Sonhar alto e vencer
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Sonhar alto e vencer

“Determinei que viveria por um grande ideal de vida.”

Henrique Kazuya, 1º tenente engenheiro da Força Aérea Brasileira (FAB), graduado pelo ITA, fala de como o significado que deu para a sua própria vida o impulsionou a voar rumo ao infinito.

O jovem pode ter sua vida resumida na palavra dedicação. Como 1º tenente engenheiro da Força Aérea, o profissional brasileiro, descendente de japoneses coordena uma equipe no Centro Logístico da Aeronáutica. Em entrevista ao SeikyoPost, ele falou sobre a sua vida de dedicação e nos ensina que o esforço nunca mente.


Ainda tímido, ele responde a primeira pergunta: como você aplica  os ensinamentos do budismo em seu trabalho?
No meu setor, analisamos as peças que serão utilizadas nesses aviões. É algo que exige muita responsabilidade. A equipe que coordeno é formada por vários profissionais que são mais experientes que eu. Nesse sentido, busco aplicar o que aprendo nas atividades da BSGI que é prezar cada pessoa e assim procuro incentivar cada funcionário a dar o melhor de si em sua função. 

Como foi passar parte da infância longe dos pais?
Meus irmãos e eu ficamos sob os cuidados dos avós maternos e, quando possível,  conversávamos com nossos pais, por telefone ou via internet.  Sempre fomos muito ligados, em especial eu com minha mãe. Apesar da distância, aprendi a valorizar o esforço que eles faziam para nos oferecer uma melhor condição de vida. Hoje tenho muita gratidão a eles e quero retribuir em dobro. Com o budismo e as orientações de Daisaku Ikeda descobri uma nova maneira de pensar e de transformar todo o sofrimento em alegria e as todas dificuldades em trampolim para uma vitória ainda maior. 

Nota do editor: Os pais de Kazuya se conheceram nos bastidores de um festival de jovens da BSGI em 1990, em São Paulo. Nessa época, ambos praticavam o budismo de Nichiren Daishonin. Cinco anos depois, com dois filhos pequenos e um prestes a nascer, o casal enfrenta uma crise financeira que desestabiliza o relacionamento. O pai parte para o Japão, em busca de melhores condições de vida e a mãe vai para lá três anos depois; o casal se separa.

Você foi bastante incentivado pela família a estudar e se dedicou bastante a isso. Quando decidiu seguir carreira na Aeronáutica?
Foi quando estava terminando o ensino médio, em 2008. Minha meta era cursar uma faculdade pública e decidi fazer cursinho. Quando os resultados dos vestibulares saíram, fui aprovado em duas faculdades públicas, porém, onde eu queria mesmo – o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) – não passei nem perto! Ainda insatisfeito, resolvi que faria novamente a prova no ITA no ano seguinte. O mais difícil foi convencer minha mãe de que eu não estudaria nas faculdades que me aprovaram e que faria cursinho por mais um ano para entrar no Instituto! (risos)

Como você conta, outro desafio foi custear o cursinho. Como conseguiu fazer isso? 
Os incentivos dos familiares e amigos da BSGI foram a minha motivação.  O valor da mensalidade era alto, difícil de pagar. Então, fiz  prova para concorrer a uma bolsa de estudos e recitei sincero Nam-myoho-renge-kyo com o desejo de ter sabedoria e boa sorte para ser aprovado. Com muito esforço, dedicação nos estudos e sabedoria fui contemplado com 90% de desconto na mensalidade!

Você chegou a estudar doze horas por dia para entrar no ITA. Como foi ver o seu nome na lista de aprovados?
Ser aprovado no ITA foi o meu presente para o meu mestre, Daisaku Ikeda, e para minha família. Isso porque com as orientações do meu mestre determinei que viveria por um grande ideal de vida. E isso foi fundamental para a minha vitória. Eu me lembro que as provas duraram quatro horas e nesse período, minha família ficava em casa recitando Nam-myoho-renge-kyo para que eu tivesse a máxima sabedoria durante a resolução das questões, por isso quando soube que tinha passado a comoção foi geral. Todos festejaram comigo!

No ITA, você começou uma nova etapa. Como se adaptou à mudança? 
Tive de me mudar para São José dos Campos, SP. Logo, surgiu um novo desafio porque no primeiro ano do curso, os  alunos realizam treinamentos militares com remuneração. Mas, no segundo ano não. Novamente recorri à prática budista em busca de uma solução e para a minha surpresa fui contemplado mais uma vez, por seleção, com uma bolsa que cobriria os meus gastos!

No terceiro ano do curso você optou por ingressar na Força Aérea Brasileira (FAB). O que mudou depois disso? 
Tudo! Eu queria algo que me fizesse crescer profissionalmente. E além do mais, essa foi uma escolha que transformou minha condição financeira, possibilitando trazer minha mãe de volta para o Brasil e que ela fizesse ainda seu sonhado curso de pedagogia. Muita coisa mudou. Posso fazer visitas e falar sobre o budismo com mais pessoas, por exemplo minha namorada. Antes não sobrava tempo para quase nada. Tudo era cronometrado (risos). Contudo, o que aprendi é que quando colocamos a prática do budismo como prioridade conquistamos uma condição de vida em que todos os obstáculos são transformados positivamente e nos impulsiona para a vitória.

Qual foi o seu maior aprendizado durante esse período?
Meu maior benefício foi compreender que não existe limites para uma pessoa que possui um grande ideal de vida, uma filosofia correta e um mestre que lhe inspire a ilimitadas conquistas. Hoje meu objetivo é ensinar a mais e mais pessoas sobre o poder que existe dentro delas. E que a recitação do Nam-myoho-renge-kyo é a fonte de toda sabedoria e boa sorte que existe no universo. Quando se alia essa prática budista a um grande grande sonho todos os objetivos podem ser conquistados. E assim, podemos, de fato, construir um mundo melhor a partir da nossa mudança interior.



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