“Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”
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“Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”

De modo geral, como responsáveis pelas mudanças, nosso papel é realizar a revolução humana

O título acima tem caráter provocativo. Esta frase foi mencionada por Sigmund Freud (1856-1939), pai da psicanálise, a uma paciente com a intenção de propor reflexões de que aquilo que ela se queixava, teria de alguma forma, sua permissão, sua responsabilidade.


E por que então usar esta frase como título do artigo?


Temos como hábito, seja em rodas de conversas no trabalho, nos bares, nas redes sociais, e às vezes nas atividades da Gakkai, culpar o governo, o chefe, o fulano, os vizinhos, os políticos de todas as nossas mazelas da vida. Cruzar os braços e ficar apenas apontando culpados seja de ordem pessoal ou social é, sem dúvida, um caminho para a infelicidade.


Daisaku Ikeda comenta que “É inútil querer mudar as circunstâncias sem mudar a si próprio. Para se conquistar a felicidade e acumular boa sorte é preciso optar pelo caminho da revolução humana”, e salienta ainda: “Não culpe os outros nem seu ambiente por seus problemas. Se concentre em mudar a si mesmo” (Terceira Civilização, ed. 455, 1 jan. 2006, p. 3).


Daí entra a famosa frase freudiana: “Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”. Como podemos, de acordo com a visão do budismo, nos responsabilizar pela desordem da qual eu me queixo?


O primeiro passo deve ser dado justamente em relação a assumirmos que aquilo que me queixo só mudará partir da minha própria mudança e que os efeitos dessa mudança proporcionarão a mudança da sociedade. A famosa frase do presidente Daisaku Ikeda “A grandiosa revolução humana de uma única pessoa, um dia, impulsionará a mudança total de destino de um país e, além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade” (Brasil Seikyo, ed. 2.314, 5 mar. 2016, p. A8) aponta para esta direção.


De modo geral, como responsável pelas mudanças, meu papel é realizar a revolução humana, tendo como objetivo a propagação dos ideias budistas da dignidade da vida, visando uma transformação da sociedade. Podemos chamar este ato de shakubuku. O escrito de Nichiren Daishonin Estabelecer o Ensinamento Correto para a Pacificação da Terra (CEND, v.1) apontará que as mazelas individuais e sociais ocorrem porque as pessoas vivem por crenças que não respeitam a dignidade da vida, que prezam apenas a individualidade e desprezam o estado de buda inerente em todas as pessoas.


Na explanação do presidente Ikeda sobre o escrito mencionado acima, ele dirá que “O Sutra do Lótus é um ensinamento que descobre a infinitamente sublime natureza de buda existente na vida de cada pessoa. A luz desse valor, qualquer outro pensamento que ensine a dignidade da vida merece igualmente respeito. Em contrapartida, jamais devemos aceitar uma filosofia que renega a dignidade da vida. Este é o verdadeiro espírito da tolerância e da compaixão”.

Vamos sair da posição de culpar os outros e assumir a nossa responsabilidade de propagar os ideais do buda. Assim sendo, mudar a vida de um único ser humano é o caminho mais rápido para mudar a sociedade. Nesse sentido, podemos afirmar que a SGI é um local para treinar pessoas capazes de realizar esta mudança que tanto almejamos. Dedique-se a sua revolução humana. Assuma a responsabilidade pela sua felicidade e a das pessoas. Levante-se só como aquele que assumirá o papel da mudança de toda a sociedade.

Na posição de discípulo de Ikeda sensei, tendo sua vida como referência de prática budista, vamos sair de trás das telas de computadores, dos aplicativos dos celulares, arregaçar as mangas e nos esforçar pela nossa própria revolução humana; viver e nos dedicar à atividades que produzam energia vital como as reuniões da Soka Gakkai; recitar daimoku, fazer visita, atuar no bloco e realizar shakubuku. Dessa forma, assim como Ikeda sensei, poderemos mudar a sociedade demonstrando a nossa vitória pessoal e, por meio do nosso comportamento e caráter, conduzir todas as pessoas à iluminação. "Toda sensei me disse: 'Fechar os olhos à infelicidade da sociedade, trancar-se no mundo da religião e apenas recitar daimoku de forma pacífica e tranquila são atitudes contrárias ao espírito de Daishonin'. Acabar com a miséria deste mundo, acabar com a infelicidade e construir uma sociedade de paz, defendendo os direitos humanos e a dignidade do ser humano, constituem a prática do budismo" (Brasil Seikyo, ed. 2.368, 22 abr. 2017, p. A3 ), diz o Mestre.

Nosso papel como discípulo é transmitir esperança. Vamos acalentar o coração das pessoas que mais sofrem, afinal: "Aqueles que mais sofrem merecem se tornar as pessoas mais felizes de todas — este é o espírito do genuíno empoderamento propiciado pelos ensinamentos do Budismo de Nichiren Daishonin, a essência do coração de Daishonin, e a grande filosofia humanista da Soka Gakkai" (Brasil Seikyo, ed. 2.370, 6 maio 2017, p. B1)

Então, se esse é o coração da Soka Gakkai, esse também deve ser o nosso. Sejamos o agente transformador daquilo que nos queixamos.


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Renato de Freitas Nunes, tem 36 anos, é psicólogo clínico. Na BSGI é responsável pelas 5 divisões da Comunidade Fongaro; RM Ipiranga; Coordenadoria Geral do Estado de São Paulo; Coordenadoria Norte-Sul. É colaborador do Núcleo de Orientação Social da BSGI (NOS). Pratica o budismo há 32 anos.

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