O legado do Sr. Makiguchi
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O legado do Sr. Makiguchi

O propósito da vida é a felicidade

Makiguchi iniciou sua carreira como educador numa época de grandes debates sobre a direção do novo Japão, em que se discutia o papel social e a responsabilidade da educação. Os tradicionalistas e confucionistas de sua época sustentavam que a fidelidade e a obediência eram virtudes primárias que deveriam ser dogmatizadas nos indivíduos. Já o educador, baseava sua filosofia educacional naquilo que chamava de “teoria da criação de valor”. O propósito da vida era a felicidade, que ele definia como sendo o estado em que a pessoa pode plenamente criar valor. “O ponto inicial e natural para compreender o mundo e nossa relação com ele é a comunidade (uma comunidade de pessoas, de terra e cultura) que nos dá origem. É essa comunidade que nos concede a própria vida e nos inicia no caminho para nos tornar as pessoas que somos. É ela que nos oferece a base como seres humanos, como seres culturais.”

A vida e a obra de Makiguchi permaneceram em oposição aos tradicionalistas, tanto no campo da educação como no da religião. “Para se reconstruir será necessário, em primeiro lugar, demolir”, dizia.

Na área educacional, em que, por falta de credenciais acadêmicas respeitáveis, entre outras razões, ele sempre permaneceu como um intruso, atacou consistente e abertamente os privilégios e bradava por uma reforma do sistema escolar, de cima para baixo, de forma que pudesse transformar a realidade das pessoas.


A Arte de Educar

Tsunesaburo Makiguchi desenvolveu os princípios da educação humanísticas baseado na sua teoria de criação valor, que abarca o belo, o bem e o benefício. O belo se associa aos valores sensoriais ligado a tudo que nos transmite prazer e alegria; o benefício se refere aos valores pessoais ligados à existência individual; e o bem, ao valor social está ligado à existência grupal coletiva.

No diálogo entre o escritor e filósofo francês René Huyghe e Daisaku Ikeda consta que o termo japonês ningen kakumei (revolução humana) foi mencionado pela primeira vez por Shigeru Nambara em um discurso como presidente da Universidade de Tóquio em 1947.

No entanto, foi Josei Toda quem tornou o termo conhecido no Japão: “Embora originalmente emprestado de uma fonte externa, foi Toda quem fez o termo ‘revolução humana’ ficar famoso no Japão, e Ikeda, quem tem promovido esta ideia globalmente. Hoje, o termo ‘revolução humana’ está firmemente associado ao processo de transformação interior realizado por meio da prática do Budismo Nichiren dentro da Soka Gakkai e da SGI. Este é o sentido no qual Ikeda quase sempre usa o termo”, cita Olivier Urbain.

O presidente Ikeda diz: “A revolução humana é um processo de ascensão de um modo de vida egoísta para um modo de vida orientado para a prosperidade da sociedade como um todo e de todas as criaturas vivas".


Capítulo “Meios Apropriados” do Sutra do Lótus

O Sutra do Lótus explica o potencial infinito da vida por meio de parábolas e descrições de acontecimentos surpreendentes. Shakyamuni achou melhor descrever a iluminação que ele atingira e ensinou-a com descrições da Cerimônia do Sutra do Lótus. Por essas razões, o Sutra do Lótus é denominado como o auge, o ápice dos seus ensinamentos. Dentre todos os 28 capítulos, o segundo capítulo, “Meios Apropriados”, é considerado o mais importante, ensinamento chamado também de ensinamento espontâneo.

A prática com base nos “Meios Apropriados” ajuda a clarificar a percepção sobre o que fazemos com nossas emoções e como escolhemos pensamentos, palavras e ações.

Lou Marinoff, professor de filosofia do City College de Nova York, em seu livro O Caminho do Meio, afirma que “Você tem de aprender a ser seu próprio farol. Ele está dentro de você e não fora de você. Muitas pessoas, talvez a maioria, não estão prontas para aceitar muitas responsabilidades por sua vida e subsistência. Aquelas que acreditam não ter responsabilidade pelo que pensam, dizem e fazem, têm o potencial para sofrer terrivelmente e causar enorme sofrimento à sua volta.”


Educação humana habilidosa

Makiguchi também insistiu que a educação requer técnicas especiais em todos os campos, assim como a medicina, a agricultura e a engenharia. Simplesmente despejar conhecimentos no vazio receptáculo do estudante ou desejar que seja edificado um caráter vago pela influência natural do professor não seria suficiente como uma ferramenta para uma educação apropriada, afirmava ele. São necessárias as técnicas, em outras palavras, os meios.

Com base nesse conceito, classificou os professores em três níveis: aqueles que não têm técnica; aqueles que têm técnica; aqueles que têm arte. Ele dedicou a vida a buscar uma forma melhor para contribuir para a felicidade das crianças, como descobrir sua habilidade, sua capacidade para criar valor, para que possam conduzir uma vida feliz; como abrir o portal para mostrar, despertar e ajudá-las a manifestar seu potencial individual.

A pedagogia de Makiguchi não era simples teoria, mas sim um sistema que surgiu da prática em sala de aula e também de seu amor pelas crianças e do apaixonado desejo de ajudá-las.



Fonte: Com base no livro A Arte da Educação Habilidosa , disponível na Pearl Livraria; Terceira Civilização, ed. 550, 14 jun. 2014; BS, ed. 2.241, 30 ago. 2014, p. C2

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