Precisamos contar a história das mulheres
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Precisamos contar a história das mulheres

As mulheres realizaram imensas contribuições para a criação de uma sociedade humana e pacífica

Com base em discurso proferido em uma conferência de líderes da Divisão Feminina realizada em Shinjuku, Tóquio, no dia 10 de fevereiro de 2006, com a presença da Sra. Kaneko e várias representantes do exterior.


O Comitê de Paz das Mulheres da Soka Gakkai está atualmente patrocinando os fóruns Cultura de Paz, que estão recebendo uma resposta extremamente positiva em todo o Japão. Muitos participantes sentiram-se comovidos pelos relatos de experiência contados pelos membros nessas reuniões, os quais relatam como triunfaram sobre as dificuldades do inverno da vida com base na fé para fazer com que as flores de esperança e alegria desabrochem na família, na comunidade e em toda a sociedade. Os convidados que participaram dos fóruns tiveram uma reação bastante positiva, falando muito bem das várias pessoas excelentes que encontraram na Soka Gakkai e expressando o desejo de procurar igualar-se em força e determinação na forma como os membros da Soka Gakkai vivem.


Atuando como palestrante em um dos fóruns realizados recentemente na cidade de Kisarazu, na Província de Tiba, o professor Ako Kato, da Universidade de Seiwa, especialista em Literatura Chinesa, compartilhou as seguintes impressões:

“Ao participar do fórum de hoje, fiquei impressionada com a maneira como as integrantes da Divisão Feminina da Soka Gakkai estão em busca não apenas de sua própria felicidade mas também contribuem ativamente para a comunidade. Muitas mulheres de hoje parecem melancólicas e deprimidas, mas o rosto das integrantes da Divisão Feminina da Soka Gakkai estão alegres e radiantes. Todas elas são belas.


"Estou sempre tentando fazer com que meus alunos entendam a importância de acreditar em algo. Fiquei muito comovida com a maravilhosa filosofia Soka, que sinto ter muito em comum com o confucionismo.”


Sou profundamente grato pelas amáveis palavras do professor Kato.


Construindo uma sociedade humana

A Dra. Elise Boulding, pioneira ativista americana da paz com quem eu publiquei um diálogo, também tem os melhores elogios e expectativas pelas atividades das integrantes da Divisão Feminina voltadas para a paz. “A força das mulheres é o que movimenta o mundo”, observou ela, dizendo ainda ter certeza de que um número cada vez maior de mulheres despertará para seu papel de construtoras de uma cultura de paz.


Em nosso diálogo, a Dra. Boulding falou da importância de observar a história da humanidade do ponto de vista das mulheres:

“Precisamos contar a história das mulheres. Quando os homens vão para a guerra, as mulheres e as crianças ficam em casa. A história da Europa mostra que os hospitais surgiram com as mulheres como uma forma de organizar os cuidados das crianças e dos feridos. As mulheres criaram as instituições e escolas porque tinham tempo para ensinar às crianças”.


As mulheres realizaram imensas contribuições para a criação de uma sociedade humana e pacífica.


Levando em consideração as próximas sete gerações

Também falamos sobre o papel que as mulheres e sua sabedoria tiveram na Confederação Iroquesa, uma liga política entre os povos nativos americanos que viviam na região nordeste dos Estados Unidos, antes de o país ter sido fundado. Formada por diferentes nações de nativos americanos, a Confederação Iroquesa, sob uma constituição conhecida como a Grande Lei de Paz, desenvolveu uma sociedade democrática altamente avançada, a qual exerceu até mesmo influência na Constituição americana e no formato de união federativa dos Estados Unidos. Consta que essa influência estendeu-se posteriormente para as visões contemporâneas dos direitos humanos, incluindo a Carta das Nações Unidas.


Ao tomar decisões, os iroqueses tinham por tradição levar em consideração o impacto que elas teriam sobre as próximas sete gerações. O sistema iroquês de governo democrático era a consumação da sabedoria tradicional forjada na busca para assegurar a paz e a prosperidade duradouras.


É notável entre as políticas iroquesas a importância do papel das mulheres. Por exemplo, era da responsabilidade das mulheres escolher o chefe de suas respectivas nações. E se esse chefe, depois de eleito, abusasse de seu poder, as mulheres tinham autoridade para impugná-lo e destituí-lo de sua posição. O homem que fosse tirado do poder não poderia mais assumir funções públicas novamente.


Além disso, nenhuma guerra poderia ser declarada com a oposição das mulheres. As opiniões das mulheres tinha enorme influência sobre importantes decisões políticas da Confederação Iroquesa.


Ouvindo as mulheres

Eleanor Roosevelt teve um importante papel no esboço da Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas. Ela fez a seguinte observação: “Se as mulheres realmente compreenderem as questões, elas provavelmente falarão com mais eficácia com seus vizinhos que qualquer homem”.1


Ela também declarou: “Muitas mulheres, creio, (...) concordariam que atender às necessidades dos outros não é mesmo um fardo; é isso o que torna a vida digna de viver. Essa é provavelmente a mais profunda satisfação da mulher”.10 E disse ainda: “As mulheres de hoje parecem ser capazes de conseguir se ajustar às condições e aos conceitos de um mundo em mutação mais facilmente que os homens”.2


Não poderia deixar de concordar com as observações da Sra. Roosevelt. As mulheres e as mães são a fonte de força que capacita qualquer grupo ou sociedade a perdurar. Somente valorizando e ouvindo as opiniões das mulheres e as vozes das mães é que se consegue conquistar a vitória e a prosperidade. Gostaria de dar início a mais reformas na Soka Gakkai, em todos os níveis, para garantir que as mulheres tenham oportunidades iguais de expressar suas opiniões livre e plenamente.


As integrantes das Divisões Feminina e Feminina de Jovens estão se empenhando ainda mais arduamente em prol do kosen-rufu que qualquer outra pessoa. Vocês não devem permanecer em silêncio quando os dirigentes do sexo masculino não reconhecerem isso e desprezarem ou rebaixarem suas contribuições. Espero que todas vocês, sábias mulheres da Soka Gakkai, apontem rigorosamente os erros de qualquer pessoa assim.


A escritora francesa George Sand (1804–1876) escreveu: “Chamar a atenção para o mal é combatê-lo”.3 Por favor, não ignorem o mal nem a injustiça quando presenciarem-nos. Essa falta de ação torna vocês cúmplices na má ação. Isso foi também o que o presidente Makiguchi ensinou.


A poetisa brasileira Cora Coralina escreveu:

“Semeia com otimismo

Semeia com idealismo

As sementes vivas da Paz e da Justiça”.4


O Budismo da Semeadura

Em Como Aqueles que Inicialmente Aspiram ao Caminho Conseguem Atingir o Estado de Buda por meio do Sutra do Lótus, uma carta enviada para a monja leiga Myoho, seguidora que manteve uma firme fé por toda a vida, Daishonin declara:

“É preciso persistir de todas as formas na pregação do Sutra do Lótus e fazer com que [as pessoas de hoje] ouçam-no. Aqueles que tiverem fé nele com certeza atingirão o estado de buda, ao passo que as pessoas que o caluniarem estabelecerão uma ‘relação do tambor de veneno’5 com ele e da mesma forma atingirão o estado de buda.


“De qualquer forma, as sementes do estado de buda não existem em nenhum lugar separado do Sutra do Lótus”.


Ele também declara:

“Embora as pessoas não lhe dêem atenção [ao Sutra do Lótus] ou digam que não é adequado para sua capacidade, deve-se no entanto persistir em expor-lhes o título de cinco caracteres do Sutra do Lótus, pois não há outra forma além dessa de atingir o estado de buda”.


O Budismo de Daishonin é o Budismo da Semeadura. Há duas maneiras de plantar as sementes da Lei Mística: deixar que as pessoas ouçam o ensino e fazer com que as pessoas despertem para a fé no ensino. Os benefícios das duas atividades são ilimitados e imensuráveis. Mesmo que as pessoas para quem vocês estão apresentando o budismo o rejeitem, sem dúvida já plantaram a semente da Lei Mística, a semente da felicidade, bem fundo na vida dessas pessoas. Quando chegar o momento certo, a capacidade das pessoas amadurece e essa semente com certeza, germina.


Fonte: 
Brasil Seikyo, ed. 1.846, 3 jun. 2006, p. A3
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Notas:

1. Eleanor Roosevelt, The Wisdom of Eleanor Roosevelt (A Sabedoria de Eleanor Roosevelt). Nova York, Citadel Press, 2003, pág. 65.
2. Eleanor Roosevelt, You Learn by Living (Você aprende vivendo), pág. 78.
3. George Sand, Œuvres autobiographiques (Escritos autobiográficos). Paris, Gallimard, 1970, vol. I, pág. 667.
4. Cora Carolina, “Mascarados”, Folha de S. Paulo, 7 de abril de 2001.
5. Relação do tambor de veneno: relação inversa, ou relacionamento formado por meio da rejeição. Laço formado com o Sutra do Lótus pelo fato de ter-se oposto a ele ou por tê-lo caluniado. Aquele que se opõe ao Sutra do Lótus quando este está sendo pregado formará ainda assim uma relação com ele por virtude da oposição, e desse modo atingirá o estado de buda posteriormente.

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