Tudo parte de você
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Tudo parte de você

"A gente pratica o budismo para transformar o impossível em possível"

“O budismo me chamou atenção porque me fez compreender que tudo parte de dentro para fora. Tudo parte de mim”, cita Leo Matsuda assim que iniciamos a conversa.

Nós nos encontramos pela manhã em uma cafeteria em Los Angeles, EUA, para falarmos sobre o mais recente trabalho do animador da Walt Disney Animation Studios. Leo dirigiu o curta-metragem Trabalho Interno, que acompanhará a nova animação da Disney Moana – Um Mar de Aventuras, que estreia no próximo dia 5 no Brasil.

Há 13 anos morando nos Estados Unidos, o brasileiro conta sobre os desafios que enfrentou assim que chegou ao país norte-americano: “Quando iniciei a prática passava dificuldades com meu visto e quando assumi a responsabilidade dos meus problemas, tudo se resolveu. Mudei a minha vida completamente. Consegui o visto e transformei aquele sofrimento em missão”. Leo se estabilizou e logo começou a estudar novamente. Isso fez surgir oportunidades de trabalho em grandes produções e o diretor até mesmo ganhou o prêmio mais importante de animação, o Annie Award.

A dedicação no trabalho e às atividades da Soka Gakkai se destacam na jornada do diretor e durante a entrevista ele demonstra como tem feito, há 8 anos, a prática budista a base de sua vida.


Como você aplica o budismo no trabalho?

Meu trabalho é superconcorrido, mas com a prática budista não vejo isso como competição. As pessoas ao meu redor me estimulam e me inspiram a ser a melhor versão de mim. Foi por meio das orientações de Ikeda sensei que aprendi a não me comparar com as pessoas e cultivar a minha individualidade. Todo mundo tem algo especial e precisa encontrar a sua missão.


De que forma o treinamento na Soka Gakkai o auxiliou em sua vida profissional?

Sou uma pessoa introvertida, mas por ser líder na organização e estar sempre me desafiando, naturalmente acabei desenvolvendo a minha vida nesse sentido.

Hoje, lidar com a timidez é mais fácil para mim e isso se traduz em meu trabalho também. Já tive de falar na frente de muitas pessoas, por exemplo, e essa coragem eu aprendi a ter na Gakkai. Além disso, procuro me policiar por meio do treinamento no Grupo Sokahan. Aprendi a mostrar resultado no meu local e no momento presente para encorajar as pessoas. Fui incentivado a ser um bom líder, que respeite a sua equipe, e que não haja por impulso, mas com benevolência. A cada dia procuro ser um ser humano melhor, um profissional melhor.


Como foi dirigir o curta Trabalho Interno?

É muito difícil conseguir dirigir um curta na Disney. Devo isso à minha luta pelo kosen-rufu. Eu me dedico com todo o coração às atividades da Gakkai e ao kosen-rufu. Com isso, eu me esforço para conseguir corresponder às expectativas do Ikeda sensei. Acredito que quando despertamos para a missão do kosen-rufu, podemos alcançar tudo. Ikeda sensei mostra isso com a própria vida para corresponder ao seu mestre, Josei Toda. E isso é o que procuro fazer com relação ao meu mestre. Com essa determinação tudo o que idealizar é possível conseguir porque você entra em uma esfera da vida em sua essência. Não é algo superficial.


A atividade aconteceu dia 11 de dezembro e reuniu 50 mil jovens

O que esse curta significa para você?

Todo reconhecimento que eu obtiver com o curta vai para o Ikeda sensei. Há pouco tempo estava inseguro porque terminei o filme e não sabia muito bem que rumo tomar depois disso. Mas, com daimoku, entendi que esse curta é pelo juramento que fiz ao meu mestre. Fiz isso pela Gakkai e tenho certeza de que o Trabalho Interno vai alcançar grandes proporções. Pautei todo esse projeto no kosen-rufu e estou numa fase crucial na minha vida, porque vou para a Divisão Sênior. Sinto que estou coroando a minha juventude com esse filme; esse é o significado desse momento.

Recentemente promovemos um encontro com 50 mil jovens e para que a atividade acontecesse realizamos visitas e também nos dedicamos nos preparativos desse grande encontro. Foi uma luta na qual todas as divisões participaram totalmente. A Divisão dos Jovens estava unida do começo ao fim e foi por isso que vencemos, para eternizar a Soka Gakkai e corresponder o nosso Ikeda sensei!

Agora, quero lutar na Gakkai com o espírito jovem, mas em uma nova divisão. Fechei esse ciclo com uma vitória em minha vida profissional e dentro da organização.


Como essa grande realização profissional refletiu em sua vida pessoal?

Como o budismo é a prática, as suas ações acabam repercutindo no seu cotidiano, na sua vida. Com essa ideia tentei aplicar filosofia budista no filme que é algo inerente em minha vida. E, interessante é que minha mãe que ainda é iniciante na prática do budismo, conseguiu perceber isso e me disse que estou fazendo kosen-rufu com o curta. Isso me comoveu muito. Ela entendeu naturalmente a mensagem que eu quis passar [cita emocionado].


Paul, o personagem principal, teve sua arte baseada no Leo
 

Em síntese, o filme fala sobre como transformar a sua realidade a partir da revolução humana. Foi essa a mensagem que quis transmitir?

Sim, tudo começa com você, com a revolução humana. A jornada do personagem principal, Paul, é interna e acaba contagiando as pessoas ao redor. O presidente Ikeda sempre cita que na Gakkai não somos apenas idealistas sonhadores. Nós vivemos em meio à dura realidade e desenvolvemos nosso potencial, nos desafiamos, assim como a flor de lótus.

No curta contei uma história que incita uma revolução interna. O budismo é minha vida e essa é a forma que eu encaro a minha realidade, então não haveria como não mostrar o que eu sou com o curta. É uma forma de dizer ao mundo que eu sou a Soka Gakkai.


Ainda emocionado, Leo relembra dos desafios que enfrentou nesse projeto, mas que persistir e acreditar no próprio potencial fez toda a diferença. Nos despedimos e peço para que ele deixe uma mensagem de incentivo para quem tem um grande sonho. Ele prontamente diz:

“Acho que a gente pratica o budismo para transformar o impossível em possível, não para conseguir um trabalho. Espero que vocês tenham uma meta impossível e que além disso, consigam dar vida a todos os seus ideais. Acreditem que, sentindo a vida do Mestre pulsar em seu coração, conseguirão realizar qualquer coisa”, encerra.

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