O significado do caminho correto de vida
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O significado do caminho correto de vida

A grande filosofia budista é como o sol a iluminar a escuridão da vida e da morte

Com base na parte 10 da série A Grande Marcha da Canção do Triunfo do Povo republicada pelo jornal Brasil Seikyo.


Conheci o Sr. Josei Toda, grande mestre da luta pelo kosen-rufu, na noite anterior ao segundo ano do fim da Segunda Guerra Mundial. Nosso primeiro encontro aconteceu no dia 14 de agosto de 1947. Eu estava com 19 anos e um assunto me incomodava muito nessa época.


Esse assunto era a respeito de encontrar o caminho correto de vida. E finalmente encontrei-me com o grande filósofo capaz de responder às minhas indagações com extrema clareza.


A resposta do meu mestre foi clara e direta:

— Na longa jornada da nossa vida, experimentamos inúmeros e difíceis problemas.


E concluiu que se não solucionar a dúvida sobre a questão básica do nascimento, envelhecimento, doença e morte, não encontrará o caminho correto de se viver.


E o mestre continuou:

— O buda Nichiren respondeu à difícil questão sobre a vida, dando uma solução para essa questão. Você é jovem, deve experimentar a prática dessa maravilhosa filosofia. Eu acreditei nas palavras do senhor Toda e me converti ao Budismo de Nichiren Daishonin no dia 24 de agosto de 1947. E banhado pela sua benevolência, vivi uma trajetória digna e correta na minha vida juntamente com meu mestre e meus estimados amigos. Sou infinitamente grato por tudo isso.


A arte de superar os quatro sofrimentos básicos da vida

Ninguém está livre dos sofrimentos de nascimento, envelhecimento, doença e morte. Esta é a realidade da vida.


Por isso, é extremamente encorajador fazer a trajetória de vida de acordo com a grande Lei que permeia todo o universo.


Minha esposa e eu temos uma amiga em comum, uma integrante do Grupo Shirakaba (enfermeiras). Ela é uma das pioneiras do grupo. Mesmo condenada a uma grave doença, jamais deixou de estudar os escritos de Nichiren Daishonin. Em especial, uma frase ficou gravada em sua vida:

“Enquanto estivermos vivos, devemos continuar recitando Nam-myoho-renge-kyo. Então, se continuarmos recitando até o momento de nossa morte, Shakyamuni, Muitos Tesouros e os budas das dez direções virão imediatamente ao nosso encontro, exatamente como prometeram na cerimônia no Pico da Águia. Eles nos estenderão suas mãos e nos carregarão em seus ombros até o Pico da Águia”.


Conforme explicita essa frase, ela recitou a Lei Mística até o ultimo momento da sua vida com ardente paixão pelo cumprimento da sua missão e seguiu serenamente ao Pico da Águia. Seus familiares também seguem o mesmo caminho herdando seu coração e avançam vitoriosamente.


Ser atencioso e dedicado

O grande historiador britânico Arnold Toynbee afirmou sobre ficar livre dos sofrimentos de nascimento, envelhecimento, doença e morte, o seguinte: “Acredito que não há outra forma, a não ser abraçar uma religião”.


E acrescentou que é necessário que cada pessoa seja atenciosa e dedicada ao amar o próximo e também aja assim visando a felicidade dos outros, além de “possuir o forte espírito que permita libertar-se do egocentrismo como buscar algo além da sua compreensão”.


Tenho certeza que essa afirmação se refere aos companheiros Soka que vivem o grande drama do kosen-rufu, abraçando a imutável Lei Mística e incentivando a pessoa que está diante dos seus olhos.


O brilho da eternidade, felicidade, verdadeiro eu e pureza

Para simbolizar a dignidade da vida, o Sutra do Lótus descreve o emergir da terra de uma esplendorosa Torre de Tesouro.


Nichiren Daishonin escreve no Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente que as quatro faces desta torre representam os quatro sofrimentos de nascimento, envelhecimento, doença e morte. A Torre de Tesouro da nossa própria vida é, na verdade, dignificada por meio dos quatro sofrimentos de nascimento, envelhecimento, doença e morte.


Quando recitamos a Lei Mística, a vida mutável de nascimento, envelhecimento, doença e morte passa a ser envolvida pelo vento aromático da ‘eternidade, felicidade, verdadeiro eu e pureza’.


Somos todos mortais comuns de carne e osso. Por isso, é natural que fiquemos doentes ou que percamos certos movimentos devido à idade.


Contudo, nossa vida em si é a Torre de Tesouro de máxima dignidade. Nunca devemos nos distanciar do daimoku haja o que houver — ao agir assim, transformamos nascimento, envelhecimento, doença e morte em eternidade, felicidade, verdadeiro eu e pureza. Isso torna marcante cada momento da vida cotidiana e, por fim, fazemos brilhar a nossa torre e a de outras pessoas.


O significado da oração aos falecidos

Orar pelos falecidos significa oferecer benefícios e “causas” boas que acumulamos aos que já faleceram. Isso contribui para a felicidade delas.


As cerimônias de gongyo que realizamos diariamente e as atividades que nos empenhamos em participar e promover são nobres formas de oferecer oração aos falecidos.


A tristeza sentida pela perda de um ente querido não se dissipa facilmente. Contudo, pensando mais a fundo, nós não podemos permanecer ao lado dos entes queridos durante as 24 horas do dia. Mas a vida da pessoa falecida permanecerá para sempre junto a você, no fundo do seu coração, como um único corpo.


O recitar do seu daimoku pronunciado com alegria e satisfação envolve os falecidos na forma de boa sorte e benefício. O seu avanço repleto de esperança torna-se a luz que ilumina o futuro do falecido. Tanto os falecidos quanto os vivos, juntos, alegram-se e juntos tornam-se felizes. Esse é o verdadeiro significado da oração para os falecidos no grandioso budismo.


Vamos garantir “cem anos de paz”

“Uma cultura que quer distância da morte” — assim é conhecida a era atual. Se desviar sua atenção da questão da vida e da morte criará um viveiro coberto e propício para menosprezar a vida e por consequência fomentará a indiferença em relação ao ser humano.


Em A Prática dos Ensinamentos do Buda [escrito de Nichiren Daishonin], que li no início da minha prática budista e que tocou profundamente meu coração, consta: “O mundo será como foi nas eras de Fu Xi e Shen Nong. Nesta existência, as pessoas serão libertadas dos infortúnios e aprenderão a arte da longevidade. Estejam certos de que chegará a época da revelação da verdade de que tanto a pessoa quanto a Lei jamais envelhecem e jamais morrem”.


Pensando numa era pacífica, sem guerras e sem conflitos, na formação de uma legião de pessoas invencíveis por desastres e sofrimentos; e visualizando a época em que a humanidade resolverá todos os impasses da vida e da morte e viverá gloriosamente a vida de felicidade e de longevidade, Nichiren Daishonin confiou-nos o grande ideal do kosen-rufu.


O sol a iluminar a escuridão

A grande filosofia budista que juntos propagamos será o sol a iluminar a escuridão da vida e da morte. O laço de apoio mútuo que estendemos amplamente se tornará a base para a construção da sociedade de convivência harmoniosa.


Este ano [2014] marca o centenário do início da Primeira Guerra Mundial. Chegou a hora de transformar o destino da humanidade e desbravar e garantir ‘cem anos de paz’.


Nós somos protagonistas do movimento de expansão da mentalidade que dignifica a vida.


Por isso, convido todos vocês a avançarem pelo caminho correto da vida que garante a construção da felicidade de si e dos outros.


Em harmonia e alegria, sigam juntos com seus companheiros de luta da localidade. Incentivem-se mutuamente e estendam o abraço de esperança unidos aos amigos do mundo inteiro.


Nós possuímos a chave

Para libertarmo-nos da

Questão do nascimento,

Envelhecimento, Doença e morte.

Vamos abrir o mundo da

‘Eternidade, Felicidade, verdadeiro eu

E pureza’.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.241, 30 ago. 2014, p. B3
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