A bela Kishimojin
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A bela Kishimojin

Kishimojin (ou Hariti) é um demônio feminino que vivia em Rajagriha, capital do reino de Magadha, na Índia antiga.

Apesar de bela, Kishimojin era muito cruel e raptava crianças de outras pessoas para matá-las e, assim, alimentar seus quinhentos filhos [algumas fontes citam mil e dez mil filhos].

Erick Fugii

Para combater o desaparecimento das crianças do reino, o governante ordenou aos soldados que patrulhassem nas ruas e que as crianças permanecessem em casa. Mas, sem saber o risco que corriam, algumas delas saíram de casa e nunca mais voltaram. Kishimojin sentia um enorme prazer ao ver a aflição dos pais.

O povo, muito assustado, pediu ajuda ao buda Shakyamuni. Ele decidiu ajudar e foi à casa de Kishimojin, escondendo seu filho mais novo, Binkara.

Quando Kishimojin retornou à casa e notou o desaparecimento de seu caçula, ficou desesperada e o procurou pelo mundo inteiro durante sete dias, mas não o encontrou. Enfim, sem opções, pediu ajuda a Shakyamuni.

— Que tristeza! A propósito, quantos filhos você tem? — perguntou-lhe o Buda.

— Quinhentos— respondeu Kishimojin.

— Já que tem tantas crianças, não deve ficar triste por ter perdido somente uma, não é mesmo? — disse o Buda com um sorriso.

— Oh, não é verdade! Não importa quantos filhos eu tenha, amo cada um igualmente. Se o meu caçula não retornar, não suportarei a dor. Por favor, ajude-me! — implorou Kishimojin.

O sorriso sumiu do rosto de Shakyamuni. Em seguida, ele a repreendeu rigorosamente:

— Se conhece tão bem essa tristeza, por que rouba as crianças dos outros? Você é capaz de imaginar o sofrimento deles?

— Eu errei, lorde Buda, nunca mais farei isso novamente! — disse Kishimojin, arrependida.

Percebendo sua sinceridade, o Buda devolveu-lhe Binkara e o reino encontrou a paz.


Entenda melhor

De acordo com um sutra, Kishimojin era reverenciada como uma deusa da fecundidade e que concede um parto fácil. Posteriormente, a crença nessa deusa se propagou pelo Japão.

Você sabia que a deusa Kishimojin está representada no Gohonzon? Nichiren Daishonin registrou seu nome como uma das funções protetoras do universo, pois no Gohonzon está contido tudo o que é inerente ao ser humano, tanto o bem quanto o mal. E ela representa a nossa natureza negativa. Ao recitarmos Nam‑myoho-renge-kyo, podemos mudar até mesmo o aspecto mais negativo da vida em algo positivo. Ela é uma das representações dessa transformação contida no Gohonzon.

No 26º capítulo do Sutra do Lótus, “Dharani”, Kishimojin e as dez filhas demônios juram ao Buda proteger os devotos do Sutra do Lótus: “Nós usaremos nosso próprio corpo para proteger e guardar aqueles que aceitam, elevam, leem, recitam e praticam este sutra”.



Fonte: RDez, ed. 177, set. 2016, p. 10.

Nota: Cf. Terceira Civilização, ed. 425, jan. 2004, p. 62.

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