O poder transformador da mente de buda
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O poder transformador da mente de buda

No estado de buda, passamos a perceber as dificuldades como fonte de benefícios por manifestarmos uma condição de vida elevada

O que significa ter a mesma mente do Buda? Significa utilizar a mesma ferramenta e estratégia  de um buda para manifestar um estado de vida inabalável, uma condição mental capaz de suportar todas e quaisquer dificuldades. Este estado, além de fortalecer nosso interior, tem como propósito encorajar as pessoas e mudar a realidade.

O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda assegura: "Nossa tarefa é estabelecer um sólido mundo interior, um vigoroso senso de personalidade que não seja abalado pelas mais árduas circunstâncias ou pressionado pelas adversidades. Somente quando nossos esforços para transformar a sociedade tiverem como ponto de partida a reforma interior – a revolução humana – eles nos conduzirão com certeza a um mundo de paz duradoura e verdadeira segurança humana". Até aqui, já podemos perceber que a mente de um buda então visa uma mudança completa, tanto em nível interior quanto exterior.

Por que este ponto é tão importante compreender? Porque o Budismo de Nichiren Daishonin, tendo o Sutra do Lótus como referência de comportamento mental, deixa claro que toda mudança depende da própria pessoa.



Uma vez que somos os próprios agentes da transformação, Nichiren salienta: “Contudo, mesmo que recite e acredite no Myoho-renge-kyo, se pensa que a Lei existe fora de seu coração, o senhor não está abraçando a Lei Mística, mas um ensinamento inferior” (CEND, v. I, p. 3).

O que Daishonin quer dizer com isso? Quem produz os nossos benefícios somos nós mesmos. Em outras palavras, as mudanças dependem diretamente da nossa energia vital (estado de vida) e que a fonte da alegria ou do sofrimento não é outra se não o nosso próprio estado de vida.

Com isso, podemos dizer que um diferente nome para buda é “produtor de benefícios” e outro nome para o mortal comum é “criador de sofrimento". Isso se dá pelo fato de que nós, no estado de buda, passamos a perceber as dificuldades como fonte de benefícios por nos possibilitar manifestar uma condição de vida elevada que muda as circunstâncias. Neste ponto, as dificuldades são benéficas pois são por meio delas que manifestamos o estado de buda.

Mas, quando nos relacionamos com as dificuldades numa baixa condição de vida, passamos a crer que esses fenômenos são a fonte do meu sofrer. Dessa forma, encaramos os fenômenos como agentes que controlam a nossa felicidade.

Nichiren com sua sabedoria e compaixão, encontrou um modo prático para cada pessoa manifestar um estado de vida que ataca diretamente a maldade, transformando-a conforme o desejo de cada um. E esse caminho mais rápido e seguro é a recitação do Nam-myho-renge-kyo diante do Gohonzon.



Ter fé significa se dedicar ao exercício de manifestar o estado de buda diante das situações difíceis. Vamos compreender melhor este aspecto: Tenhamos em mente que fé é a mesma coisa que ação.

Que ação seria esta? É a ação de manifestar o estado de buda, manifestar um estado inabalável, acreditar que a energia vital de buda atinge os fenômenos e os transformam – essa é a ação da própria fé que funciona como uma onda, que não encontra obstáculos para atingir seu alvo.

A ação concreta da fé é mostrar para as pessoas que a prática budista transforma qualquer situação (a partir da minha prova real) e que essa mudança no real ocorre quando a mudança, em nível de estado de vida, ocorre no interior de cada um. Segundo o budismo isso é shakubuku. O ato do shakubuku é transmitir para as pessoas a convicção de que sua vida pode mudar a partir da oração diante do Gohonzon com o mesmo desejo do Buda de propagar a fé.



O Nam, do Nam-myho-renge-kyo, significa devotar-se. Mas devotar-se a quê? Ao meu estado de buda. Devoto-me, ou melhor, eu me esforço constantemente para que diante de qualquer situação adversa, tal dificuldade não produza desesperança, angústia, medo.

A grosso modo, podemos dizer que o significado no Nam-myho-renge-kyo é: dedicar-se à Lei Mística da simultaneidade de causa efeito para transformar os fenômenos. Ou seja, para que haja as mudanças dos fenômenos (kyo) é necessário que haja uma mudança interior (que se refere à mudança do estado de vida). Assim, mudando o aspecto interno, automaticamente ocorre a mudança do que está fora (renge); Eu me dedico (Nam) a uma lei que produz a energia vital capaz de fazer essas mudanças (myoho).

Recitar Nam-myho-renge-kyo diante do Gohonzon – com o objetivo de transformar minhas dificuldades para provar, para mim mesmo e para as pessoas que a prática do budismo é verdadeira – é a própria ação da fé, é a própria mente do buda, é o próprio juramento de um buda. Juramento este que consta no Sutra do Lótus e faz parte das nossas orações diárias, na parte final do gongyo sobre “como farei para que todas as pessoas também sejam felizes?”.

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Renato de Freitas Nunes é psicólogo clínico, responsável pelas 5 divisões da Comunidade Fongaro - RM Ipiranga, SP. É colaborador do Núcleo de Orientação Social da BSGI (NOS). Pratica o budismo há 32 anos.

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