos atores – em busca de trabalho e reconhecimento na cidade grande, e assim o fez.


Você sempre quis ser ator?

Francisco Carvalho: Sempre, desde criança. É curioso porque não havia atores na minha família, mas eu tinha um desejo muito forte de me expressar. Ainda quando era menino lá no Piauí, ouvi falar sobre a faculdade de belas artes e fiquei fascinado! Pensava: “Vou fazer teatro, televisão e cinema em São Paulo. Tenho certeza de que vou, quero é ser ator!” Foi aí que decidi vir para São Paulo, em 1975. Não falei com ninguém sobre isso; ficou no meu coração. Então precisava vir de qualquer jeito! (risos).


Como conheceu o budismo?

Carvalho: Foi em 1989 com uma atriz. Estava numa situação muito ruim. Ela me ensinou o Nam-myoho-renge-kyo numa noite, durante os ensaios de uma peça de teatro. Quando cheguei em casa, recitei daimoku sozinho até a madrugada, e quando amanheceu, tive um grande benefício. Não parei mais! Praticar o budismo para mim quer dizer que, apesar de tudo, é possível enfrentar as nevascas. Quando estamos na batalha pela vitória significa que estamos transformando a própria vida. Essa coisa da revolução humana é genial e só o Budismo de Nichiren Daishonin na Soka Gakkai ensina isso.


O que mudou em sua vida com a prática budista?

Carvalho: Eu não tinha o entendimento que tenho hoje sobre a vida. Isso nada mais é do que compreender o dinamismo da vida e perceber que a sua grandiosidade está em meu coração. A gente enxerga que o benefício é a caminhada e não apenas o ponto de chegada. E mais! O ponto de chegada é, além disso, o ponto de partida para uma nova jornada. Então, tudo está em constante mudança. É preciso ter a mente iluminada para enxergar a vida dessa forma. E o budismo é o meu farol.


Então o budismo também é a base do seu trabalho?

Carvalho: Sem dúvida. Nós vivemos num mundo em que é muito comum as pessoas puxarem o tapete umas das outras, ou desrespeitarem os demais. Por essa razão, é tão importante para mim ter o budismo como base das minhas ações. E é natural que todos ao redor me observem e percebam que minha conduta é diferente. O artista Soka tem essa consciência e controla suas emoções, seus pensamentos, de forma sábia. Vivo me aprimorando, e fico feliz quando alguém me agradece por ter se encorajado com um incentivo meu. Ou então, quando me elogiam dizendo que estou sempre sorrindo. É gratificante. Digo que é porque sou um buda, e completo dizendo que ele também é buda! (risos)


O que mudou em sua percepção de arte?

Carvalho: Vou fazer cinquenta anos de carreira. Iniciei em 1969 e hoje vejo que estou totalmente diferente. Fiz muitos papéis nos anos 1970 e sempre estive em contato com a arte, mas nada tinha o significado que tem agora. Minha arte é pela vida! Quando comecei a praticar o budismo, minha mente se abriu. Passei a me corrigir e mudei as atitudes. Sinto que comecei a ver a vida com mais sensibilidade e isso reflete na minha arte.


Em algum momento se inspirou no budismo para interpretar um personagem?

Carvalho: Sim! Inclusive há poucos meses, no espetáculo Malefícios do Amor. São três personagens numa peça só. Eu me mantive concentrado para fazer esse trabalho. Sabe, a tranquilidade que tenho para atuar me dá a chance de pensar melhor. Estudo os textos de maneira profunda e isso faz toda a diferença do mundo! Do palco, por exemplo, percebo que consigo manter a atenção do público durante todo o espetáculo. Isso porque quem está ali não é apenas o ator Francisco Carvalho, mas sim o buda Francisco Carvalho! É… a tranquilidade de buda me ajuda a fazer qualquer personagem de maneira simples, autêntica. Na prática, isso quer dizer que as atribulações da vida não atingem a minha calma. É muito bom. Ah, mas ser budista do Budismo de Nichiren Daishonin é tuuudo!



*Confira a entrevista na íntegra na edição 2.432 do jornal Brasil Seikyo.
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