“O que estão tentando nos dizer?”
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“O que estão tentando nos dizer?”

Os olhos das crianças estão sempre fixos no futuro, porque o amanhã é cheio de possibilidades

Os trechos a seguir foram extraídos do artigo Diálogo sobre Mães e Filhos no Século 21, de autoria de Daisaku Ikeda, presidente da SGI, publicado em série na revista Daisanbunmei entre 1999 e 2000.


Os olhos das crianças estão sempre fixos no futuro, porque o amanhã é cheio de possibilidades. Pais e professores não devem limitar o desenvolvimento desse potencial das crianças. O presidente Josei Toda costumava dizer que é perfeitamente natural os jovens sonharem alto. Porém, ele não dispensava os conselhos com base em experiências de vida. Espero sinceramente que respeitem ao máximo seus filhos.


No fim, são as crianças que determinam o próprio futuro. É importante, no entanto, que os pais conversem com elas sobre os caminhos que poderão tomar. Os pais certamente têm seu próprio modo de pensar, mas os filhos também têm o deles. Por essa razão, não devem menosprezar as crianças, impondo-lhes as próprias ideias. Para assegurar que as crianças sejam conduzidas na direção correta, é preciso manter abertos os canais do diálogo. Isso é fundamental para elas vencerem na vida.


Que tipo de sonhos proporcionamos às nossas crianças? Possibilitamos a elas visualizarem um grande futuro? Depende dessas questões a concretização de um futuro brilhante. O poeta John Milton afirmou que, assim como o amanhecer mostra como será o dia, a infância revela que tipo de ser humano a pessoa será quando crescer. De fato, a infância representa o “amanhecer da vida”. Que tipo de sementes vamos plantar e que tipo de luz lançaremos sobre elas? Conforme esses elementos, a vida poderá variar significativamente. É importante semearmos coragem no coração das crianças e cultivarmos essa semente com a luz do sol da esperança.


“O que elas desejam?"

O mundo das crianças é repleto de estímulos. Assim, é difícil dizer o que as motiva a crescer. Por outro lado, muitos são os elementos que podem arrastá-las à corrupção e ao mal. Precisamos ajudá-las a seguir o caminho correto, do desenvolvimento e do bem, sendo bons amigos. A chave se encontra em lhes oferecer oportunidades e em motivá-las a crescer plenamente.


Os pais precisam reconhecer o caráter dos filhos desde tenra idade. Se forem capazes disso, não se surpreenderão quando as crianças passarem pela “fase de rebeldia”. Mesmo que os problemas não sejam aparentes, os pais conseguirão detectar facilmente algo anormal, observando pequenos sinais no comportamento e no tom da voz dos filhos.


Se as crianças têm de obedecer a tudo o que os pais pedem que façam, crescerão como robôs e serão malsucedidas na sociedade. O desejo de muitos pais é moldar as crianças à imagem por eles idealizada. Na realidade objetiva, as coisas não acontecem exatamente como desejam. Não devem olhar para elas de uma perspectiva subjetiva. Ao contrário, precisam manter a objetividade. Por mais afeto que os pais acreditam que os filhos precisam receber, o mais importante é como as crianças realmente se sentem. A satisfação dos pais não corresponde à satisfação dos filhos. Se os pais não enxergarem as divergências entre eles e as crianças, cedo ou tarde pensarão arrependidos: “Não era assim que eu imaginava que seria!”.


As crianças nem sempre obedecem aos pais, os quais devem reconhecer esse fato e ampliar a compreensão. Toda sensei costumava dizer aos pais: “Os senhores precisam elevar a condição de vida. Se a todo momento brigam com os filhos, isso significa que a condição de vida dos senhores está baixa”. Há razões para as crianças resmungarem, desobedecerem e terem acessos de raiva. Por não conseguirem articular seus sentimentos, procuram um escape para extravasar suas emoções. Precisamos tentar compreender o coração e a mente delas, perguntando a nós mesmos: “O que elas desejam? O que estão tentando nos dizer?”.


Grande potencial

Precisamos ser mais sensíveis para entender o que se passa com as crianças. É fundamental nutrirmos suas esperanças, ajudando-as a se desenvolver. Como? Acreditando sempre no grande potencial que elas possuem e orando sinceramente pelo seu crescimento. A educação no lar começa com os laços de confiança entre pais e filhos. Se ficarmos presos à nossa reputação e a questões superficiais, seremos eternamente indivíduos inseguros, sem base, facilmente influenciados por fenômenos externos, e não faremos progresso algum. Necessitamos, em vez disso, nos manter resolutos e direcionar tudo à felicidade. O que nos possibilita fazer isso é o poder da fé.


É difícil pais e filhos se entenderem completamente por serem de gerações diferentes. Além disso, as crianças crescem e mudam a cada dia. Mesmo que o desejo dos pais seja o de que os filhos permaneçam do mesmo jeito, não podem se deixar levar por esses sentimentos. Os pais algumas vezes lamentam: “Meu filho não era assim”. Mas essa reação indica que eles falharam em notar as mudanças nos próprios filhos. Pais e professores devem procurar reconhecer essas mudanças nas crianças. Se tiverem isso como ponto de partida, poderão desenvolver a compreensão recíproca.


Os presidentes Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda sempre, com lágrimas nos olhos, encorajavam os companheiros que passavam por dificuldades. Consideravam os sofrimentos dos outros como se fossem os próprios. A maior alegria deles era ver as pessoas que haviam encorajado superando o destino e dando nova partida na vida. Essa é a nobre tradição da Soka Gakkai. Vivo até hoje, apesar da minha saúde frágil, por causa da oração resoluta e do encorajamento de Toda sensei, que frequentemente me dizia: “Não deixarei que você morra!” ou “Não morra jovem!”. Nosso sincero desejo de querer ajudar os amigos a superar os sofrimentos e a serem felizes instila coragem e esperança na vida deles e na nossa, abrindo assim o grande caminho da felicidade mútua. Esse é o modo de vida que brilha com a suprema humanidade. O mesmo se aplica aos pais e professores quanto à educação das crianças. Precisamos ouvir cada uma e compartilhar os desafios para ajudá-la a vencer as dificuldades. Essa atitude deve ser o ponto de partida de todos os nossos esforços.


Fonte: 
Brasil Seikyo, ed. 2.410, 10 mar. 2018, p. E4
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